O que é apostasia?
A Razão da Esperança
Estamos na iminência da Volta de Cristo?
2) Nós somos parte ativa da realização destes eventos;
3) A volta de Jesus não é iminente.
Um planta, outro rega; mas Deus é quem dá o crescimento.
O que é apostasia?
Alegórica –é a interpretação dos textos da Escritura de maneira subjetiva, buscando um “sentido espiritual mais profundo” do que aquile que poderia ser naturalmente compreendido do texto, ou de seu contexto imediato. É puramente arbitrário, como por exemplo: um teológo medieval dizia que os 7 filhos de Jó representavam os 12 apóstolos porque 7 é 4 somado com 3, e 4 multiplicado por 3 é igual a 12; outro dizia que as duas varas mencionadas em Zacarias 11:7 são a Ordem Franciscana e a Ordem Dominicana; o movimento espiritualista diz que “o outro consolador” [João 14:16] é o espiritualismo; já alguns maometanos dizem que foi este Maomé. Nenhuma destas interpretações considera o texto em si segundo o seu próprio contexto e o seu significado mais natural. A interpretação Alegórica, por ser tão subjetiva, admite também a possibilidade de que a mesma passagem possa ter vários sentidos e significados, inclusive conflitantes; ● Histórico-crítica ou liberal – ao interpretar o texto bíblico, o adepto deste tipo de interpretação recusa partes claras e evidentes do texto (como a parte da narrativa de quando Jonas é engolido por um grande peixe, de quando Isaías profetiza sobre Ciro, ou de quando Cristo ressuscita), porque estas partes desafiam a visão de mundo cientificista e racionalista que se popularizou a partir do fim do século XIX; ● Experiencial – é a interpretação da Escritura com o objetivo de encontrar nela as bases que justifiquem uma determinada experiência subjetiva ou uma determinada crença. É o caso dos pentecostistas que costumam balizar suas crenças nos pretensos dons, visões e outras manifestações estranhas à Escritura usando frases como “aconteceu comigo” ou “eu já vi acontecer” e, a partir daí, buscar textos isolados que sirvam de comparação às suas experiências. Quando a Escritura claramente desabona algo, ou quando ela não possui uma norma direta e clara sobre determinado assunto, não importa o que eu vi ou eu experimentei, porque eu sou passível de erro e de toda sorte de engano, enquanto a Palavra de Deus não – se a Escritura estabelece algo, então tenho bases firmes para crer nisso; se ela nega, silencia ou não provê suficientes detalhes sobre certo assunto, então simplesmente não há rocha firme sobre a qual construir um ensino; ● Hiperliteralista, é a interpretação literal de quase todos os textos da Escritura, até aqueles evidentemente simbólicos ou metafóricos. Considera, por exemplo, que o Templo descrito nas profecias de Ezequiel seria um Templo literal a ser construído no futuro, apesar do relato sobre o rio no capítulo 47 contradizer esta idéia. Tendo enumerado os erros mais comuns, agora nos é proveitoso avaliar o método mais adequado para o estudo da Escritura (aquele mesmo que foi utilizado pelos Apóstolos no século I, pela escola teológica da Igreja de Antioquia nos séculos II e III, por inúmeros santos homens do passado, pelos Reformadores do século XVI e pelos Puritanos nos séculos seguintes): o princípio hoje chamado histórico-gramatical. Podemos resumí-lo em 4 princípios básicos: ● A Escritura é a única medida e meio de informação infalível e inerrante, capaz de ensinar-nos acerca da Salvação de nossa alma, do conhecimento de Deus, da confiança nEle e da forma perfeita da obediência que é devida ao Senhor [Romanos 1:19-21,2:14-15; 2 Timóteo 3:15-17; Isaías 8:20; Lucas 16:29; Efésios 2:20]. Nem homem algum, nem instituição alguma, tem autoridade superior àquela contida na Bíblia, que é a Palavra de Deus [2 Pedro 1:19-21; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 João 5:9]; portanto, a Bíblia é o único intérprete infalível da própria Bíblia, trazendo, em suas partes mais claras, luz suficiente àquelas de mais difícil entendimento; ● Há somente um único sentido pleno e verdadeiro para cada passagem da Escritura, que é o sentido originalmente desejado pelo autor humano para com os seus leitores. Este sentido deve ser buscado com afinco e defendido com fé e diligência, pois proveio da vontade do Espírito de Deus que inspirou o autor imediato do texto à expressão exata do que o Senhor intentou legar à Sua Igreja [2 Pedro 1:20,21; Atos 15:15-16]; ● Tal sentido único é obtido pela interpretação mais natural e imediata do texto, segundo a gramática comum e o bom uso da lógica. Quando, no entanto, houver controvérsias quanto à esta interpretação, tais dúvidas devem ser dirimidas por homens piedosos e capacitados pelo Espírito de Deus, com bom conhecimento das línguas originais da Escritura (especialmente pelos teólogos e mestres da Igreja) ou pela consulta à excelentes traduções (no caso de leigos). Mais luz será lançada sobre o texto, pela necessária consideração de seu tipo literário e da cultura, época e ocasião em que foi escrito. Por último, recomenda-se buscar o auxílio de bons livros que Santos homens do passado escreveram sobre o assunto investigado; ● A Revelação de Cristo é a substância do início, do decorrer e da consumação de tudo o que é informado na Escritura [Lucas 24:27; Apocalipse 1:8; Colossenses 1:16]. Sendo, portanto, um livro de tal teor espiritual e divino, a Escritura só é plenamente compreendida em seu caráter como Revelação de Cristo, mediante a iluminação do Santo Espírito [João 6:45; 1 Coríntios 2:9-12]. Isto não dá subsídios para uma interpretação alegórica, porque a maneira como cada texto da Escritura nos leva a Cristo é determinada pelo contexto, intenção do autor, tipo literário e interpretação das passagens relacionadas da própria Bíblia. Confesso que esta introdução à exposição dos textos referidos na última edição fez-se um tanto extensa; porém, é necessária pois, sem a correta base hermenêutica, não só a compreensão das profecias que estudaremos ficaria comprometida, como todo o modo de enxergamos a Escritura pereceria. Por isso, insisto ainda que todos nossos leitores orem por nossos presbíteros e pregadores para que estes cresçam a cada dia no Conhecimento do Amor de Cristo e na habilidade para nos conduzir, pela Graça do Senhor, à pureza, verdade e santidade que a Igreja de Cristo deve ter. E este é, sobretudo, o objetivo de todo o nosso estudo: que a meditação no ensino da Escritura sobre as últimas coisas floresça na forma de uma viva esperança cotidiana e, portanto, na forma de um apelo crescentemente sensível, do Espírito de Deus, para que nos consagremos ao Senhor com inteireza, rejeitando toda falsa doutrina, e, assim, onde quer que estivermos e seja qual for a vocação que o Senhor nos tem dado junto ao mundo, sejamos reconhecidos pela diligência e prontidão na luta pela expansão e progresso do Reino de Deus na terra. Retomo então nosso tema nestes estudo que é a Esperança em Tempos de Apostasia, a esperança em Cristo e em Sua Palavra, esperança sobre a qual a Escritura nos diz: “Todo aquele que nEle tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” [1 João 3:3]. Futurismo, uma arma de pessimismo e desânimo Como dissemos no início, a correta interpretação da Escritura é necessária para a saúde dos crentes, pois foi de uma má hermenêutica que surgiram heresias como o dispensacionalismo. E é no coração do dispensacionalismo que encontramos outro fruto vindo de homens que distorcem as Escrituras. Sim, lá encontramos um velho romanista, da pior espécie, um servo da obra-prima do Diabo chamada Igreja Católica Romana. Este romanista atende pelo nome de: futurismo. O futurismo a que me refiro é uma escola de interpretação das profecias da Escritura, que surgiu por volta do século XVII, pelas mãos calculistas de um Jesuíta. Esta escola defende que todas as profecias que não se cumpriram literalmente terão um cumprimento futuro. Esta idéia está baseada em uma divisão arbitrária do Apocalipse em partes, onde o capítulo 2 e o 3 são um resumo da história da Igreja em todos os séculos e o capítulo 4 em diante demonstra, cronologicamente, as coisas que “ainda hão de acontecer”. Esta armadilha escatológica foi uma daquelas armas forjadas nos porões sujos dos mais ímpios servos de Roma, assim como o fora o Arminianismo (a ligação entre certos romanistas semi-pelagianos com Jacobus Arminius é bem documentada na História) e o Misticismo Cristão (segundo um antigo cardeal da Igreja Romana, esta instituição não é o resultado da revelação de Cristo vivificando a herança judaica, mas a sincretização dos conceitos neotestamentários com as religiões pagãs – não é sem porquê que o Misticismo Cristão é considerado o pai dos movimentos pentecostais e, sobretudo, dos neo-pentecostais). O futurismo foi criado com um intuito certeiro: fazer-nos esquecer que o trono do Papa já é o trono do Anticristo. Coisa que esta escatologia faz ao mover o advento do Anticristo para um futuro distante, quase inatingível e ao condicionar a interpretação do Apocalipse às crises geopolíticas e desastres da época do intérprete (o que, além de todo o mal já citado, ainda incitou muitos ao pecado da prognosticação – basta consultar a história dos Adventistas do Sétimo Dia ou das Testemunhas de Jeová para entender quão destruidor é o futurismo). É válido notar que, desde antes da Reforma, muitos homens haviam aprendido e ensinado que o Apocalipse é um livro para hoje (e não para o futuro distante) e que a manifestação do homem da iniqüidade - que se assenta no meio do povo de Deus dizendo ser ele mesmo o deus [2 Tessalonicenses 2:4; Apocalipse 13:1-8] - já havia se iniciado. Sabia-se também que Roma seria sua cidade [Apocalipse 17:9] e que ele derramaria o sangue dos Santos de Deus [Apocalipse 13:7,18:24]. No século XIV, quando centenas de milhares já haviam sido mortos pela Igreja Romana, por discordar de seus dogmas antibíblicos, o Papa Bonifácio declarou: “Eu tenho a autoridade de Rei dos reis, eu sou tudo em todos e sobre todos, assim que Deus, Ele mesmo e eu, o Vigário (substituto) de Deus, temos uma só autoridade, e eu sou capaz de fazer quase tudo que Deus pode fazer. O que podem me considerar senão Deus?”. Então a antiga suspeita se fez mais do que confirmada. Quando a Luz da Palavra de Deus iluminou o mundo através da Reforma Protestante, a denúncia da real identidade espiritual do Papa se alastrou e foi conhecida em toda parte. No magistral documento confessional do Congregacionalismo mundial (a Declaração de Savoy), John Owen toma como suas as palavras dos puritanos de Westminster e diz: Não há outro cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. [Colossenses 1:18; Efésios 1.22] Nem pode, portanto, o papa de Roma, em nenhum sentido ser o cabeça; Mas ele é aquele Anticristo, aquele homem do pecado, o filho da perdição, que se exalta a si mesmo, na Igreja, contra Cristo e a tudo que se chama Deus, a quem o Senhor destruirá com o resplendor de Sua vinda. [Mateus 23:8-10; 2 Tessalonicenses 2:3,4,8,9; Apocalipse 13:6] E esta era a crença generalizada de todos as Igrejas Reformadas até o século XVIII quando o futurismo conseguiu infiltrar-se no aprisco Cristão pelas ações dos emissários de Roma. Com o fermento do futurismo, no século seguinte cresceu o pré-milenismo – soma da concepção hiperliteralista de que o milênio de Apocalipse 20 trata de 1000 anos literais que terão um cumprimento futuro e da idéia cronológica de que os eventos do capítulo 20 ocorrem imediatamente após os eventos do capítulo 19. Com a junção das doutrinas do arminianismo, futurismo e misticismo (incorporado pelos movimentos pietistas radicais) o cenário para a Apostasia na igreja completou-se e os eixos do pensamento cristão moderno, já abalado por outros ataques ideológicos, moveu-se para longe da verdade da Escritura. Este processo transformou o discurso cristão. A pregação histórica do Evangelho centrado em Cristo mudou-se em uma pregação de um outro evangelho cujo objetivo é satisfazer a carne. A determinação ousada dos antigos Cristãos que conheciam, pela Escritura, a história da Redenção do mundo pelo poder da Palavra de Cristo, tornou-se no retraimento e mundanismo dos atuais cristãos que crêem que a Bíblia conta a narrativa da recorrente derrota da Igreja de Cristo até o dia da fuga em massa. Este veneno de Roma, esta visão deturpada arminiana, futurista e mística (que, desde a última década, é hegemônica no meio evangélico) está nos catapultando de volta à idade média ao ensinar que Satanás reina sobre o mundo com constante triunfo e, portanto, a única esfera de ação do Evangelho é a vida para a igreja e na igreja. Se já não bastasse nos atemorizar com a história de um invencível cerco dos exércitos das trevas, somos apresentados ainda a um sempre eminente Armagedon, a uma estranha doutrina de que fim do mundo está sempre às portas (apesar de ser claramente absurdo dizer que sempre estamos quase no fim). O resultado?! Perdemos a noção de que a obediência à Lei moral de Deus é dever de todas as nações, de todos os povos e de todos os governos, (não somente da Igreja) e de que a responsabilidade pela derrocada e falência moral do mundo e da igreja visível é nossa – a presente geração do povo de Deus. Perdemos a visão de quem são nossos inimigos e de como podemos vencê-los, perdemos a visão de que o Anticristo já está no nosso meio (há séculos!) e que deve ser combatido com a Palavra. Perdemos a compreensão de quais são os objetivos da Igreja e de como podemos estabelecê-los, em lugar de nos acuarmos amaldiçoando o mundo e lamentando que somos os últimos fiéis na Terra. Por isso, nos primeiros textos bíblicos que estudaremos aqui, com a boa hermenêutica da Reforma e a Graça do Espírito de Deus sobre nós, buscarei expor as promessas que o Senhor nos deu para nos conservarmos vigorosos e otimistas em cada dura batalha as quais, se amarmos ao Reino de Deus, nos disporemos a enfrentar daqui por diante. Como dissemos na última edição, sabemos que a Escritura promete tribulações e perseguições para a Igreja até o retorno de Cristo e que não há notícia na Bíblia de que um dia, antes do fim, o mundo e/ou a Igreja, se tornarão completamente puros. Porém, há na Escritura uma poderosa escatologia de vitória para a Igreja de Cristo, escatologia esta que já perdemos muito ao ignorá-la.
Esta nova série de artigos do Jardim Clonal tratará da Esperança da Igreja em Tempos de Apostasia. Serão apresentados, em várias edições, estudos em escatologia (comparando o que os textos da Epístola de São Paulo aos Romanos capítulo 11, do Livro do Profeta Daniel Capítulos 9, 11 e 12, do Evangelho de São Mateus capítulo 24, das Epístolas de São Paulo aos Tessalonicenses, da Epístola aos Hebreus e do Livro de Jeremias podem nos ensinar sobre a decadência da Falsa Igreja, a Apóstata que se deita com a Mãe de Todas as Abominações - bem como sobre a vitória e progresso da Verdadeira Igreja, a Pura Noiva de nosso Senhor Jesus Cristo). Oremos para que o Senhor nos abençoe nestes estudos, para que Sua Palavra seja apresentada aqui pura e límpida, sendo refrigério para nossas almas em tempos trabalhosos e fonte perene de esperança e forças levando-nos a conhecermos, pela Graça de Cristo, o poder das palavras do Apóstolo Paulo quando diz: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim [Gálatas 2:20].
A Fé e a Piedade dos Puritanos
Algumas vezes, nos círculos teológicos da Internet, a Igreja Congregacional Kalleyana tem sido chamada de Igreja Congregacional Puritana. A razão disto é que Robert Reid Kalley tinha todas as características de um Puritano do século XIX, características as quais temos lutado para resgatar em nosso meio desde que iniciamos o processo de Reforma em nossas congregações. Processo este que, pela Graça de nosso Senhor, deu à luz a nossa denominação. A este respeito, o tema número 32 de um de nossos Símbolos de Fé (chamado Reflexões Bíblicas) diz que “o Puritanismo pode ser considerado um dos mais sublimes e santos modelos de vida cristã de todos os tempos”. Esta afirmativa não é, em nada, exagerada. Portanto, ainda nos falta muito para sermos realmente uma Igreja Puritana. Contudo, peço ao Senhor que não nos permita esmorecer, mas que nos dê, pela Fé em Cristo, uma porção do Seu Espírito como a que foi derramada sobre aqueles Santos homens do passado.
A teologia e a piedade Puritanas encontram poucos pares em toda história da Igreja. Como um movimento, o Puritanismo teve mais influência sobre a história do Protestantismo do que qualquer outro grupo isolado. A sua teologia moldou-lhes uma atitude ante o mundo que é a perfeita expressão da doutrina calvinista da Soberania de Deus. Eles realmente viviam como quem crê em um Deus que é Todo-Poderoso e ordena todas as coisas para o bem daqueles que amam ao Senhor, daqueles que são chamados segundo o seu propósito [cf. Romanos 8:28]. Um de seus lemas - vincit qui patitur (o que persevera no sofrimento, conquista) – demonstra quão firme era a expressão de sua Fé. Uma firme crença no cuidado e nas promessas de Deus, a qual é visível:
É verdade que muitas dessas vitórias foram transitórias, contudo, como podemos ver na história do Reverendo Puritano Robert Kalley, aquelas poucas vitórias que não são transitórias colaboram para o progresso do Evangelho de tal maneira que obscurecem até as inúmeras derrotas que os Puritanos usualmente sofriam. Porque, no sacrifício amoroso que esses homens fizeram por Cristo, gerações e gerações foram beneficiadas: dos ensinos dos Puritanos ingleses do século XVI surgiu a bela obra do Rev. Jonathan Edwards no século XVIII, renomado como um dos três maiores teólogos da Igreja, ao lado de João Calvino e de John Owen. E nas obras de Jonathan Edwards e John Owen nos foi legado o precioso entendimento da soberana obra do Espírito de Deus, que em tempos de apostasia, opera três grandes obras da Graça - preserva um remanescente para Glória de Deus, reaviva o povo de Cristo e fomenta a Reforma da Igreja e do mundo. E todas estas operações do Senhor por meio desses servos encontra impulso na firme crença Puritana de que nem todos os sínodos do inferno em conjunto podem prevalescer contra a Igreja de Cristo [cf. Mateus 16:18]. Foi esta firme Fé que preparou o coração dos grandes missionários do século XVII em diante e que deu força às palavras de grandes pregadores do século XIX, como William Wilberforce, que comumente instruía aos Cristãos, pela Palavra, a não ver o mundo como um navio naufragando e do qual as almas dos homens têm de escapar, mas como propriedade adquirida de Cristo, a cujo reino a terra e sua plenitude pertencem [cf. Mateus 28:18, Atos 2:34-35].
Como examinamos mais detidamente em um texto passado do Jardim Clonal, aquilo que cremos molda nossa moral - nossa prática de vida é um reflexo de nossas doutrinas. Pois a Palavra de Deus e a alma humana formam um conjunto perfeito, uma vez que a alma foi criada para que a Palavra habitasse nela. Portanto, qualquer distorção na Palavra, qualquer falha na pregação do inteiro conselho de Deus, gerará uma falha na alma. Ora, as doutrinas Cristãs pregadas desde os tempos Apostólicos sofreram terríveis ataques no século XX, e, com isto, a esperança e a vida Cristãs foram terrivelmente afetadas – e, portanto, a alma Cristã foi terrivelmente afetada. O Dispensacionalismo, por exemplo, é uma doutrina que inexistia até o século XIX; é oriunda de pretensos arroubos proféticos e pesadelos - forjada aos pés do herético fundador de seitas chamado Edward Irving. Antes de prosseguir, lembremo-nos de que Satanás é astuto e muito ardiloso em suas armadilhas. Digo isto porque costumamos pensar que uma vez refutada a falta de bases bíblicas- que é a divisão arbitrária das dispensações deste falso ensinamento - e uma vez refutado o absurdo a respeito das múltiplas voltas de Cristo e ressurreições, esta heresia está eliminada. Pensemos no que, comumente, dizem as Escrituras, ao provarmos por elas que:
1) Há uma só promessa (ou seja, um só plano de redenção em Cristo) para a qual todas as Alianças (ou Testamentos) de Deus apontam [cf. Efésios 2:12] - em lugar da errônea visão Dispensacionalista que propõe vários pequenos sistemas com promessas próprias e dois grandes planos (um para Igreja e um para Israel) com promessas diferentes;
2) Há um só povo de Deus, pois a Igreja sempre subexistiu oculta em Israel e, uma vez tendo sido revelada, é anunciada como parte da mesma Oliveira à qual tantas profecias do Velho Testamento se referiam e que era tida como símbolo do verdadeiro Israel - porque nem todos de Israel eram verdadeiros Israelitas, e nem todos filhos de Abraão segundo a carne eram filhos de Abraão segundo a promessa [cf. Romanos 9:6-8; 11:17-24; Gálatas 6:16];
3) Há muita inconsistência nas afirmações dispensacionalistas. Por exemplo, na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, Capítulo 15, versículos
4) Há somente uma segunda vinda de Cristo, segundo a Escritura. Este evento pode ser chamado de parousia, epifania ou revelação, o que é claramente compreendido pela comparação dos textos parelelos sobre este acontecimento, e onde podemos notar, pela ordem e descrição, que tratam de um único evento [ cf. Mateus 24:3; 1 Coríntios 15:23; 1 Tessalonicenses 3:13, 4:15,16 e 5:23; 2 Tessalonicenses 2:1,8; Tiago 5:7; 2 Pedro 3:4 e 1 João 2:28]. Há ainda, a afirmação clara do versículo 28 do Capítulo 9 da Epístola aos Hebreus, onde está escrito que Cristo aparecerá uma segunda vez. Não que nosso Senhor aparecerá uma segunda e uma terceira vezes, mas apenas uma segunda vez. Aparição esta que não é em nada secreta, mas com voz de arcanjo e com a trombeta do Senhor, todo olho o verá, sendo esta parousia também chamada de o dia do Senhor, dia tantas vezes citado na Escritura [cf. 2 Tessalonicenses 2:1,2; Apocalipse 1:7, Atos 1:11] o que contraria mais uma invenção dispensacionalista. Igualmente, a Escritura nos fala de só uma ressurreição,de ímpios e justos, exatamente no dia do Senhor [cf. João 6:39-40, 44, 54; 11:24; Mateus 13:30].
Cristãos que anelam por Deus como um Jardim em terra seca deseja a chuva, e que satisfazem-se nEle como se satisfaz na chuva tal Jardim; Cristãos que oram uns pelos outros, que edificam-se; que crêem na suficiência do Senhor Cristo Jesus e podem dizer: "A tudo reputei por perda, pois a Sua Graça me Basta!". Assim são (ou buscam ser) os que aqui se fazem representados, na Graça de Deus e para Sua exclusiva Glória.
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