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Milagres! - Parte 2

O Problema do Naturalismo

Vimos na última Edição que o espírito moderno crê em algo chamado Naturalismo. Vimos que esta idéia afeta todas os pensamentos subseqüentes do homem que foi capturado por este espírito, pois leva esta homem a articular toda sua compreensão do Universo baseado na ausência total ou prática do Deus Soberano. Finalmente, mostramos que o conflito que o descrente trava com as Doutrinas que a Escritura ensina repousa neste nicho, pois a acusação subentendida em todas as críticas do descrente é contra a Soberania de Deus e não contra a lógica ou o conteúdo do ensino Cristão isolado. Por isso, quando o espírito moderno diz que não acredita na Escritura porque é impossível, pelas Leis da Natureza, que o Mar Vermelho se abra, na verdade o que ele está dizendo é que não acredita na Escritura porque ele já crê em outros deuses e nenhum deles poderia fazer o Mar Vermelho se abrir, e que ele mesmo, como seu próprio deus, não poderia fazer tal coisa. O que os deuses dos cientistas não podem fazer, eles chamam de impossível. Então, alguém me pergunta: você está me dizendo que, um cientista que duvida da Bíblia, o faz porque crê em deuses pagãos e porque crê que ele mesmo é um deus?! Sim. Talvez você nunca tenha percebido isto porque não conhece o suficiente sobre a Filosofia da Ciência, sobre a Filosofia da Bíblia e sobre o paganismo para relacionar estas três coisas. Homens de reconhecida inteligência, Filósofos da Ciência e possuidores de algum conhecimento da Escritura concordariam comigo, embora usassem suas próprias palavras para dizê-lo. Posso citar entre tais homens: Albert Einstein, Thomas Edison, Sir Martin Rees e Karl Popper. Para os tais há um abismo entre a realidade percebida pelo empirista, ou seja, pelo homem que confia somente em seus sentidos para determinar a Verdade, e a realidade última, afinal, o ato de medir perturba o sistema – não que estes homens não acreditassem em uma realidade estável, mas que assumiam, com sabedoria e humildade, que a realidade última é mais estranha e inacessível do que geralmente se pensa. Acrescento que não defendo com isto o "deus das lacunas", ou seja, que a validade ontológica do argumento sobre a existência de Deus que se baseia na ignorância humana; antes chamo a atenção para uma compreensão menos determinista das chamadas Leis Físcas (e mais "cega", por si só fenomenologicamente caótica na interação dos meios, ainda que metafisicamente ordeira quanto ao fim) - assim, não é uma questão de desconhecermos o Universo, mas de conhecermos que as tais Leis têm, na Realidade, remendos e saídas de emergência que nos permitem vislumbrar a harmônica e lógica ligação entre o comum e o raro, onde uma regular imprevisibilidade dá o tom à sinfonia dos sistemas. Voltando ao tópico anterior, note que estes são apenas uns poucos de uma lista de centenas de Filósofos cientistas, que compreendem e anunciam sem temor o fato de que a ciência, conforme tudo que foi brevemente exposto acima, é, especialmente dada a natureza da Realidade e a limitação do método empírico, pura especulação, desprovida, então, de qualquer relação firme entre as suas teorias e a “real realidade”. Exatamente como os deuses pagãos, a ciência é apenas uma elaborada Mitologia. Afinal, o que eram estes deuses pagãos mitológicos? Eram forças, ditas incompreensíveis, autogovernadas, personificadas e usualmente representadas através de contos e narrativas. Para muitos dos Filósofos pagãos, no entanto, as personificações eram apenas ilustrativas, enquanto as forças representadas nestas personificações eram reais. Assim, um Filósofo poderia usar o nome Zeus ou Brahma (nomes de deuses pagãos) para representar a idéia de um evento cósmico que deu início ao processo natural e daí especular sobre a origem da natureza, ou o nome Gênio para especular sobre os diferentes sistemas do organismo humano e a complexa cadeia de sua interdependência. Quando um cientista inventa uma entidade cósmica como a Gravidade, ele está fazendo exatamente isto – supondo a idéia de um ser que poderia preencher a lacuna daquilo que o cientista não pôde explicar a respeito da Criação. Agora alguém me pergunta: Você está me dizendo que a Gravidade é como um deus mitológico? Sim, estou. Não que os efeitos associados ao nome Gravidade sejam mitológicos se eu arremessar uma pedra para cima, ela cairá na minha cabeça. Mitológica é a idéia de que existe uma força onipresente e irresistível (porém invisível) responsável por fazer as coisas caírem – isto é apenas um conceito concebido artificialmente para preencher os requerimentos necessários a certo número de cálculos e teorias em um sistema específico. A observação dos efeitos e a medição dos efeitos são coadunadas no conceito Gravidade – a Gravidade em si, como objeto ou ente, não existe no mundo real, mas é uma simplificação mitológica da realidade, elaborada com um fim específico. Quando novos dados surgem, a ciência abole este mito e o substitui por outro – basta comparar a física de Newton e a física Quântica para ver esta mudança de paradigma. Não há, no entanto, nenhuma garantia de que a mudança de mitos seja uma aproximação maior da realidade. Muitas vezes a ciência gira ao redor do mesmo assunto, sem concluir nada durante séculos. Famoso é o caso da quintessência ou éter luminoso que por um pouco é aceito como científica, logo é descartado e novamente retomado, então com um novo nome. Para trazer um exemplo mais próximo ao homem comum, pensemos um pouco sobre o Átomo. Quando você estuda sobre Átomos na escola, você aprende que eles são feitos de Prótons, Elétrons e Nêutrons. Este Átomo que você estudou na escola é Mitológico. Ele não existe de verdade – foi criado por algum cientista para responder a certas perguntas sobre a natureza e elaborar algumas teorias. Outros cientistas elaboraram outros modelos de Átomos antes disso, modelos que não possuíam estas subdivisões e, após isto, outros têm elaborado modelos que possuem várias outras partículas além de Prótons, Elétrons e Nêutrons. Imagine que a Bíblia possuísse algum versículo sobre Elétrons – uma passagem que mostrasse um objeto de metal desferindo um choque de grande voltagem em alguém. Os cientistas da época em que não se conhecia Elétrons diriam: isto é impossível; um objeto não tem eletricidade em si mesmo para ser capaz de fazer tal coisa, não acreditaremos neste milagre, ele é contrário às Leis da Natureza, não pudemos sequer reproduzir tal coisa em laboratório, mesmo com toda nossa tecnologia. O que, segundo vimos acima, significa: nenhum dos deuses da ciência tem este poder; então, não aceitaremos que o seu Deus o tenha. Já os cientistas da época em que os Elétrons foram descobertos diriam: isto não é um Milagre, são apenas Elétrons sendo descarregados pelo objeto. E esta última frase mostra o quanto o Naturalismo é inútil – se algo não couber nas Leis da Natureza conhecidas daquela época (ou seja, nos poderes dos deuses inventados pelos cientistas), então é impossível que tal milagre aconteça. Se couber nas Leis da Natureza conhecidas naquela época (ou seja, nos poderes dos deuses dos cientistas), então não é um milagre, é apenas uma coisa natural. Você percebe a incoerência? O espírito moderno pressupõe que a natureza funciona por si só, e é composta de diversos pequenos poderes que se limitam uns aos outros e sequer avalia que esta é uma proposição que exige uma fé cega, e que, portanto, é incapaz de interagir com a descrição do Universo proposto pela Bíblia. Não estou dizendo que seria esperado do ímpio cientista em questão um respeito pela Escritura, mas que o sistema lógico do Naturalismo é incapaz de escapar de si mesmo! Se confrontado com algo que as Leis da Natureza inventadas ou interpretadas pelos cientistas não explicam, então é impossível; se for algo que elas explicam, então, não é um Milagre. Ou seja, o homem que se acha tão racional e científico está impedido de pensar neste assunto porque, antes mesmo da discussão, já foi capturado pela armadilha naturalista e simplesmente não sabe mais pensar fora deste script. Lembremos, para ilustrar nosso exemplo, do que a Sagrada Escritura nos diz sobre Eva: ela foi criada a partir da costela de Adão. Quando a ciência desconhecia a clonagem, dizia-se que era impossível uma pessoa ser criada a partir da costela de outra. Hoje os cientistas têm de silenciar a esse respeito. Como foi exposto com detalhes nas edições 10 até 14 do Jardim Clonal, a Escritura não pode ser avaliada à luz da ciência, simplesmente porque a Ciência é constituída de tal modo que a Verdade é o fim do caminho que ela ainda está trilhando e, que, portanto, por definição, a Verdade está fora da Ciência para que ela seja considerada verdadeiramente Ciência. A Escritura, no entanto, pensa a realidade no sentido inverso, pois conta a história dos caminhos já trilhados pela Verdade desde o início dos tempos – a Escritura pressupõe a Verdade que ela contém para ser verdadeiramente Divina. Enquanto a Ciência busca a Verdade por experimentação, a Escritura já possui a Verdade e simplesmente a declara. Por isso a aproximação da Escritura com a Ciência não pode ser feita como se uma validasse ou negasse a outra.

Para finalizar este capítulo, e evitar que alguém compreenda mal a questão da Ciência como Mito, esclareço que o Mito não é ruim em si mesmo, desde que seja compreendido como Mito e não como Verdade. Mas como um Mito pode ser útil? Porque toda Mitologia é uma sombra da Verdade Divina, embora distorcida pelo pecado inerente ao coração humano – e é possível, com muito discernimento, selecionar e aproveitar esta porção de Verdade e descartar aquilo que se mostrar pecaminoso.

A Cosmovisão Bíblica

Se a Escritura Sagrada opõe-se a visão de que a natureza é composta por diversos pequenos poderes que competem entre si (e que, por sua vez, estão aprisionados dentro da própria natureza) - o que, então, a Escritura ensina? A Escritura ensina que Deus não é ex machina, ou seja, que o Criador não está ausente do Universo. O Deus da Escritura comanda a Criação em todos os seus detalhados aspectos: nós acordamos e respiramos porque o SENHOR nos sustenta [Salmo 3:5; Salmo 54:4; Atos 17:28]; Ele dá à terra as chuvas e as colheitas [Salmo 65:9; Salmo 67:6; Jó 5:10; Jó 37:6]; Ele faz os terremotos e as fomes [Salmo 104:32; Salmo 105:16; Salmo 107:43,35]; nenhum bem ou mal sucede fora de Seu controle [Amós 3:6; Tiago 1:17; Isaías 45:7]. Todos os eventos (históricos ou orgânicos, climáticos ou cósmicos) obedecem ao comando estrito do Deus que rege o Universo pela Sua Palavra. Portanto não existe, na Escritura, diferença entre o natural e o sobrenatural, sequer existe esta divisão – todas as coisas estão sob o direto comando de Deus, cada átomo e cada molécula, cada aeon da existência. Por isso, a Criação se comporta de maneira ordeira, previsível; porque o Deus que a dirige é Deus de ordem e não de confusão [1 Coríntios 14:33]. Segundo a Escritura Sagrada, esta é a origem das aparentes Leis Naturais – a ordem e imutabilidade do Deus que tudo comanda. A Criação que a Escritura nos mostra, é infinitamente superior ao estranho relógio que os naturalistas (e “semi-naturalistas”) pensam existir: ela é infinitamente superior a uma máquina que funciona sozinha. O Universo descrito pela Escritura é a máquina perfeita – uma máquina tão sensível à vontade de seu Criador e Operador que O obedece, todo o tempo em tudo o que Ele ordena - diferentemente da máquina mecânica do Naturalismo. A máquina perfeita, que jamais faz algo que o seu Criador não ordena ou deseja, é obviamente melhor do que uma máquina programada que executa roboticamente seu programa, e aprisiona o seu operador nos limites deste mesmo programa. Deus é o Soberano Criador e Operador da máquina perfeita, portanto, Ele participa dela na mesma medida em que é distinto dela. Ele habita na Eternidade e na Santidade, mas fala no Tempo com os homens corrompidos; Ele existe além dos céus na luz inacessível, mas ocupa toda a Terra e até o mais profundo do Abismo. Ele é o Deus Altíssimo e Temível e nada pode escapar do Seu conhecimento e de Seu poder.

Tendo compreendido melhor os assuntos que permeiam a Teologia dos Milagres, voltaremos, na próxima edição, ao tema do início desta série de artigos: o ensino Bíblico a respeito da Soberania de Deus, o qual está diretamente ligado ao ensino Bíblico sobre os Milagres. Notemos, a este respeito, que é o fato de toda a Criação ser controlada diretamente por Deus (e, assim, não estar aprisionada pelas próprias leis nem pelos poderes nela manifestos), que permite a existência daquilo que chamamos Milagre.

Milagres! - Parte 1

Um mundo científico e racional?

Vivemos em uma época onde agrada aos homens classificarem-se como modernos, racionais e científicos. É uma época na qual todos pedem provas de tudo, onde todos querem explicações racionais. Seguindo o espírito desta época, muitos têm se voltado contra o Cristianismo, dizendo que a Bíblia não oferece provas suficientes, nem mesmo explicações racionais do que ela diz. Infelizmente, estas pessoas não percebem que a base deste pensamento a favor da racionalidade e a condição necessária para a existência de provas estão na própria religião Bíblica a qual tentam contradizerfora da explicação bíblica que põe a causa da racionalidade humana na imagem de Deus impressa na alma do homem [Gênesis 2:7], não há sequer racionalidade verdadeira a qual se apegar. Na série A Incapacidade Científica, abordamos este assunto mais profundamente. Como pudemos aprender nesta já publicada série, é uma situação muito triste usar a base do pensamento Cristão (sem saber que se está fazendo isto), e tentar tornar esta mesma base de pensamento contra a própria Bíblia, sendo que esta é a sua origem. É triste e ridículo, porque mostra a fragilidade do indivíduo contemporâneo, mostra quão grande é a sua ignorância ao mostrar-se arrogante e certo em uma discussão sobre um assunto que mal compreende. Imagine como seria ridículo para um mecânico profissional ter de suportar os palpites de uma criança qualquer, com seus oito anos de idade, uma criança que nunca desmontou nem seus carrinhos de brinquedo mas que, por ignorância e imaturidade, teima em ter certeza sobre todos os detalhes do automóvel de seu pai (e isto, por causa de umas poucas palavras que o próprio mecânico lhe dissera). É exatamente assim que o espírito desta época leva as pessoas a se portarem em relação à religião – sem nenhum conhecimento de Teologia e Filosofia, elas ousam discordar de grandes gênios da antigüidade (e de grandes gênios do último século também) e ousam inventar suas próprias concepções religiosas, sem base alguma. O que ocorreria se todos se portassem assim em relação à Biologia? Imagine quão bizarro ver homens falando:

- Eu não acredito em células e mitocôndrias! Eu tenho estudado por minha conta, no meu tempo livre, os livros de segundo grau do meu filho e encontrei meu próprio conceito de Biologia com o qual eu tenho me sentido muito bem. Eu acredito até que exista um Sistema Nervoso, mas ninguém me convenceu que existam células. Decidi-me, inclusive, parar de tomar remédios feitos por médicos que crêem em células.

Qual a resposta que o espírito moderno inventou para este meu exemplo? Eles dizem:

- Não. A Biologia não é assim porque é uma ciência. Mas religião não é ciência; a religião não é baseada em fatos, mas somente na fé.

Cuidado! Esta é a armadilha do pensamento viciado do modernismo e do pós-modernismo – ele finge que não tem uma filosofia própria, finge que é imparcial, mas na verdade esconde a filosofia a que adere, esconde a parcialidade com que o método científico pode ser usado e com que estas idéias da modernidade foram concebidas. A Teologia e a Filosofia são ciências tão nobres e (apesar da redundância) tão científicas quanto a Biologia e a Matemática. Na verdade, sem Teologia e Filosofia não haveria Biologia nem Matemática, porque o método científico em si, assim como a forma da articulação das idéias e os pressupostos de todas as outras ciências, provém da Teologia e da Filosofia. Quando nos imaginamos no lugar daquele homem hipotético, que tem a sua própria concepção de Biologia, e quando repensamos o espírito moderno por este ângulo, percebemos que esta ideologia não é tão racional e científica assim. Claro, os defensores deste espírito repetem aquela mesma resposta que deram acima, eles a repetem levemente modificada:

- Uma célula é objetiva, pode ser observada pelo microscópio, ninguém pode duvidar que ela exista!

Ao que, repondo:

- Ela é objetiva para um observador informado, com o instrumento adequado. E, ainda assim, ela só é uma célula porque alguém a denominou assim. Para alguém que não tenha ou não esteja usando sua visão, ou para quem não tem ou não use um microscópio, ou para quem possui uma outra fonte de informações, a célula não é tão óbvia ou objetiva assim. Ademais, mesmo a observação da célula não prova nada exceto que a observação ocorreu.

Como foi explicado na série A Incapacidade Científica, o método científico empírico tem, em si, uma grande falha lógica. Por isso, muito me alegro que você, amado leitor, destacou-se da multidão que caiu na armadilha do pensamento modernista e começou uma jornada que pode levá-lo aonde você jamais imaginou: se você não desfalecer, nem desanimar, mas investigar tudo o que for apresentado aqui, com insistência e cuidado, você estará caminhando para conhecer ao Deus Criador do Universo, conforme Ele mesmo estará trazendo você à Verdade. Como diz a Escritura Sagrada: quem de si mesmo ousaria aproximar-se de mim? [Jeremias 30:21].


Surge o Conflito

Este mundo que se diz racional e científico (mas que em verdade não o é), encontra seus primeiros conflitos com a religião Bíblica quando, ao passar pelos textos da Escritura, se depara com o que chamamos de Milagre. A moral da Escritura é razoavelmente tolerada pelo mundo moderno, a sabedoria da Escritura é bem-vinda pelo mundo moderno, mas os Milagres da Escritura e a Soberania do Deus da Escritura são completamente rejeitados pelo mesmo mundo moderno. Do faça-se a Luz em Gênesis, passando pelo nascimento virginal de Cristo e estendendo-se até ao Apocalipse, o mundo não aceita quando a Escritura diz que Deus opera com a realidade da maneira como Ele quer. Por isso, o desejo comum deste mundo é cortar a Bíblia em partes, jogar fora as referências à Majestade de Deus fora, e usar a sabedoria e a moral bíblicas em proveito próprio. Porém a própria Escritura Sagrada não permite isto: se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro [Apocalipse 22:19]. E, pelo contrário, a Escritura diz: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra [2 Timóteo 3:16.17]. É, portanto, por causa daquela mesma ignorância, da qual já falamos, que um homem pensa que há algum sentido em aceitar as partes da Escritura que não apresentam Milagres (ou onde a Soberania de Deus não se mostra tão óbvia), enquanto rejeita as outras. Esta, contudo, não é uma ignorância desculpável e sem malícia, pois estas duas doutrinas que causam temor e rejeição são duas doutrinas poderosas – juntas, elas asfixiam até a morte o espírito moderno em todas as suas atuações; apagam, explicam e respondem todas as suas alegações. Perceba, por exemplo, que a Soberania de Deus (que é a justificação dos Milagres na Escritura) corta a raiz de todas as religiões centradas no homem e de todas as formas de pensamento centradas no homem. Como o espírito moderno é totalmente centrado no homem, o entendimento da Soberania de Deus desfere-lhe um golpe mortal. Mas o que é a Soberania de Deus? É o ensino de que Deus é governante absoluto do Universo – Ele é a causa primária de tudo o que ocorre no Cosmos e o sustentador de todas as coisas. Nada acontece fora da Vontade de Deus e tudo o que Deus deseja, Ele faz. Esta afirmação – de que Deus é o governante absoluto de todas as coisas – causa dois conflitos específicos quanto ao espírito moderno, no deslocar do eixo da existência dos homens para Deus:

1) O espírito moderno, como já citei, em lugar de ser imparcial e oposto à religião como alega, na verdade é comprometido com noções Teológicas e Filosóficas contrárias às do Cristianismo, noções ligadas ao Paganismo, dentre as quais se destaca o chamado Naturalismo. Assim, para o espírito moderno, a questão não é ser científico ou não, mas ser pagão ou não! Como a Bíblia definitivamente não é pagã, então ela é constantemente atacada. Esta forma oculta de paganismo no modernismo é centrada no homem, pois ao fabricar milhares de deuses falsos e fracos (como eram os deuses pagãos), os homens encerram por não reconhecerem e não se submeterem ao Deus Verdadeiro (e, sem reconhecer e se submeter ao Deus verdadeiro, o homem pensa poder reinar absoluto como seu próprio deus, evocando esquemas e poderes que manipularão aqueles milhares de deuses falsos e fracos). Por isso, o homem moderno pensa que pode criar sua própria religião – ele tem esperanças de ser o seu próprio deus.

2) O espírito moderno, dentro destes seus comprometimentos, está aliado também ao Empirismo. Conseqüentemente, a questão contra a Bíblia, mais uma vez, não é se ela é científica ou não, mas se ela apóia o Empirismo ou não. O Empirismo é completamente centrado no homem e é uma peça chave no arcabouço filosófico que o homem moderno usa para tornar-se a si mesmo em um deus, já que o Empirismo reza que o Universo só pode ser desvendado e compreendido através do uso das faculdades mentais humanas na análise daquilo que os homens compreendem em seus cinco sentidos.


O Problema do Naturalismo

Voltemos-nos à primeira das duas questões propostas: o problema do Naturalismo. Primeiro, vamos entender o que é este Naturalismo que o espírito moderno tenta nos vender apressadamente. Atente bem para esta questão do Naturalismo, porque o espírito moderno apresenta constantemente este produto filosófico, e sempre insiste muito que não o examinemos, desvia-nos com toda sorte de conversas e sempre repete o slogan de que seu produto já funcionou com muita gente antes e não precisaria ser testado de novo. Pois bem, este tal produto filosófico de segunda mão chamado Naturalismo é a crença de que o Universo é um grande relógio que funciona sozinho e que desenvolve suas próprias peças de reposição e ampliação. Para o Naturalista o Universo é um grande robô, cego, mecânico, determinado a seguir certos rumos previsíveis de ação. O Universo do naturalista está aprisionado por suas próprias leis e criações, é uma vítima de si mesmo em um processo infindável e cíclico de desconstrução e reconstrução. Vê-se que este é um conceito tipicamente pagão. Os deuses hindus, segundo a mitologia deste povo, viviam em um Universo exatamente como o Universo do Naturalista – um Universo que funcionava sozinho, como um relógio, como um moinho puxado por animais. Os deuses gregos, segundo a mitologia deste povo, também eram apenas atores em um palco Universal que não dependia deles. Tanto os deuses gregos quanto os deuses hindus estavam sujeitos a Natureza e obrigados a operar de acordo com determinadas leis: ao deus das tempestades, por exemplo, não era permitido comandar sobre vulcões; e sobre todos estes falsos deuses, dominava a concupiscência de suas paixões. A própria palavra natureza, em sua origem romana, traz em si o sentido de autonomia – no latim, natura significa nascido, o que remete à idéia de algo que brota por si mesmo; em grego, physis está ligado a crescimento, remete ao brotar da semente, o crescimento da planta. Em ambos os casos, a idéia pagã de natureza se expressa e tenta se referir a algo que ocorre de si mesmo, espontaneamente. Na Escritura Sagrada, no entanto, a linguagem Semítica se refere ao Universo como Criação (não como Criador ou co-Criador, não como espontâneo) fazendo uma clara distinção entre Aquele que governa o Universo e a Criação que é governada por Ele, e deixando claro que esta Criação não brota ou cresce por si mesma. Na Bíblia, nenhuma palavra semelhante a natureza nunca é usada para se referir ao Universo ou às supostas leis que o regem. Perceba que esta diferença crucial de conceitos faz com que qualquer discussão de um tema mais complexo seja inútil. Por exemplo, quando um descrente diz que a Escritura Sagrada não poderia ter sido inspirada por Deus, sua crítica real não é voltada contra o texto da Escritura mas contra a idéia de que Deus governa sobre o Universo. Se a discussão prosseguir nos termos do descrente, ele conduzirá os argumentos sempre no sentido de provar que Deus não interfere no Universo. Por causa desta concepção inicial errada a discussão inteira será inútil, até que o descrente compreenda que é absurdo discutir sobre a interferência de Deus, quando, na Verdade, Deus permanentemente governa sobre todas as coisas. Desta forma Deus é o poder que causa e sustenta todos os livros do Universo, e não só a Escritura. Na Escritura a diferença não está na quantidade de governo exercido por Deus, mas na quantidade de Verdade que Ele determinou que o autor expressasse ao escrever.

Incapacidade Científica, parte final

Esta é a última edição desta série de estudos sobre a relação entre a visão de mundo da sociedade descristianizada e a cosmovisão bíblica. Já mostramos as falhas da visão de mundo pós-cristã, e como seu fundamento científico não é tão confiável quanto seus proponentes afirmam ser. Já mostramos também o que a Escritura é suficiente e necessária para todo Cristão, que a Palavra está intimamente relacionada com o ser de Deus e que é o meio apontado pelo Senhor para a operação a Redenção em Cristo no coração dos homens e conseqüentemente, na sociedade. Agora, estabeleceremos um diálogo que partirá do conhecimento da Escritura em direção à cultura que nos permeia, com o objetivo de esclarecer o profundo e espiritual sentido de Gênesis e sua perfeita racionalidade, usando (e buscando equipar os Cristãos para que saibam usar) linguagem e comparações acessíveis ao homem contemporâneo.

Um Esboço de Gênesis

Primeiro, devemos compreender parte do proveito da posição desta narrativa, como primeiro capítulo da Escritura. Dizem os incrédulos: Seria melhor começar de outra forma, este relato da criação não me convence; alguns deles (ainda com menos temor e mais tolice) até sugerem: Poderia começar com provas sobre a existência de Deus e com métodos que permitissem comprovar isto. Porém a Escritura nos diz que sem fé é impossível agradar ao Senhor e que “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Assim, a Escritura requer que quem se aproxima de Deus creia que Ele existe; quem se achega à Bíblia deve assumir, anteriormente, que Deus existe e que Ele recompensará esta busca – de outra forma é inútil aproximar-se da Escritura, pois o homem incrédulo, quando de coração endurecido, não será capaz, pela sua natureza perversa, de submeter-se ao que o Senhor ensina em Sua Palavra. Antes, o incrédulo, com seu entendimento entenebrecido, entra em uma disputa com o texto da Bíblia, julgando-se mais sábio e, com curiosidade maligna, inquire a Escritura para destruição e não para aprendizado. Por isso a Escritura, em seu primeiro versículo, diz apenas “No princípio, criou Deus...” - para que o coração humano não seja incitado ao erro de enveredar-se em pecaminosa curiosidade, mas para que seja simplesmente instruído a crer em Deus como Verdade inicial para reflexão sobre a cosmovisão Bíblica. Munidos desta compreensão obtida pela luz de Hebreus 11:6 e Gênesis 1:1 podemos perceber o início da Escritura como algo mais do que uma simples narrativa da Criação do universo, pois, em Gênesis:

1) Moisés emparelhou e diferenciou, propositalmente, as antigas narrativas (Gênesis 5:1, cf. Números 21:14) da Verdadeira Criação (possivelmente preservadas por profetas antediluvianos como Enoque, e pósdiluvianos da descendência de Noé) e as figuras e linguagens do antigo Oriente próximo. Desta forma, relatos míticos como o Enuma Elish, a Epopéia de Atrahasis e a Epopéia de Gilgamesh, são corrigidos e contrabalanceados pela Verdade da Escritura. O fato de que haviam essas histórias sobre a Criação no Oriente próximo, e de que elas guardavam certa semelhança com a base sobre a qual Moisés escreveu Gênesis, demonstra como antigas narrativas da Verdadeira Criação foram preservadas não só junto aos Hebreus, mas a todos os povos. Porém, em tais relatos míticos estrangeiros, os homens acrescentaram e alteraram a Verdade para favorecerem seus pecados. Moisés, em Gênesis, resgata a Verdade antiga mantendo a comparação com os mitos da época – de um modo que nem a Verdade foi subtraída em nada, nem a Escritura foi composta de uma forma completamente alheia ao povo. Aparentemente isto cria um hiato entre a linguagem de Gênesis e a nossa cultura, que não possui mais os símbolos e figuras dos Hebreus e do antigo Oriente. Contudo, segundo a inspiração do Santo Espírito, Moisés teceu Gênesis na forma de uma defesa da concepção de vida Cristã contra as diversas formulações filosóficas representadas por estes mitos, representações filosóficas que são basilares aos diversos sistemas de pensamentos não-Cristãos, inclusive aos que existem hoje. Como já notamos, essas mitologias haviam derivado da Verdadeira história da Criação e, por isso, podemos afirmar que suas verdades essenciais devem seus elementos à Verdade Revelada de Deus. Portanto, ocorre entre Gênesis e estes mitos de Criação, o mesmo que demonstramos, na Edição número onze, ocorrer entre a cosmovisão Cristã e a Científica: a Ciência acaba devendo ao mundo Cristão e à natureza de Deus todas as suas bases. Como os homens torcem as conseqüências dessas premissas para fugirem da condenação que o desenvolvimento lógico delas anuncia (condenação para todo o que não se submete ao Senhor), as visões de mundo produzidas por eles são sempre autocontraditórias. Por exemplo, no capítulo 1, os versículos 1, 3, 9, 11, 14, 20, 24 e 26 nos dão base para destruirmos os argumentos das filosofias panteístas (acreditam que seu deus e o universo são uma só coisa), e os versículos 14-18 nos instruem sobre como eliminar as premissas das cosmovisões que idolatram, direta ou indiretamente, os corpos celestes. É deste ponto que concluímos que Moisés nos legou mais do que um simples relato da Criação: Gênesis formula a base apologética da defesa da Fé Cristã – a descrição de um padrão interno à Fé, um padrão que inicia com um salto de confiança ao assumir como verdadeira uma proposta Revelada por Deus na Escritura, uma proposta que sustenta a lógica do sistema, permite a dedução de outras verdades e se retroalimenta das evidências do sistema (pelo fato do sistema não se refutar em nenhuma de suas partes).

2) Há uma repetida e constante descrição dos termos da Aliança ou Pacto firmado pelo Soberano Rei do Universo com Seu Povo Escolhido. As narrativas de Gênesis ilustram a Lei de Deus (que regula a Aliança) através da aplicação histórica e do relato da origem de cada preceito. Em Gênesis 2:2-3 temos o princípio Sabático; em Gênesis 17:9-14 temos, na circuncisão, o princípio da confissão pública e corporativa de fé na admissão de um homem ao Povo da Aliança, assim como o princípio de que cada membro do Povo pertence plenamente ao Senhor – que será o provedor de seu crescimento. Note, ainda por paralelismo, que os versos do capítulo 1 de Gênesis também denotam esta noção Pactual de Deus; especificamente elas introduzem o conceito de que Deus age segundo a figura de um Suserano, ou seja, de um poderoso Rei cuja nação se apodera das relações exteriores de uma nação menor, para segurança e provisão da mesma, fazendo dela uma nação de servos e de seu rei, um vassalo. Nos três primeiros dias da Criação, Gênesis relata Deus forjando um reino a ser dominado. São criados os céus empíreos - a habitação do trono de Deus e dos Santos anjos, a imensidão do espaço exterior e a massa desforme que seria moldada em nossa habitação (isto só no versículo 1). Segue-se a criação da Luz (Gênesis 1:3) - uma superestrutura de luz ainda não instanciada em nenhum veículo (o sol e as estrelas só seriam criados no quarto dia) porém já nomeando o dia e a noite segundo a separação que Deus faz entre esta luz e as trevas que “haviam sobre a face do abismo” (Gênesis 1:2). O Senhor cria ainda, em seqüência, o firmamento (Gênesis 1:6), os mares e a terra seca (Gênesis 1:9) e a vegetação (Gênesis 1:11). Estes elementos representam a Provisão de Deus em suprir um reino, um ambiente a ser governado, uma nação de servos. Nos três dias seguintes, o Senhor provê os governantes: luzeiros para “governarem o dia e a noite” (Gênesis 1:18); os animais para multiplicarem-se, dominando seus ambientes (Gênesis 1:20-22), e o homem para dominar “sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam” (Gênesis 1:26;28; Salmo 8:6-8). Assim o Senhor aproxima-se da própria Criação, desde seus primeiros momentos, de forma Pactual. Deus faz-se a Majestade dominante (Salmo 8:1;3) e evidente sobre toda a Criação, a quem empresta Glória na qual é louvado. Como poderoso Rei, Deus institui governos e leis sobre o reino dominado, onde cada governador é seu vassalo. Vemos, no Salmo 19 nos versículos de 4 a 6, Deus sendo louvado pela obediência do sol em cumprir seu caminho diário, segundo o Senhor o instituiu a fazê-lo. Da mesma forma como o sol governa o dia (Gênesis 1:20) e, como vassalo, submete-se em seu domínio ao Deus Criador, segundo os termos de uma Aliança criada e mantida somente por Deus, assim Adão foi instituído governador sobre a Criação, para submetê-la consigo mesmo ao domínio de Deus, segundo os termos de uma Aliança criada e instituída por Deus. Contudo, Adão foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26). Ele foi feito representante perfeito e ideal de Deus, corpo e alma, feito para relacionar-se com o Criador, para compreender e responder ao Pacto que Deus firmou com ele, andando em santos caminhos e reinando de forma benevolente. Diferente de tudo o mais na Criação, o ser humano foi criado como ser pessoal e autoconsciente, e não era impelido por nada em sua natureza, nem para obediência nem para desobediência. Teologicamente, chama-se a Aliança de Deus com Adão de Aliança das Obras, porque a permanência do estado de plenitude em Cristo, desfrutada por Adão, dependia de uma perfeita e absoluta fidelidade ao Senhor. Não havia misericórdia para o pecador, apenas condenação irrevogável: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 3:17). E Adão quebrou este Pacto com o Rei e Deus Eterno, tomando o fruto oferecido por Eva (Gênesis 4:6); nisto ele selou uma outra Aliança que perdura até hoje: a comunhão da carne com Satanás, o “deus deste século” (2 Coríntios 4:4). Que infeliz este Pacto com o príncipe da morte e das trevas! Porque em Adão todos caímos (Gênesis 6:5; 1 Coríntios 15:22; Romanos 5:12,19), pois, sendo ele governador de toda Criação, seu Pacto com Satanás foi um conluio entre o império das trevas e o domínio do homem intentando uma rebelião contra o Reino da Luz. Neste rebelião a própria Criação manifesta o caráter do Maligno e oculta a perfeição da Glória de Deus para a qual foi feita (Gênesis 3:17-19). Porém toda esta rebelião é imediatamente abortada quando, para Glória de Seu Santo Nome, Deus revela, na falência da Aliança das Obras, o Pacto da Graça. O Senhor não destrói Adão e Eva imediatamente, mas conserva-os na promessa da revelação futura do Mistério da Piedade que Redimirá a Criação e esmagará o astuto Enganador que seduziu Eva à desobediência (Gênesis 3:15). O conhecimento da Divina Aliança da Graça é o fio que conduz ao entendimento da Soberana ordem do Senhor em executar Seu plano de Redenção através da história. Somente na compreensão de que o Senhor é Javé, o Deus da Aliança que age por amor ao próprio Nome, repousa a confiança na Provisão e cuidados d'Aquele que preparou e preservou um reminiscente puro no meio de Israel corrupto e que tem feito todas as coisas cooperarem para a congregação e santificação de uma comunidade eleita e separada que peregrina pela terra rumo à Jerusalém Celestial. Somente na compreensão da Aliança da Graça de Deus podemos vislumbrar a perfeição da obra de Cristo, o “Mediador de uma nova aliança” (Hebreus 12:24) na qual todos as sombras do Velho Testamento se tornam claras em seu sentido, e a Graça se manifesta desvelada. Na Aliança da Graça o pecador pode se aproximar de Deus, confiado em Cristo, tendo o sacrifício dEle por expiação de seus pecados e tendo a perfeita obediência do Senhor (que venceu onde Adão falhou) como garantia da herança com os Santos na Glória, segundo a união de todos os Cristãos no Corpo de Cristo.

Alguns questionamentos comuns a respeito de Gênesis

Tendo já vislumbrado parte da profundidade de significados do Livro de Gênesis, lembrando que em tantos outros aspectos já nos confrontamos com a perversão do conhecimento humano em comparação com a perfeição do conhecimento Divino, peço ao Senhor que cada leitor esteja, cada vez mais, adquirindo uma mente espiritual, segundo a Graça de Cristo Jesus, para compreender quão mesquinhas são as questões levantadas pelos altivos homens pós-Cristãos contra este Livro da Escritura. Contudo, para que não se nos acusem de não termos respostas, e para munirmos nossos Cristãos de pontos de contatos úteis em conversas comuns com não-Cristãos, pontos que podem levar às questões mais profundas que denunciam o pecado e mostram a necessidade de arrependimento do pecador. Por estes motivos, responderemos alguns destes questionamentos:

1) Foram seis dias literais de Criação?

A forma de interpretação bíblica que se fez presente em todas as igrejas sadias na História, (a qual foi exaltada pela Reforma) é aquela que toma o texto no sentido mais natural possível, segundo a linguagem da época em que foi escrito, segundo a intenção do autor e o contexto da Escritura e do povo a quem aquela Escritura foi direcionada e, ainda, segundo o estilo literário da porção avaliada. Por isso, é importante notarmos aquelas diferenças enunciadas na última edição de nosso periódico, a respeito dos estilos do livro de Apocalipse e do livro de Gênesis. Apocalipse é enunciado como profecia simbólica, muitas vezes puramente alegórica. Gênesis, no entanto, sempre que referido na Escritura, é referido como livro histórico (Mateus 19:4-6, Marcos 10:6-8, Atos 17:26, Romanos 1-2,5:12-21,16:20, 1 Timóteo 2:13, 1 Coríntios 11:8, etc.). Não é difícil percebê-lo quando vemos que existe uma progressão no livro, relatando Adão e Eva (cuja existência é questionada pelos aduladores do cientificismo), depois Caim e Abel, Sem e daí aos povos Semitas até a vida de Abraão (que é historicamente inquestionável) e daí em diante – não há uma divisão no livro, ele simplesmente segue a narrativa de Adão até as 12 tribos de Israel; e quando vemos que não há na Escritura casos onde elementos decididamente reais (como Deus, o dia, a noite, a luz, os animais, etc.), sejam citados em um sentido casual misturados com elementos simbólicos (por exemplo, Deus não aparece como Deus em nenhuma parábola, mas é representado simbolicamente, como quando é representado como o “dono da vinha” ou como o “pai do filho pródigo”). Gênesis é, claramente, um livro histórico. Assim podemos entender Gênesis simplesmente de maneira literal (desde que, é claro, atente-se e pondere-se o uso de figuras de linguagem comuns, como o antropomorfismo). Os dias da Criação, por exemplo, quando estudados cuidadosamente, nos conduzem a concebê-los como dias literais. A palavra yom, que em hebraico significa dia, é usada, quanto aos dias da Criação em Gênesis, exatamente com seu sentido mais óbvio: de um dia. Um dia de 24 horas? Sim, como vemos pela repetição da frase tarde e manhã em todo relato da Criação. Se, como alguns, influenciados por idéias liberais (muitas vezes sem sabê-lo), têm afirmado, esses dias equivalessem a “Eras Geológicas” (períodos de milhões de anos) então teríamos uma grande dificuldade em explicar o que é uma “manhã” e uma “tarde” em uma era geológica. Este é um outro exemplo de interpretação da Escritura com base na Ciência; a concepção sobre a Bíblia é alterada para se amoldar à Ciência. Porém a Ciência é falha, como estabelecemos no início deste estudo e, enquanto alguns cientificistas dão a própria vida para defenderem uma Terra com bilhões de anos, outros apresentam teorias que apontam para um planeta com não mais que 10.000 anos de existência. Soma-se ainda, ao argumento a favor de que Gênesis ensina uma criação em seis dias de 24 horas o fato de que Deus descansa no sétimo dia. Teria Deus descansado durante toda a “sétima Era”? E o que significaria isto, que era foi esta? E, se Deus descansou durante um período indeterminado de tempo, sem relação proporcional com os outros períodos de tempo (pois uns seriam maiores do que os outros), que sentido tem evocar este fato para estabelecer que nós descansemos um período proporcional de dia de 24 horas em cada sete dias de 24 horas baseados no fato de Deus ter descansado um dia em sete? (cf. Êxodo 20:8-11).

2) Porque Deus criou o mundo em seis dias e não instantaneamente?

É muito comum as pessoas questionarem: caso Deus seja onipotente, porque Ele demorou 6 dias para criar o mundo? A resposta é muito simples. Como em tantas outras partes da Escritura, Deus acomodou Seu poder e ação ao entendimento humano porque desejava comunicar-nos algo. No versículo 1, vemos que o Senhor criou os céus instantaneamente (que céus, como já dissemos, é muito acertadamente compreendido como os céus empíreos, a esfera de existência celestial onde habita o Senhor e Suas hostes de Anjos). Foram feitos imediatamente perfeitos. Não havia necessidade de um criação temporal dos céus porque eles não foram feitos para que os contemplássemos e, meditando neles, aprendêssemos sobre o Criador. Porém a terra foi feita para isto, nosso mundo foi, desde o princípio, formado com o objeto de ser uma Revelação sobre o Criador, um Livro escrito em matéria que, quando lido pela imagem de Deus no homem, falasse do próprio Deus, Sua Glória e Seu poder. Portanto, Deus criou o mundo em seis dias para comunicar-nos realidades espirituais e instruir-nos no conhecimento dEle.

3) Como era o mundo na época da Criação?

A Ciência e a Escritura concordam que a Terra também era um lugar muito diferente na sua juventude. Porém os dogmas racionalistas e materialistas do cientificismo forçam a explicação e a investigação dessas hipóteses ao campo do observável nos dias de hoje. A Escritura, no entanto, trazendo testemunho da Criação, afirma o que o cientificismo não poderá alcançar jamais, e desenha um cenário intrinsecamente mais consistente e crível do que qualquer coisa alardeada pela falsa ciência até os dias de hoje! E isto é de tal maneira impressionante que, por exemplo, a ordem de Criação dos corpos celestes e das leis físicas, foi aceita pela Ciência exatamente como narrada em Gênesis, por necessidade lógica e teórica, apesar de não ser possível comprová-la empiricamente. No primeiro versículo, Deus cria, a partir do nada, os “céus” e a “terra”. Esta Terra era “vazia e sem forma” e estava sobre um abismo. Entende-se daqui uma massa estranha, emergente de um caos inóspito, por ação do Criador; esta massa estava solta sobre o vazio espacial. Esta indefinição é referida por Moisés também como “águas”, no sentido de que essa ordem primordial é tão indistinta quanto uma coleção de mares invadindo e ajeitando-se sobre uma terra antes represada ou como uma massa mole de argila nas mãos de um habilidoso escultor. Sobre esta massa o Espírito de Deus inspira a ordem, e Ele mesmo a preenche e sustém. Na medida que a Criação prossegue, mais e mais ordem se expressa, seguindo-se, entretanto, este princípio observado: a ordem é lógica e necessária, é demonstrada em uma crescente complexidade e estabilização e expressa-se na Providência e Sabedoria de Deus em usar tanto meios diversos, quanto em agir imediatamente sobre o mundo. O resultado primário é uma terra paradisíaca em todos sentidos, tanto na geografia quanto no clima, tanto na distribuição dos animais quanto na ausência de violência expressa no fato de que todos se alimentavam apenas de vegetais. Possivelmente, havia menor variedade de animais, de modo que Adão pudesse dar nomes a todos eles e de modo que todos estivessem presentes no Jardim. É como se cada animal de hoje possuísse um antepassado que era o protótipo geral de todos os animais semelhantes a ele; por exemplo, é como se todos seres aparentados do cavalo possuíssem um protótipo eqüestre que era o cabeça, o primeiro, o concentrador genético, de todos os animais desse tipo. Ao menos é o que se pode entender da expressão hebraica baramin, usualmente traduzida como tipo ou espécie (Gênesis 6:19), e pelo contexto do Livro. Adão mesmo era o protótipo genético de todos os seres humanos; porque ele era o cabeça da espécie, e dele vieram todas as raças: brancos, negros, amarelos. Ele continha em si toda a informação primordial necessária para derivar estas raças. Além disso, algo mais era diferente: não havia doenças, nem mal algum. Todos eram extremamente longevos, creio que tanto os homens (que poderiam viver 9 séculos!) quanto os animais. O que poderia ocasionar que alguns se tornassem verdadeiros gargantuas, como o chamado behemot – um enorme e fortíssimo ser parecido com um dinossauro descrito no Livro de Jó, capítulo 40. Tudo isto, porém, se degenerou pela contaminação do pecado que adentrou o universo por ocasião da desobediência de Adão e Eva - surgiram venenos, doenças, catástrofes ambientais. A Criação se volta contra o próprio homem, que deveria ser seu regente. E a morte reinou sobre a terra.

4) Com quem os filhos de Adão e Eva se casaram?

Adão era um homem que, segundo os padrões que a ciência atual criou, talvez fosse considerado até mesmo como outra espécie humana. Ele não possuía nenhuma falha genética, seu DNA não conhecia mutação. Ele era perfeito em tudo. Nele não havia doenças ou síndromes hereditárias, nem tendências ao desenvolvimento de doenças quaisquer. Na verdade, como respondemos na pergunta anterior, não havia nem sequer doenças antes de Adão pecar. Porém, não nos confundamos, havia dor. Por ocasião da queda, Deus fala a Eva: “multiplicarei as suas dores de parto”, portanto já havia dor antes da queda, havia algo a ser multiplicado. O que, aliás, faz com que compreendamos que a dor, de modo geral, não é algo ruim em si mesmo (mas algo que já fazia parte da boa criação de Deus). Contudo, as dores se tornaram aflitivas ao ser humano, como tantos outros “cardos e espinhos” que surgiram por conseqüência da desobediência. Voltando à questão levantada, é por causa da pureza genética (e da longevidade citada acima) que entendemos com quem os filhos de Adão e Eva se casavam: eles se casavam entre si. Não geravam prole defeituosa porque, pela total pureza genética de Adão e Eva, pela ausência completa de defeitos e qualidades negativas em seu DNA, seus filhos não tinham como herdar tais coisas. Portanto, não havia uma maior probabilidade de que uma determinada doença ou tendência destrutiva se manifestasse pelo casamento intra-familiar. Pela decadência da humanidade, conforme os frutos do pecado se tornavam mais evidentes na Criação decaída, é que foram surgindo degradações genéticas e doenças que impossibilitaram o casamento intra-familiar.

Conclusão

Depois desta longa jornada nestes embates sobre Gênesis, tenho a impressão de que passamos mais tempo expondo as bases de nossa Fé e suas aplicações, em contraste com a falta de bases da metodologia cientifica e de seus filhotes, do que falando efetivamente sobre Gênesis. A causa disto é que o problema dos falsos Cristãos, dos Cristãos débeis e das igrejas adoentadas, não está na Escritura em si, nem no que a Escritura diz. O problema está em seus espíritos. Porque suas mentes não se renderam de forma plena aos pés da Cruz, suas almas não abandonaram os sonhos e as lembranças do Egito - são pessoas que não desistiram de suas próprias idéias e experiências para aceitarem a Escritura como regra suprema e veredito final sobre todas as questões da existência. Ainda pensam como escravos e ainda querem as panelas de carne e os deuses cegos e manipuláveis daquelas terras malditas. E este não é exatamente um problema da era pós-Cristã: é simplesmente a constante ressurgência da tentativa de sintetizar o pensamento Cristão com alguma filosofia de determinada época - a ressurgência da covardia de não querer enfrentar o mundo, de não querer carregar a Cruz, de não querer perder tudo por amor a Cristo. Foi esta doença espiritual que acometeu os Coríntios no mais terrível grau, e contaminou aos Colossenses e aos Gálatas causando consideráveis perdas. Foi esta lepra interior que arrastou a igreja, séculos depois, em direção às pressões para alegorizar Gênesis de modo que se encaixasse na filosofia de Aristóteles – e lembremos que esta sincretização, especificamente, foi um forte assentamento para construção do trono Papal do Anticristo.

Por isto, convoco todos os amados leitores, sejam incrédulos, Cristãos fracos ou Cristãos já firmados em Cristo e na Palavra; convoco que contemplem Cristo em Gênesis, que contemplem comigo o anúncio final e constante do descanso eterno dos Santos. Basta seguir a estrada dos atos Soberanos de Criação e vê-lO, após seis dias de trabalho, demonstrar-nos a consumação dos séculos na figura do sétimo dia – o Sabbath do Senhor, o descanso de Deus. Porque tem existido um descanso prometido desde o sétimo dia da Criação (Gênese 2:2), um descanso no qual todas as gerações de desobedientes impenitentes jamais conseguiram entrar (Hebreus 4:6), ficando sem esperança, mas no qual aqueles que crêem serão bem vindos, para a vida (Hebreus 4:3). Ora, se mesmo Adão, arrependido, foi recebido na Graça, por causa de Cristo, porque hesitaria algum de nós em buscar perdão e retidão junto ao Senhor, com sincero arrependimento e humildade? Porque somos, se cremos na Salvação que vem do Senhor, convidados a aguardar com esperança e regozijo o cumprimento das promessas de Gênesis, de que nos uniremos com Cristo no nosso lar celestial (1 Pedro 2:11), para o qual devemos olhar constantemente enquanto marchamos, purificando-nos de toda malícia (por sabermos que seremos como o Senhor Jesus quando ele se manifestar). O crente, conhecendo as coisas que o esperam na eternidade, a si mesmo se purifica ... como é puro o Senhor (1 João 3.3). Se somos mesmo do Amado, reconhecemos a Soberana vontade de Deus, que nos dirige, como dirigiu a Adão, para unir-se com Ele no Seu descanso, para habitar com Ele em um incessante Sabbath. Ouvimos a Sua voz, e não nos escondemos, mas adoramos por cada Palavra da Escritura, que é Sobrenatural, que é Soberana em Deus, e vive em nosso Redentor para selar cada Filho da Aliança da Graça numa mesma união no Corpo de Cristo, preparando-nos para quando seremos, como Eva a Adão, apresentados como Noiva pura e imaculada ao amado Noivo (Apocalipse 21:2,9). Alimentemo-nos da esperança de Gênesis e busquemos em oração e súplica por todos os Santos, em toda dedicação e meditação na Palavra, lembrarmo-nos noite e dia de que nossa celeste esperança se equilibra em um prato, como uma balança, no contrapeso da aflição e do conflito contra o mundo, sendo ambos firmados, pelo centro, pendentes da Cruz de Cristo. Cristãos, portemo-nos como Igreja Militante que somos, não evitando a batalha, mas denunciando poderosamente o pecado e devastando, pelo poder da Palavra de Deus, todos os inimigos de nosso Senhor. Não aceitemos o clamor do mundo humanista a respeito de neutralidade religiosa e de sermos politicamente corretos, mas como Abraão, pela fé nas promessas do Senhor, edifiquemos altares na Canaan dos pagãos. Temamos todos, a Escritura é clara e a Lei de Deus perfeita: ou afirmamos, a todo custo, a mensagem do Evangelho e a condenação do pecador (exatamente como a Bíblia diz), ou estaremos dando ouvidos à mesma sedução que a Serpente instilou, quando no Éden: É assim que Deus disse? Ah, é certo que a Igreja não morrerá se comer do conhecimento do mundo. Deus sabe que no dia em que dele comerdes seus olhos se abrirão e vocês reinarão sobre toda a terra!

Não ouçamos a voz da Serpente! Que todo homem se afaste deste vil tentador! E seja, todo nosso coração e forças, ao Senhor Deus somente, porque dEle é toda justiça, e toda grandeza, e todo poder, e a sabedoria, e o louvor para sempre. Não atribuamos a nada, nem a ninguém, aquilo que é somente de Deus – porque toda a Glória pertence só ao Senhor que fez os céus, a terra e tudo o que neles há. Tanto nas mais impressionantes obras que nos conta Gênesis, quanto nas coisas menores e cotidianas, tenhamos compreensão de que tudo permanece ante a face do Altíssimo e, se não o Glorificamos em cada uma dessas coisas, nós as enchemos de trevas, e invertemos seu propósito; perdemos o reconhecimento da preciosidade de cada uma delas e pecaminosamente resistimos ao Espírito de Deus e deixamos de dar ao Autor da vida o Seu devido louvor.

Sujeitemo-nos ao Senhor, em todas as coisas, para louvor da Glória de Sua Graça, sempre. Amém.

Incapacidade Científica, parte 5

Deus e Sua Palavra, que é Vida e Razão, são inseparáveis

Ao Cristão só resta render-se à Escritura. Tanto nas situações nas quais temos cogitado nestas últimas edições (a respeito da relação entre a Teologia e a Ciência), quanto em qualquer outra situação. Uma vez que a Escritura declara a si mesma como Palavra inspirada de Deus (por isso inerrante e infalível), o Cristão só conseguirá pensar com coesão, mantendo uma salutar relação entre o universo descrito na Bíblia e o universo de sua experiência, se puder ver o mundo pelas lentes da Escritura. É pela Escritura que ele julgará o que é verdade e o que é mentira, o que é proveitoso e o que é vão. “Ora, mas a Escritura pode ser interpretada de diversas maneiras” dizem alguns adversários de nossa ortodoxia. Para eles, respondo: A Escritura dará todo o fundamento para a vida Cristã se interpretada de maneira verdadeiramente Cristã. E que maneira é esta? Pela ponderada e temorosa comparação da Escritura com a Escritura, dos textos mais claros com os textos mais difíceis, enquanto se mantêm em mente o objetivo de, em todos textos, fazer visível a obra expiatória e redentora de Cristo. Sim, em cada doutrina enunciada pelos Textos Sagrados há uma estrada que nos leva ao Senhor de nossa Salvação! Estudar a Bíblia apenas como guia moral e aprender dela algo que poderia ser igualmente aprendido e dito por um muçulmano, um filósofo grego ou um budista não é ouvir o que a Escritura realmente tem a dizer. Ouça o testemunho do Senhor Cristo Jesus em Lucas 24:27, “E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras.”. Neste versículo, nos é dito que Cristo expôs o que consta em todas as Escrituras a Seu respeito, desde os 5 primeiros livros (de Moisés) até os últimos livros (dos Profetas). Assim temos a prova de que toda a Escritura fala de Cristo: Ele é o fim da Revelação de Deus aos homens (Hebreus 1:1). Desde aí, compreendemos que todo o conhecimento das Santas Letras forma uma unidade e que não pode a Bíblia ser menosprezada em nenhuma de suas partes, mas deve ser perscrutada como um todo pelo crente – porque de toda a Escritura provém o alimento do seu espírito (Deuteronômio 8:3, Mateus 4:4). Todo conhecimento que não se coaduna com a inteireza do ensino da Escritura (segundo a revelação de Cristo), deve ser rejeitado, pois essa totalidade da Escritura é a única compreensão legítima e completa do universo. Compreensão que nos é dada e dirigida por Deus mesmo, e, portanto que não carece de adição alguma, mas é plena (2 Timóteo 3:16,17). Qualquer adição a esta perfeita trama da Verdade cria deformidades que corromperão sua estrutura, e terão conseqüências malignas sobre a crença e a prática daquele que assim proceder; porém, uma retidão de caráter será alcançada, mediante o Espírito de Deus, por aquele que submeter-se ao completo conselho da Palavra da Verdade. Afinal, o Espírito de Deus, tendo inspirado as Escrituras (2 Pedro 1:21) até sua completude, opera agora seu ministério de glorificar ao Senhor Jesus Cristo (João 16:14), em lugar de anunciar a Si mesmo ou a novas revelações (portanto em lugar de adicionar, ou subtrair, algo à Palavra Escrita ou à Palavra Encarnada). Afinal, o Senhor Cristo Jesus, como já dissemos, é o assunto e o cumprimento de todas Santas Letras. A Escritura é, portanto, o instrumento perfeito e final (2 Pedro 1:19, Hebreus 1:1, 2 Timóteo 1:17) para que o Espírito dispense a Graça do Senhor e comunique-nos Sua Obra Redentora, iluminando e instruindo os crentes e chamando os pecadores ao arrependimento. Não desconsideremos, nisto, nem a necessidade de que a Palavra seja constantemente exposta à congregação por um ministro fiel (servo de Cristo, em quem habite o Espírito, para que a congregação seja edificada e aprenda a edificar-se também pela leitura e meditação particular e familiar), nem a soberania do Senhor em regenerar e quebrantar àqueles que Ele quiser, quando Ele quiser. Até os sacramentos, que também são meios da Graça de Deus, dependem da Palavra, uma vez que dependem da fé de quem os recebe, fé que é fundamentada na Palavra.

Contudo se, sendo Cristão, ao confrontar-se com as filosofias e cosmovisões do mundo, sua dificuldade não está em aceitar a Escritura, mas em compreender certas particularidade, quanto ao Livro de Gênesis (no caso que temos estudado) ainda abordaremos algumas de possíveis dificuldades mais adiante, mostrando que crer na Palavra de Deus não é negar-se ao pensamento crítico mas aplicar a razão junto à fé, explicando com lógica e discernimento o sentido daquilo no que você acredita. Isso se obtêm em uma busca paciente, em oração, em constante leitura da Bíblia e em eventual consulta a verdadeiros mestres de tempos passados ou do presente - tendo a Escritura como regra suprema - sugiro, para evitar o engano dos falsos apóstolos, os seguintes autores: Joseph Bullinger, Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, João Calvino ou algum dos Puritanos (destes, John Owen é um dos maiores). São em Santos servos de Deus como estes que nós, a Igreja Congregacional Kalleyana, reconhecemos o agir do Espírito de Deus no Corpo de Cristo através dos séculos, edificando-nos nas mesmas verdades e em uma una interpretação da Escritura, regida pela Cruz.

Quanto ao homem não convertido, ao ser pego no confronto entre as visões de mundo Cristã e as não-Cristãs, que ele também preze pela verdade - e seja coerente com o que pensa: se crê em Deus, que creia em Cristo, pois quem crê em Deus mas não em Cristo, não conhece a Deus (Lucas 10:16, Mateus 10:40); se crê em Cristo, que creia na Escritura, pelas palavras do próprio Cristo e pelo testemunho vivo da Escritura (Mateus 22:29, João 5:39,10:35, Romanos 15:4,16:26); se crê na Escritura, que creia em toda ela, estude-a com afinco, humildade e em oração, e não se deixe levar por qualquer pressupostos não-bíblicos – agora, se não crê em alguma parte da Escritura, seja coerente e confesse que não crê realmente na Escritura, mas crê em si mesmo, e no que é capaz de julgar sobre a Escritura, para cortar ou adicionar o que o Eterno Autor e Preservador da Lei não apagou nem inspirou; se não crê na Escritura, confesse que não crê realmente em Cristo, apenas gosta das partes convenientes do Seu discurso, especialmente as que não o condenam; se não crê em Cristo, não crê realmente em Deus algum, pois quem ama ao Pai, ama ao Filho que Ele enviou e é uno com Ele; e se não crê em Deus, seu estado é o mais deplorável da existência humana, sua mente foi voluntariamente obscurecida contra o testemunho do seu próprio espírito, não há vida em sua vida, nem referências maiores do que si mesmo em sua mente e a boca do inferno já está aberta sob seus pés para o acolher.


A Revelação de Deus nas Escrituras é o único acesso ao Conhecimento Perfeito

Só pode haver uma Verdade Absoluta, um Universo Verdadeiro, uma Realidade Última. Ela não está no domínio empírico das ciências, não está submissa a mente humana para moldá-la como desejar, nem em domínio algum exceto no domínio do próprio Deus revelado na religião Bíblica. Como não faz sentido que cada pessoa crie sua própria matemática e lógica, onde 3 lápis mais 3 lápis sejam 12 canetas, também não faz nenhum sentido que cada ser humano crie sua própria concepção a respeito de Deus e das coisas eternas; como existe uma regra externa ao ser humano, uma lei física, absoluta, real, que faz com que 3 lápis mais 3 lápis sejam sempre 6 lápis, existe uma única Realidade Última que delimita a única relação possível entre o homem e Deus e tudo o que é eterno. Aos olhos “politicamente corretos” e relativistas dos homens de hoje, estas afirmações parecem radicais. Isto só prova a falência de suas instituições, o que lhes causa tal nulidade de pensamento, onde nem sequer questionam aquilo a que foram condicionados por toda vida. Explico: Pode um homem compreender todos os meandros de uma máquina complexa nunca antes vista, cujos comandos estão em um idioma completamente ignorado em cada caractere, e cujo manual não pode ser consultado? Poderia um arqueólogo compreender os hieróglifos sem a Pedra de Roseta ou semelhante artifício? Obviamente não. Então, como pode uma ciência, assumidamente subjetiva como a filosofia ou disfarçadamente subjetiva como a engenharia, compreender as questões mais profundas da realidade, como as questões eternas, do infinitamente remoto princípio dos tempos ou do infinitamente distante final? Pode a ciência explicar sequer uma razão em vez de um processo, dizendo o motivo pelo qual o céu é azul em vez de informar quais acidentes causam o azul celeste? Ou explicar porque, não no sentido do processo histórico mas no sentido da razão última, exatamente o Cristianismo se espalhou por todo o mundo, moldou a moral que conhecemos e cumpriu profecias do Velho Testamento, cuja matemática indicava datas precisas? Sabemos que a ciência não pode fazê-lo, e que sua metodologia falha até no que necessariamente se abstém da Verdade Absoluta, é apenas um ponto nestas questões. Se a ciência não pode fazê-lo, quem poderá? Para entender a máquina que cogitei acima, precisaríamos de manuais servidos pelo fabricante; para decifrar os hieroglifos foi necessário uma correspondência com linguagens conhecidas, para conhecer o Reino de Deus que, tendo sido a menor das sementes, cresce de tal modo as aves do céu se aninham sob ele, é necessária uma revelação de Deus – para compreender o Universo e conhecer a Verdade é necessário que algo de fora do problema examinado nos informe. E qual outro livro, senão a Bíblia, toma para si a responsabilidade de ser um escrito vindo de Deus, um escrito perfeito e capaz de instruir na Verdade para que o homem seja, pela Graça, recebido na eternidade? Qual outro livro o faz com capacidade para cumprir o que diz, provando-se verdadeiro pelo testemunho das suas perfeitas profecias, dos milhões de pecadores convertidos em despenseiros do Amor Divino, de nações transformadas pela sua mensagem, de seus eventos e datas precisas e de sua inegável antigüidade?

Cabe a cada um de nós buscar a resposta última que nos mostra a saída do Universo; caso contrário, vive-se-á em mentiras, colecionando a ignorância e o vão conhecimento, como que catando os centavos que estão ao chão, enquanto não se nota a coroa de ouro que lhe é gratuitamente oferecida por alguém que permanece de pé ao teu lado.


A Estrutura do Livro de Gênesis

Voltando para a questão do livro de Gênesis, se o analisarmos com a mente de Cristo, segundo a harmonia de toda a Escritura o encontraremos ímpar: um livro que soa poético, ainda que seu estilo literário não seja poesia; simbólico, ainda que trate da realidade não-alegórica; e histórico e acurado, ainda que não conte toda a história de todo o mundo de maneira detalhada. Por causa disso, é muito comum ouvirmos, dentro destes parâmetros citados, o livro mais semelhante a Gênesis seria o Apocalipse. Esta é uma afirmação perigosa, porque é verdadeira apenas se considerada de maneira estrita. É uma comparação válida quanto ao efeito geral do livro, porque Gênesis é, indubitavelmente, possuidor do poder Divino na ação do Espírito de Deus junto ao homem, para imprimir imagens vivas na nossa alma e confrontar-nos com algo em nós mesmos que naturalmente preferiríamos ignorar; neste sentido o caráter gráfico de Gênesis exibe símbolos muito mais numerosos e evidentes do que, por exemplo, o livro de Crônicas, e nos desafia de maneira semelhante ao caráter gráfico contido em Apocalipse. Somos atraídos pelo enigmático início da epopéia humana com tanto poder quanto somos pelo inevitável julgamento final. Na narrativa do fim há a abominável prostituta, na narrativa do início a imaculada e perfeita noiva - Eva; no fim vemos os pecadores santificados, no início vemos o santo Adão pecando. Ambos os livros são reais, porém além de nossa total compreensão, porque falam de estados do Universo que são desconhecidos por nós. Desconhecemos o terrível estado do Universo em que o sol queima os homens com intenso calor, como fogo (Apocalipse 18:1), porém podemos imaginar como isto será; desconhecemos o estado do Universo onde uma neblina sobe da terra e rega o solo (Gênesis 2:6), porém podemos imaginar como era. São fatos concretos, possíveis, ainda que diferentes do que conhecemos e, por isso, não compreensíveis em sua totalidade. Todavia há uma importante diferença: Apocalipse fala de si mesmo, em diversas passagens, como contendo certos textos puramente alegóricos (Apocalipse 11:8,17:5-18). E a Escritura é sempre o verdadeiro e final intérprete da própria Escritura. Em Gênesis, entretanto, nem em qualquer outro livro da Escritura, há menção de alegorias puras no relato da Criação. Tudo é sempre referido como real, ainda que possuindo símbolos. Em Hebreus 11:3a vemos que “Pela fé entendemos que os mundos pela Palavra de Deus foram criados”. Assim, para quem crê na Escritura, Gênesis é inquestionavelmente uma história real, recebida pela fé, ou seja, pelo conhecimento de Deus e de Sua Palavra, pela confiança em Deus e, portanto, em Sua Palavra e pelo consentimento aos mandamentos Divinos expressos na Sua Palavra.


Algumas reflexões em Gênesis

Que grande oposição é esta que a alma do homem natural faz ao livro de Gênesis? É a reação contra o que o livro nos diz, porque nos causa vergonha sermos culpados das acusações que ele traz contra o gênero humano. Em Gênesis ouvimos sobre:

1) a incapacidade humana em agradar ao Criador – Adão ainda que puro, caiu em tentação e nele caímos todos nós. Ele pecou e com e como ele todos nós temos pecado;

2) a natureza finita do homem e de seu inevitável destino rumo ao pó, fruto da desobediência de Adão – do pó da terra foi Adão criado, ao pó da terra todos voltaremos ao morrer;

3) a majestade, poder e bondade de Deus em nos poupar da justa condenação de Sua Ira e em dirigir os eventos do cosmos com o objetivo de redimir alguns homens.


Quanto ao nosso propósito nestes textos, vamos centralizar nossas reflexões no item número 3, a majestade, poder e bondade de Deus. Dentro deste aspecto, deve sobressair em nossas mentes a Majestade de Deus. O Senhor é perfeito em si mesmo, é completo na Una relação de Sua Tri-Unidade. Deus tinha perfeita alegria e prazer em Si mesmo na Eternidade Passada, antes da Criação do mundo. Não há nenhuma necessidade nEle para a Criação do universo; Ele não necessita de nada, nem sequer de algo para expressar Seu Amor, pois o Amor do Deus Trino é pleno e suficiente em Si mesmo – entre o Pai, o Filho e o Santo Espírito. Deus criou o Universo por um ato Soberano, sem nenhuma motivação externa para isto. O que não significa que o Universo não tenha um propósito, porque ele o tem. O propósito da Criação é glorificar ao Senhor (Isaías 43:6,7). A Criação é um meio de Deus glorificar a Si mesmo, é parte do simples fato que em Sua Natureza Pura e Santa, Deus adora ao Único Deus Vivo, ao Único digno de adoração: Deus presta culto a Si mesmo e faz tudo para glorificar-se (Salmo 115:13, Salmo 106:7,8, Ezequiel 20:14, Ezequiel 36:22,23,32, Isaías 48:11). Ele é o único ser que pode prestar culto a Si mesmo porque só Ele é Senhor, só Ele é Deus, plenamente bom e em quem está a suprema alegria e todo dom perfeito (Tiago 1:17, Salmos 16:11). Portanto, em Gênesis aprendemos que o Altíssimo escolheu glorificar a Si mesmo pela Criação, e que a Criação é uma obra perfeita da Triunidade Divina. No Evangelho de João, Capítulo 1, versículo 3, Cristo, a Palavra de Deus é descrita como Criador, porque foi pela Palavra que Deus comandou cada evento de Gênesis – “E disse Deus:” (Gênesis 1:3). O mesmo é afirmado pelo Apóstolo Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios Capítulo 8, Versículo 6. No livro do profeta Isaías, capítulo 40, versículo 13 e em Gênesis Capítulo 1, versículo 2, o Espírito de Deus é mencionado como participante da Criação. O Deus Trino criou o Universo, e vê-se na Criação a ação das três hipóstases do Senhor: Pai, Filho e Santo Espírito. Foi no Seu perfeito Conselho consigo mesmo (Gênesis 1:26) que o Senhor, Soberanamente, por Sua Majestade e Reino, criou tudo o que há. Raramente alguém questiona o conceito geral da Soberania de Deus na Criação; as dificuldades surgem quando começamos a pensar a respeito do que significa cada parte do relato, quando começamos a tentar entender como Deus executou Seu Soberano ato de Criação.

É edificante notar como a Soberania de Deus distingue a mensagem do relato de Criação bíblico dos relatos de todos os povos vizinhos dos Hebreus na época em que Moisés escreveu. Somente na Escritura Sagrada há um sentido de ordem, de controle, de objetivo na Criação. Em todo os outros relatos a criação é apenas um acidente e um fruto do pecado de um ou mais deuses. No entanto, no relato bíblico, as repetições e padrões e a constante evocação do Senhor demonstram Seu planejamento e execução perfeitos. Deus cria o meio onde porá o homem, e tudo o que deve existir, de modo que sempre haja o suficiente para suster a próxima etapa da criação. Então Deus cria o homem, cabeça da Criação segundo a Aliança com Deus. E, quando o homem peca contra o Senhor, Deus mostra que já havia providenciado para nós a Salvação em Cristo, antes mesmo da fundação do mundo (Efésios 1:4). Sim, Gênesis prova-se Palavra de Deus, e o início do mundo ali contido prova-se Verdade por tão sublime que é - além de qualquer construto humano, pleno de sentido teológico e pleno de sentido prático - permanece para sempre, pois foi soprada pelo Espírito aos seus autores e perfeitamente preservado por mais de 6 milênios até nós, e será preservado por tantos milênios quantos Deus tem determinado até o fim – para comunicar-nos o Mistério Divino, e lançar as bases da História da Redenção: que é a Paz que o Senhor nos oferece para, apesar de condenados em pecados como Adão, Caim, os homens de Babel, e os homens que não creram em Noé, apesar de naturalmente possuidores de um coração como o deles, termos reconciliação com Deus por meio do Senhor Jesus Cristo, cujo coração, atos e palavras foram puros e retos como de nenhum outro homem. Gênesis, como toda a Escritura, é uma Revelação de Deus ao homem, é a Voz mesma dEle nos ensinando em Seu Espírito. É um dom concedido soberanamente por Ele e completamente fora dos anseios e desejos humanos.


Humilhemo-nos e exaltemos ao Senhor, agradecendo e suplicando sabedoria para não chamarmos mau ao que é bom, nem chamarmos de ignóbil o que é da mais pura sabedoria, porém além de nossa mente.

Incapacidade Científica, parte 4

Pelas edições anteriores, aprendemos sobre as falhas do método científico atual e as conseqüências dessas limitações; também sobre a teologia da ciência e os serviços do processo científico ao Reino de Deus. Nesta edição examinaremos as conseqüências de nossas crenças sobre nossa prática de vida, sobre nossa ética e sobre a nossa moralidade.


Deus os entregou a uma disposição mental reprovável

Na Epístola de Paulo aos Romanos, Capítulo 1, versículo 28 o Santo Apóstolo nos diz que Deus entregou a uma disposição mental reprovável os homens que desprezaram o conhecimento de Deus. Exatamente este é o pecado a que uma falsa ciência conduz: ela intenta substituir a Revelação Escrita de Deus como detentora da Verdade Última e, por conseqüência, muitas vezes acaba por intentar substituir Deus por algum conceito naturalístico da existência. Os pseudo-cientistas e os entusiastas do cientificismo desprezam o conhecimento de Deus presente na natureza, até mesmo o conhecimento de Deus manifesto na história da ciência, nos seus pressupostos necessários e nos resultados das suas investigações. Então Deus lhes entrega a uma disposição mental reprovável – Deus faz com que suas crenças idólatras os levem a um profundo abismo moral e existencial, na mesma proporção com que esses homens se firmam nestas falsas idéias. Antes de prosseguirmos neste raciocínio, paremos e voltemos para a questão inicial, para levantarmos outro ponto: as dificuldades do cientificismo e de seus entusiastas quanto à interpretação de Gênesis. Na posição mais comum do que se anuncia ser a ciência atual, é comumente aceito que a Terra, em outras épocas, foi um lugar muito diferente. Fala-se de outra atmosfera, de outras biodiversidades, outras formações geológicas, outra geografia e, até mesmo de outras espécies de homens, biologicamente diferentes. Diz-se que tais homens eram tão diferentes a ponto de serem classificados como de outra espécie, seres brutos como primatas-humanos. Diz-se que eles deram origem, através de lentíssimos processos naturais de mutação e seleção, ao homem moderno. No entanto, a Bíblia tem outra história da Criação, que (exceto se tomada de maneira que seria estranha tanto às intenções do autor quanto aos Cristãos comuns de cerca de 65 séculos seguintes) é incompatível com a visão científica. O Cristão, conhecendo a Verdade da Escritura e a falácia da ciência, deve crer na Escritura e descartar toda idéia que contrarie a Palavra. Isto não significa que o Cristão deva ser ignorante ou beligerante quanto à cultura de sua época, mas que ele deve manter em mente a fragilidade e a provisoriedade do conhecimento humano e compará-lo com a permanência e força do conhecimento Divino revelado nas Escrituras. O Cristão não deve tentar provar cientificamente a Escritura, nem opor-se à ciência de modo irrestrito; ele deve conhecer a ciência de sua época para prová-la pela Escritura, em oração e estudo da Palavra, para reter o que é bom, o que é prático, técnico, e descartar o que vai além da mera constatação de probabilidades. Por outro lado, o Cristão deve ser capaz de explicar a Escritura em linguagem acessível para o homem comum, cuja mente foi afetada pela grande oferta de pseudo-ciência na mídia.

No início de nossos textos sobre este assunto, citamos um homem hipotético que se proclamava Cristão mas não cria na historicidade de Adão. Imagino que este homem, um dia (talvez quando jovem), tenha crido sem dificuldades que Adão foi uma pessoa real em um tempo e lugar reais. Em algum momento este homem abandonou esta crença para adotar uma visão alegórica de Gênesis, como se tudo o que ali está registrado não passasse de um mito. O que este homem adotou no lugar de sua crença em Adão? Agora ele crê que a humanidade evoluiu a partir de primatas. E este infeliz, falso ou fraco Cristão acha mais lógico crer nesta segunda hipótese, porque há muita coisa sobre o que a Escritura diz que ele não sabe explicar quando desafiado pelas últimas descobertas científicas. Porém, eu pergunto: Sabe este homem explicar, pela tal ciência, todas as contradições e dificuldades inerentes a se crer que um primata pode evoluir e se tornar humano? Pode ele resolver as impossibilidades metodológicas e probabilísticas envolvidas? E quanto às dificuldades teológicas? Já dissemos que escolher crer na evolução como origem para o homem não é algo inteligente. Agora, retomando um pouco do que dissemos acima sobre a Epístola de Paulo aos Romanos, no Capítulo 1, versículo 21, ao falar sobre aqueles que não dão ao Senhor a glória que Lhe é devida (como a glória de ser o Criador dos céus e da terra e de tudo o que neles há), diz-se que eles obscurecem o próprio coração insensato – eles preferem fazerem-se cegos para suas percepções, pervertendo suas vontades e afeições tanto quanto possível; preferem a obscuridade à Luz de Cristo, para não terem de enfrentar as terríveis conseqüências de uma consciência atormentada pelos pecados e pelo constante anúncio que faz à si mesma a respeito da existência de Deus e da honra e glória que somente ao Senhor são devidas.

Cego é o homem que rejeita algo porque não compreendeu isto e, em lugar, adota uma crença que também não compreende, mas na qual se resigna!

Cego também, é aquele que adula as tradições humanas, religiosas ou científicas e não se empenha na busca da Verdade!

Esta já é a punição pelo seu pecado, pois em sua cegueira não tardará a cair em um profundo abismo – a sua disposição mental reprovável o levará à “coisas inconvenientes, cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia” [Epístola de Paulo aos Romanos 1:28-31] .


Nossas crenças têm conseqüências morais

O Senhor Jesus Cristo, assim como os Santos Apóstolos (pelo que pudemos notar a respeito de Paulo nestes dois curtos exemplos em Romanos), nos ensinam que aquilo em que cremos é o que molda nossa moral. Tanto nosso Senhor quanto os Apóstolos ensinaram que Gênesis narra eventos históricos. Eles também nos ensinam que deve-se buscar compreender a Escritura, pois ali está o Testemunho de Deus, e que a Escritura deve ser vasculhada e estudada como Palavra de Deus, porém, que não deve a letra ser aceita friamente e sem reflexão, mas com vida e vigor, com entendimento, para toda prática de boas obras. Estes dois ensinos possuem a mesma relação que aquilo que comentamos a respeito de Romanos, a saber: a maneira como o conhecimento de Deus é recebido (no caso o conhecimento de Deus em Gênesis) reflete na disposição mental do indivíduo, para que ele se disponha para o bem ou para o mal. Assim, Cristo Jesus e os Santos Apóstolos baseiam o ensino moral, a prática da justiça, na crença que professam em um Gênesis histórico; e não por tomar uma lição, como de uma fábula, a partir do que está escrito, mas fixando as bases na crença de que o fato enunciado é uma narrativa histórica e um testemunho de como Deus agiu e ainda age. A respeito de adultérios e divórcios, Cristo evoca Gênesis 1:27; 2:24. As palavras do Senhor são: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.” e estão registradas no Evangelho de Mateus 19:4-6. Inspirado pelo Santo Espírito, Paulo nos ensina: “Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras. A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” segundo o escrito na sua primeira carta a Timóteo 2:9-13. Por conseguinte, é a crença em Adão e Eva como primeiro casal que delimita a relação entre todos os casais subseqüentes; é ali que se define o protótipo da relação ideal entre marido e mulher. Se fosse tomado apenas como uma fábula, haveria uma contradição entre a realidade do que Deus operou no Universo e a história que Ele teria contado para instrução a respeito do casamento. Explico: se a realidade fosse que o homem evoluiu de primatas (e esses de seres mais simples), então teríamos de admitir que Deus criou os proto-homens e seus antepassados evolutivos desempenhando outros meios de organização social (e até de reprodução), que não a família monogâmica. Se esses proto-homens não foram conduzidos à evolução vivendo em famílias monogâmicas, e se, mesmo inicialmente, a instituição monogâmica não foi fixada (unicelulares não são exatamente o que podemos chamar de monogâmicos...), então como teríamos que o casamento de um homem e uma mulher é uma instituição e um preceito permanente? Se, em certas épocas da evolução, foi melhor para os homens a poligamia e se em outras épocas foi imprescindível para os antepassados evolutivos do homem outras formas de reprodução, então como poderíamos asseverar que esse quadro não retornaria hoje? Esta é apenas uma das dificuldades para os que tentam conciliar a pseudo-ciência e a Escritura por um sincretismo – que sociedade pode haver entre a luz e as trevas? Entre a mentira e a verdade? Nenhuma! Certamente, portanto, a Escritura ensina a historicidade de Adão e Eva e, delimita a partir deste fato real, o modelo pretendido por Deus para o casamento. A Escritura é uma Palavra perfeita, completa e una. Se examinada como um conjunto, se interpretada pela própria Escritura, nenhuma mentira subsistirá contra ela. Quanto às conseqüências práticas de se crer em um casal original real e suas aplicações no exercício da piedade, podemos aprender que:

1 ) Adão não poderia pedir divórcio de Eva - Deus lhes ordenara que crescessem e se multiplicassem, e não haveria ninguém mais com quem pudesse Adão se casar caso repudiasse Eva, portanto, só pela manutenção de seu casamento que o casal primordial poderia cumprir a ordem do Senhor.

2 ) Adão não poderia cobiçar outra mulher, nem possuir nenhuma outra, nem ser casado com mais do que uma – Deus mesmo só havia lhe dado uma.

3 ) Adão não poderia ainda ter comportamentos homossexuais, pois Deus lhe dera a Eva, mulher.

4 ) Adão não poderia queixar-se dela, pois o Senhor a criou da própria costela de Adão (por quantos séculos a ciência negou que isto fosse possível! Até que se descobriu sobre o DNA contido todas as células do corpo, inclusive na costela) para ser a melhor companheira possível para ele.

Assim, a Criação de um casal primordial ensina todas essas coisas tanto de maneira histórica (pelo que se depreende dos fatos), quanto por ensino direto do texto da Escritura (quando, por exemplo, a relação entre Adão e Eva é selada com a frase “os dois em uma só carne”).


Mais algumas evidências de que a Escritura ensina um Gênesis literal

Em um momento anterior deste texto, citei o que o Senhor Cristo Jesus e os Santos Apóstolos nos ensinam a respeito de Adão e Eva. Existe uma grave conseqüência naquelas palavras de Cristo Jesus, quanto ao ponto que estamos discutindo, a respeito da historicidade de Gênesis. Pois, sabendo que a Escritura nos ensina a Divindade de Cristo, e conhecendo dela que Seu ensino é sublime além de qualquer concepção da sociedade ou da época em que Ele ensinou, podemos concluir seguramente que, ao instruir a respeito de Adão e Eva, falando deles em um discurso que trata-os como pessoas reais – não como parábola ou metáfora – e tratando da crença na criação especial de Deus como ponto de partida para uma moral elevada, Ele o fez ciente de que estava também afirmando a historicidade de Adão e da Criação tal como está narrada em Gênesis. Seria possível, se Cristo desejasse, explicar Adão e Eva em um contexto de parábolas, e assim, salvaguardar as gerações futuras de um entendimento literal, se fosse errado ter um entendimento literal de Gênesis. Contudo o Senhor não o fez, mesmo, que como Deus, soubesse perfeitamente das conseqüências imediatas e futuras de como seriam entendidas aquelas palavras. Igualmente, o Apóstolo Paulo (o qual a Escritura nos diz escrever a infalível e inerrante Palavra de Deus, pela inspiração do Espírito de Deus) recua até Adão e expressa sua crença na literalidade de Gênesis e na necessidade dessa crença para a compreensão da correta relação entre o homem e a mulher. Assim como o faz o Evangelista Lucas, que recua a genealogia de Cristo, citando pessoas reais de diversas gerações até chegar a Adão. Há muito mais nas Escrituras que atesta a intenção histórica de Gênesis, contudo, não pretendo me estender muito sobre isto, pois o genuíno Cristão é cativo da Palavra de Deus e sabe que somente a Bíblia - e toda a Bíblia - é perfeitamente inspirada pelo Santo Espírito de Deus, soprada por Deus aos Seus santos homens, como diz a segunda carta universal de Pedro 1:21. O Cristão sabe também que a Escritura inteira é capaz de conduzir à perfeição do espírito e instruir para a salvação como diz o Apóstolo Paulo em sua segunda carta para Timóteo 3:16 e, finalmente, porque o Cristão ouve a seu Mestre, Cristo, que afirmou claramente que a Escritura não falha nem será jamais anulada como está registrado no Evangelho de João 10:35 e no Evangelho de Mateus 5:18.


Nenhuma doutrina pode ser negligenciada sem conseqüências morais

Do lado negativo, uma crença baseada no que não é perfeito, será ampliada em seu erro pela ocasião que a natureza humana maligna encontrará aí para expressar-se livremente. O Santo Apóstolo Paulo diz, na epístola aos Colossenses 1:9-10: “Por esta razão, também nós, desde o dia em que O ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus”. Notemos que o pleno conhecimento da vontade de Deus e toda a sabedoria e conhecimento espiritual estão dispostos como conceitos complementares, e até, sobrepostos. Este completo conhecimento da vontade de Deus, que é uma sabedoria e um entendimento espiritual completos, resultará em uma vida de inteiro agrado, que frutifica em toda boa obra e em um perfeito relacionamento com Deus. Há uma relação direta entre as duas coisas: o conhecimento, sabedoria, entendimento (do que é espiritual) e a vida em Deus (com boas obras de amor ao próximo e manifestação do amor ao Senhor). O Apóstolo Paulo, em sua segunda carta para Timóteo 3:16-17, afirma, como referido pouco antes em nosso texto, que o que torna o homem perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra é Toda a Escritura. E, em Atos dos Apóstolos 20:27, o Apóstolo Paulo fala sobre ter ensinado todo o conselho de Deus. Portanto, Toda a Escritura, contém todo o conselho de Deus, o pleno conhecimento da Sua vontade, é capaz de dar sabedoria e entendimento espirituais completos, para inteiro agrado ao Senhor, fazendo o Cristão andar em toda boa obra, em perfeita aliança com Deus. Retomo a primeira frase deste capítulo, e proponho, por conseqüência lógica e pela boa prática de interpretação da Escritura, que o o lado negativo deste ensino é: Uma fé firmada em menos do que todo o conselho de Deus, em menos do que o pleno conhecimento da vontade do Senhor, gerará uma sabedoria e entendimento espiritual parciais e uma vida que agrada apenas parcialmente a Deus. Ora, e um entendimento “meio espiritual” é um entendimento “meio carnal”; uma vida parcialmente ao agrado de Deus, é uma vida que realmente não agrada a Deus – ou seja, uma vida que ofende ao Senhor. Nenhuma parte da Escritura pode ser negociada, nenhum ensino da Fé Cristã pode ser negligenciado sem terríveis conseqüências. Deus criou o homem e imprimiu nele Sua imagem, a Lei do Senhor foi gravada no pilar da sua consciência, no espírito humano. Com a queda de Adão, a corrupção destruiu o poder desta imagem fazendo com que o homem se torne escravo do pecado. Porém não destruiu o testemunho desta imagem de Deus na alma do homem. Por isto, todas as notas entoadas pela Escritura, como uma música espiritual, ecoam uma Divina harmonia na imagem de Deus gravada na alma humana. A Escritura ensina Verdades primordiais para as quais o homem foi criado. Quando uma destas notas falta, a sinfonia se desfaz e os ecos são disfônicos – há uma música, mas já não é a perfeita composição de Deus no homem. Nada pode ser removido da Escritura sem prejudicar todo o conjunto da obra de Deus na alma humana, sem desfazer a Divina sinfonia. Por exemplo, quanto ao que temos discutido nestes artigos, qual a conseqüência de se negligenciar a doutrina da Criação Especial do homem e se crer na evolução segundo Darwin? Vamos ouvir o que Darwin mesmo tem a dizer, mostrando-nos as conseqüências de sua doutrina: “Entre os selvagens, os fracos de corpo e mente são logo eliminados. Nós, civilizados, fazemos o possível para evitar essa eliminação; construímos asilos para os imbecis, os aleijados, os doentes; instituímos leis para proteger os pobres... Isso é altamente prejudicial à raça humana.”. É necessário comentar? A crença de Darwin a respeito do evolucionismo levada às suas conseqüências naturais segundo uma mente sincera (porém engodada pelo pecado) resultam em Eugenia – uma filosofia e uma política que, dentre outras coisas, inclui a esterilização de homens e mulheres considerados possuidores de uma genética ruim (como propagandeou com determinação Leonard Darwin, filho de Charles Darwin), assim como o fim (ou a diminuição) dos cuidados com os desvalidos, sejam idosos, doentes ou sindrômicos. O nazismo é adepto da Eugenia. Francis Galton, outro famoso darwinista, primo de Charles Darwin, atesta isto dizendo: “Os homens e mulheres dos dias atuais, comparados com aqueles que queremos trazer à existência, são como os vira-latas das ruas da cidade leste comparados com nossos cães de pedigree.” (retirado de Hereditary Character and Talent - publicado no MacMillan's Magazine, vol. 11, Novembro de 1864 e Abril de 1865, pp. 157-166, 318-327) e, sem meias palavras, Galton classifica os indígenas e os negros em termos igualmente baixos, os quais prefiro nem reproduzir. Cabe comentar que Leonard, filho de Darwin, seguiu a Galton na liderança da luta pela Eugenia. Claro, nem todos os que crêem no evolucionismo são tão radicais a maioria não aplica o conceito a grupos étnicos, mas o aplica, ainda que sem perceber, ao mercado de trabalho, por exemplo, dando a luz à selvageria financeira onde países ricos devoram países pobres e bancos endividam nações inteiras em sua luta pela sobrevivência - nada diferente da Eugenia, exceto que, em lugar de eliminar os pobres, incultos, aleijados e doentes matando-os, eles são marginalizados, cortados da sociedade, “socialmente mortos” pela exclusão ao acesso a um meio digno de trabalho e entrega à miséria e condições sub-humanas. Sem dúvida, nossas crenças quanto à origem do universo (assim como nossas crenças quanto a qualquer das doutrinas Bíblicas) afetam, e muito, a maneira como lidamos com o próximo. No caso do evolucionismo o coração pervertido que todo homem naturalmente possui, leva-o pelo desejo do pecado alimentado por esta filosofia, a transformar a vida em seqüências de competições e disputas (onde o mais apto sobreviverá) em lugar de se portar com amor e respeito pela imagem e semelhança de Deus no homem; o cuidado com os mais fracos é substituído pelo desprezo aos derrotados. A boa compreensão das Escrituras dirige os homens à Vidas Santas e Boas Obras; a mentira cientificista conduz a humanidade à bestialização e ao egoísmo. Que o Senhor tenha misericórdia de Sua Igreja, em tempos de tão grande leviandade para com a Sua Palavra, quando multidões de homens preferem crer (contra a razão e a Escritura) que são primatas sem pêlo, e preferem sustentar estas crenças (apesar de todas as conseqüências terríveis que elas trazem), em lugar de admitirem que são criados pelo Senhor para terem nEle a Vida e para O glorificar em tudo o que fizerem.