A Ciência não sobrevive fora de Cristo

Em nosso primeiro texto desta série, abordamos a incapacidade da Ciência em alcançar a Realidade Última e, portanto, sua inerente incompetência para julgar assuntos da Escritura. Também analisamos que a Ciência não trabalha com verdades absolutas de nenhum tipo e que, portanto, suas teorias não devem ser defendidas como verdade, mas acatadas como probabilidade (e probabilidade bastante baixa) e ferramenta útil para fins práticos. A Ciência não tem autoridade para dizer o que é possível e o que é impossível, nem deve ter o desejo de fazê-lo. Quando a Ciência ultrapassa estes limites ela se torna um cientificismo, uma idolatria ao conhecimento científico e perde seu trunfo de ser um conhecimento não-ideológico e em constante progresso e mutação. No segundo texto falamos sobre a existência de uma má Teologia que demoniza a Ciência e se mostra contra toda sorte de produção científica; uma má Teologia que tenta justificar a existência de Deus e Suas ações através da ignorância e do obscurantismo. Também cogitamos o erro oposto, o de submeter o conhecimento Bíblico à Ciência, tentando comprovar a Escritura através das descobertas científicas; o estudo das Escrituras se beneficia da produção científica, mas não é dependente dela – não precisamos da Teoria da Relatividade para “finalmente” termos o correto entendimento de Gênesis; o livro explica-se pela própria Escritura e, sendo a Palavra Eterna e Perfeita como Deus O é, quando a Teoria da Relatividade já houver passado, a Escritura ainda será tão capaz de falar sobre si mesma quanto era antes de tal teoria ter existido. Por fim, para harmonizar a natureza da Ciência e a natureza da Teologia, propusemos na última edição um modelo onde a Ciência submete seus interesses ao Reino de Deus e se torna um instrumento na manifestação da Glória da Redenção que há em Cristo e um arauto da Nova Criação que Ele iniciou. A aplicação desta realidade resulta em uma Ciência que deriva do ato soberano e criador de Deus o significado de seus conceitos e a realidade de seus fatos. Nem os fenômenos observados, medidos e estudados devem ser tomados como se possuíssem fim em si mesmos, tampouco os estudiosos devem ser considerados desprovidos de pecado e cheios de heróicas boas intenções. O Deus revelado na Cruz deve ser a fonte do significado de todo conhecimento e Sua Glória o objetivo final de todo processo.

Nesta terceira edição sobre a relação entre a Ciência e a Teologia, pela aplicação das conclusões dos textos anteriores, demonstraremos:

1 ) A Ciência só existe por causa da Teologia – se não houvesse o conhecimento de Cristo, não haveria Ciência como conhecemos.

2 ) A existência da Ciência aponta para a necessidade do Deus das Escrituras – toda a estrutura que sustenta a Ciência fala de Deus, embora o conhecimento gerado por ela possa tratar, imediatamente, de assuntos não-teológicos. A Ciência anela por Deus e é impossível que um cientista ou entusiasta sincero e bem informado seja ateu.


A Causa da Ciência

A Ciência, como a conhecemos, é um fenômeno Cristão. Primeiro, porque os cientistas são um produto de uma sociedade calcada em valores Cristãos (ainda que distorcidos) e é impossível que eles se abstenham de suas heranças culturais e se acheguem ao processo de pesquisa totalmente desprovidos de intenções e suposições prévias. Até mesmo os cientistas ateus têm suas mentes cheias de conceitos cuja origem e sentido está nas Escrituras, o que os faz digladiarem-se e operarem exatamente contra a idéia Cristã de Deus - afinal, se não o fizerem, seus ideais sucumbirão pela ostensividade da revelação de Deus. Segundo, porque a Ciência não se desenvolveu da maneira vigente em nenhum outro ambiente, exceto nas eras mais Cristãs, por ação de mentes Cristãs. Outros períodos da história da humanidade não apresentaram semelhante evolução tecnológica, nem uma evolução tão acentuada quanto nestas eras. Como evidência sobressalente, nunca antes houve tal desenvolvimento na investigação e sistematização da natureza do que as eras onde os cientistas sofreram grandes influências da Escritura. Isto, como já observamos, é fruto da manifestação de Cristo (o Logos Divino, a Razão de Deus, o Redentor da Humanidade) na renovação do conhecimento e da vontade Cristãs. A sabedoria que vem somente do Senhor Jesus ilumina o mundo, inclusive o mundo científico. Na verdade, não há Razão fora de Cristo. Poderemos compreender melhor isto analisando como certas doutrinas Cristãs são a base necessária para o surgimento, manutenção e progresso da Ciência:

A ) A Revelação de Deus na Natureza - “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” [Salmo 19:1], “porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” [Romanos 1:19,20]. Deus se revela na natureza, portanto, a natureza não é um segredo indecifrável mas uma mensagem de Deus, a respeito de Si mesmo. Uma mensagem endereçada aos homens. Como a natureza tem algo a dizer sobre Deus, para que esta mensagem seja inteligível, a natureza tem de ter objetividade, tem de ser real, manipulável. E tem de ter acessibilidade, tem de estar ao alcance do ser humano. Não poderia a ciência ter se desenvolvido sem a influência desta doutrina Cristã? Não creio que pudesse. A antiga civilização Chinesa foi próspera em descobertas e em aquisições tecnológicas: pólvora, navegação, papel, sistema monetário. Contudo não se desenvolveu uma ciência chinesa, um sistema de teorias que ampliassem a aplicação destas tecnologias. Que isto tem haver com a doutrina Cristã da Revelação de Deus na natureza? Sendo primordialmente panteístas, os chineses consideravam a natureza como sendo parte de seu deus, não contendo uma mensagem a parte sobre Deus, mas sendo a natureza mesmo um tipo de manifestação e presença divina. E quem dissecaria a seu deus, destrincharia a seu deus, faria testes e mais testes (alguns bastante destrutivos e desonrosos) em seu deus? Quem pensaria em sistematizar o próprio deus? Antes, como deus, a natureza era temida e adorada. Resultado: nada de ciência, nenhum avanço no conhecimento. A nulidade voluntária de seus pensamentos, para negar a óbvia mensagem de que a natureza não é Deus, e que Ele deve ser adorado e obedecido como Criador e Sustentador de tudo, também anulou a capacidade daquela sociedade em fazer bom uso da Criação. E o hinduísmo, e o budismo? São religiões que consideram a realidade como mera ilusão. Se é uma ilusão é subjetiva, se é subjetiva não possui regras gerais, se não possui regras gerais não há conhecimento a ser adquirido e sistematizado – não há avanço científico. É necessário considerar que a natureza é objetiva, real, regular e que é portadora de algum tipo de mensagem, caso contrário, não há justificativa para o estudo metódico e sistemático do mundo. A Ciência depende do conceito Cristão de natureza!

B ) O Governo de Deus sobre a Natureza - “[Deus] Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios.” [Salmo 135:7], “Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar.” [Isaías 40:26]. Deus governa sobre a natureza, portanto ela não é aleatória nem falaciosa. Como Deus não muda [Tiago 1:17, 1 Samuel 15:29] e é perfeitamente cheio de bondade [Tiago 1:17, 1 Crônicas 16:34], a natureza, sob Seu governo, agirá dentro destes preceitos: com regularidade e capacidade de gerar o bem. Portanto, pode ser seguramente investigada e nela se acharão padrões de comportamento; pode ser seguramente investigada e seu esforço não será em vão pois ela não irá caprichosamente se alterar e invalidar todas suas descobertas; e, até, deve ser investigada pois há um bom propósito nela. E quanto a outras visões de mundo? No panteísmo, no animismo, no xamanismo e diversos politeísmos, a natureza: pode ser uma entidade per si, autônoma, cheia de vontades e caprichos, capaz de alterar-se, zangar-se e mentir; pode ser uma entidade sagrada, velada, parte de um grande enigma no qual está inserida junto com os homens; ou pode ser um objeto disputado por várias entidades menores, cada qual dominando com sua própria personalidade sobre determinado aspecto ou parte do todo. Em todas estas visões não-Cristãs não há sobre o que lançar confiança para investigar a natureza, não há garantia de que ela seja verdadeira e de que não haja algum tipo de vingança sobre os que adentrarem parte do seu sacro segredo. Só uma visão de mundo Cristã dá a base necessária para desnudar o universo e buscar nele regularidades e usos. Um fenômeno interessante que prova a teoria que apresento aqui: por vivermos em uma era pós-Cristã onde os homens abandonam as doutrinas da Escritura, e pela ciência estar sendo afetada por este abandono que fere suas bases necessárias, ressurge a visão mística da natureza na forma da “Mãe-Terra” vingativa (pregada pelos ambientalistas, evocada como a justa destruidora dos homens que a exploraram e penetraram seu mistério sagrado). É ao mesmo tempo triste e ridículo que cientistas e entusiastas cujo desprezo pela Escritura faz com que se auto-intitulem “destruidores dos mitos da religião”, sejam atraídos por esta noção falaciosa da natureza. Há muito mais a se ganhar econômica, social e ambientalmente com a continuidade das pesquisas científicas e a intensificação das mesmas sob uma ótica Cristã, e com a subseqüente aplicação salutar de tecnologias que mitiguem a alardeada crise ambiental, do que com as sugestões que passam pela pauta da ONU, como o plano de “retorno à vida selvagem”, onde populações inteiras seriam obrigadas a viver com recursos tecnológicos semelhantes aos do século XII para diminuir a emissão de lixo e poluentes e a necessidade de geração de energia. Sofrem o delírio messiânico, maligno e vão de “salvar o planeta aprendendo a respeitar a mãe-natureza”. Afastar-se da Verdade da Escritura é cair nos erros mais imbecis e ser alegremente vitimado pelas mais tolas idéias. Fora da doutrina Cristã do Governo de Deus sobre a Natureza, a ciência deixa de existir.

C ) A imagem de Deus no homem - “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.” [Gênesis 1:26]. Deus criou a natureza para que ela seja dominada pelo homem e utilizada no propósito de fazer o bem, expressando o amor de Deus pela Sua Criação, assim como Sua Santidade e Seus outros atributos. O homem é o principal ente da natureza, e sua posição especial o coloca sobre o resto do mundo criado. Se Deus criou a natureza para isto e deu esta ordem expressa e esta posição elevada ao homem, então tanto a natureza é passível de ser dominada quanto o homem é capaz de fazê-lo. Em outras visões de mundo, o homem é tido como incapaz de decifrar a natureza; isto acontece quando se tem uma concepção muito baixa da capacidade humana ou uma concepção muito alta da natureza. Assim, tanto a deidificação da natureza, quanto a bestialização do homem ou a idéia de que o homem é apenas um brinquedo nas mãos de entidades superpoderosas e imorais levarão ao mesmo erro. Há ainda outro problema para quem não compreende esta doutrina: quando se crê que o homem pode subjugar a Criação, mas não que ele deva fazê-lo para a glória de Deus, e sim, somente para seu bem estar. Destes três erros quanto a relação homem-natureza, pode surgir: uma exploração predatória da natureza e uma ciência inconseqüente que destrói a sociedade física e moralmente (lembremos das experiências realizadas pelos Darwinistas Eugênicos de Hitler) ou uma sujeição desmedida do homem ao meio que vive, um fatalismo triste, que nada faz ainda que o meio seja extremamente prejudicial à vida humana (tomemos o exemplo de povos indígenas que sofrem auguras e males terríveis em suas tribos, mas não buscam subjugar a natureza para fazer desaparecer estes males). Sem a doutrina Cristã de que a natureza foi criada por Deus para ser dominada em santidade pelo homem, não há verdadeira e proveitosa Ciência.

D ) A Liberdade Cristã -“Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” [Romanos 14:17], “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” [Romanos 8:1], “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquilo outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem” [Colossenses 2:20-22]. Em Cristo o homem está liberto de todo formalismo religioso. Estamos isentos de regras de santidade externas, de rituais e tabus. A verdadeira religião é revelada: retidão, paz e alegria no Espírito Santo. O Reino de Deus é, sobretudo, interno. Por causa da liberdade em Cristo, os cientistas puderam fazer o que nenhuma outra religião jamais permitiu: manipular cadáveres, ferver substâncias imundas, observar e auxiliar enfermos de todo tipo, ou seja, dominar sobre a Criação. É verdade que o materialismo permite essas coisas, porém, ele elimina os limites morais e extrapola os bons usos desta liberdade, atentando contra a imagem de Deus no homem ao abusar da Criação: os atuais experimentos com embriões e as doenças causadas pelos alimentos transgênicos (ou pelo príon da vaca-louca) são exemplos disto. Somente sob a sã doutrina da liberdade em Cristo, da liberdade em Santidade por Amor ao Senhor que pagou com Seu próprio sangue por nós, somente sob esta doutrina a ciência pode experimentar o Universo sem destruí-lo.


Estas são apenas algumas das bases Cristãs sobre as quais a Ciência foi concebida, e com as quais ela foi edificada. Se estas verdades da Escritura não acompanharem, a priori, o desenvolvimento do conhecimento científico, este conhecimento acabará por negar as próprias fundações e ruirá em auto- contradição. Em vez de proporcionar o bem da humanidade, uma teoria assim, em desmoronamento, proporciona todo tipo de conseqüência funesta – veja o que o Darwinismo Social causa na mente humana, e você terá um vislumbre disso.

A presença de Cristo em toda Ciência

A Ciência deseja Deus e fala sobre Ele todo o tempo, porém sem essa consciência. Como pode ser isto? O que ocorre é que a origem de todo o conhecimento e de toda sabedoria está em Deus; o próprio ato de conhecer só faz sentido em um Universo onde exista um Deus absoluto, fonte de todo conhecimento, fonte do desejo de conhecer e justificador da necessidade de conhecimento. Posso provar isto através de qualquer teoria científica, ainda que ela pareça nada dizer em relação ao nosso Salvador. Observe a muito conhecida Lei da Gravidade. Ela já existia antes de ser descrita pelos cientistas? Obviamente já. Uma Lei científica representa uma realidade medida e provável, representa um comportamento regular na natureza (isto, por si, só já aponta para um Legislador na natureza, um regulador que crie e mantenha estas normas em equilíbrio perfeito – mas não vou tomar este caminho na minha argumentação). Esta Lei já existia antes de ser enunciada pelos cientistas e continuará existindo mesmo se for esquecida. Ela é válida para todo o tempo antes de ser enunciada e continuará sendo uma Lei existente e atuante por todo o tempo subseqüente. Ninguém pode resistir ao que ela determina, nem se pode simplesmente ignorá-la, ainda que se possa utilizá-la para efeitos variados (o avião não resiste à Gravidade, mas a utiliza para voar). O que isto significa? Que a Lei científica aponta, exige e justifica o conceito Cristão de Deus. A Lei, como verificamos, está além do tempo, portanto é Eterna. Ela não pode ser resistida, portanto é Onipotente. Ela é transcendente pois está sobre todo o Universo, exercendo seu poder. Ela é imanente pois até a menor partícula a contém. Ela é invisível, é imaterial. Os efeitos da Lei são sentidos e medidos na matéria, mas a Lei em si não faz parte da matéria. Ela é pessoal porque se comunica, é relacional, é expressa por linguagem, é uma entidade individual. É incompreensível pois é apenas uma aproximação baseada na probabilidade empírica. Eternidade, Onipotência, Transcendência, Imanência, Incompreensibilidade - são características Divinas! Toda Lei científica é uma manifestação tão direta de Deus que possui os atributos de Deus! Mas isto não é estranho? Isto significa que a Lei científica é um deus? Não. Estou dizendo que toda Lei científica é uma expressão da regularidade do Universo e que a regularidade do Universo se deve ao governo de Deus, portanto, a Lei científica é uma simplificação e uma transliteração de uma realidade teológica. Que realidade? O Logos. O Verbo, a Palavra, a Razão, a Lógica de Deus. Pois, como Deus governa o Universo? Por sua Palavra. Ele diz “faça-se a luz” [Gênesis 1:3] e a luz se torna parte da natureza. É com o poder desta Palavra que Ele chama as estrelas, chama as nuvens e os relâmpagos. E que Palavra é esta da qual toda Lei científica é, na verdade, uma expressão? “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” [João 1:1], “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” [João 1:3], “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai ...viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” [João 1:14,29]. Toda Lei científica expressa Cristo Jesus, que é o Verbo Divino pelo qual Deus criou, sustenta e ordena todas as coisas. Por isso, a Lei científica possui atributos que apontam e representam a Divindade.


Assim, podemos concluir que a Ciência só tem razão de ser se calcada em doutrinas Cristãs, doutrinas que, na verdade, originaram a própria Ciência. Por ter origem na sabedoria revelada e comunicada em Cristo Jesus, e por ser designada, pela Graça, para a manifestação geral da Redenção adquirida por Cristo na Cruz, a Ciência possui a inevitável verdade de Cristo em si, o que faz com que toda Lei científica revele o Senhor que criou e governa o Universo. Quão poderosas as Palavras de Deus na Escritura, quão infinitamente sábias nos soa o que escreveu o Santo Apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito de Deus, ao afirmar: “o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” [Romanos 1:19,20]. Não é possível desfazer a obra do Senhor, não há falsa ciência que se levante e seja capaz de ocultar o que Deus determinou que seria visível para todos! Os homens caem em suas próprias armadilhas e o Senhor é glorificado porque Sua Palavra permanece para sempre!

Agora, aos que não tem temor de tão poderoso Senhor, ouçam o que Ele diz a respeito dos que, tendo o conhecimento evidente a respeito dEle mesmo, não Lhe dão a devida glória: “Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” [Romanos 1:21]. Arrependa-se porque “são passíveis de morte os que tais coisas praticam ... segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento ... tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal” [Romanos 1:32;2:5,9]. Como salvar-se deste caminho? “Beijai o Filho para que não se irrite e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira” [Salmo 1:12], sim, renda-se aos pés da Cruz, renda-se ao Filho de Deus, Cristo Jesus, Palavra Encarnada e Eterna que rege sobre todo o Universo, e que acolhe a todos que se arrependem e atendem por fé ao Seu chamado.

"Assim, ao Rei Eterno, imortal, invisível, único Deus sábio, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém"
Primeira Epístola de Paulo a Timóteo Capítulo 1, Versículo 17


Nos versículos anteriores após recordar a obra da Graça em si, o Santo Apóstolo Paulo volta-se ao Senhor, e, tendo a vida de Deus em sua alma pela graciosa Salvação que recebera, louva ao Senhor exaltando alguns dos atributos Divinos:

Rei Eterno
Rei - O Senhor Deus é Rei pois assenta-se sobre o trono do Universo como seu regente absoluto. Cada bênção, cada alegria, cada aflição e tudo o mais, estão sob o Seu poder. Nisto, Seus Filhos encontram a paz, porém seus inimigos encontram tão grande temor que a Soberania de Deus se torna o primeiro ponto onde os falsos crentes e demais anticristos, experimental ou doutrinariamente, caem. Como é Soberano, Deus tem poder para executar o que desejar, um poder tão exclusivo como Criador e Regente, que nada pode impedir ou impelir Sua ação, exceto Ele mesmo; poder que Ele exerce de tal maneira que determina sobre si uma perfeita harmonia entre Suas ações e Sua Santidade, manifestando Seu domínio também ao tornar certas coisas impossíveis para Si (como, por exemplo, é impossível que Deus minta) e ao reter Sua justa Ira contra os pecadores para que alguns venham a se arrepender e, pela fé em Cristo, sejam poupados de terem de prestar contas quanto ao seus pecados.
Algumas referências: Salmo 115:3; Salmo 135:6; Isaías 46:10; Daniel 4:35; Atos 7:48-50; Atos 17:25; Efésios 1:11; 2 Timóteo 2:13; Tito 1:2.

Aplicações da Doutrina:

1 ) Todo homem deve achegar-se a Deus desprovido de qualquer confiança em si mesmo. Sendo Rei Eterno, o Senhor não necessita de nada que homem algum pudesse Lhe oferecer. Ele é Todo-Suficiente em si mesmo e Todo-Poderoso para fazer o que Lhe apraz. Amados leitores, tudo o que vocês podem apresentar diante do Senhor é desprezível para Ele pois, sendo Soberano absoluto e todo-suficiente, nada pode torná-lO mais feliz ou mais completo do que Ele já é. O Senhor, ao contrário dos conceitos populares e supersticiosos, não é um deus que necessita de amor, ou de aceitação, ou de fiéis ou de ser cultuado. Ele deve receber amor, submissão e culto porque esta é a única atitude sensata a se tomar quando se conhece quem é Deus; porém Deus não necessita dessas coisas e não se torna menor ou menos vitorioso se não as receber. Ainda, em nosso culto e em nosso relacionamento com o Deus Altíssimo, tudo o que podemos oferecer ao Senhor é nossa própria miséria e nossa necessidade dEle. Ele não aceita como ofertas nenhum bem que façamos, nem nenhum sentimento que nutramos, nem sequer nossa fé; porque todas estas coisas, sendo Ele Rei Absoluto do Universo, já pertencem a Ele e dEle mesmo provieram como parte da Sua Graça estendida a nós. Todo homem deve apresentar-se diante de Deus, o Rei, porque Ele é dono e senhor sobre todos, porque tudo o que possuímos e vivemos é dádiva dEle, porque somos infinitamente devedores a Ele, porque não apresentar-se e submeter-se ao Rei é um crime de traição. Todo homem deve apresentar-se diante de Deus, humildemente e com temor, e entregar-se como é, com todos seus pecados e falhas, com toda sua ignorância e altivez. Nada deve ser escondido do Senhor, pois, sendo Soberano, só Ele pode nos perdoar dos crimes que já temos cometido contra Suas Leis. Amados leitores, a Soberania de Deus é a base sobre a qual Ele pôde determinar que haveria um substituto voluntário para perecer no lugar do pecador que crer. A Soberania é a base para crermos nas promessas do Senhor e em Sua Palavra, e, portanto, no poder e obra da Cruz de Cristo Jesus, Filho de Deus; Ele mesmo, Rei exaltado à direita de Deus Pai e, portanto, poderoso, eficaz e suficiente Salvador dos que nEle crêem.

2 ) Todo homem deve achegar-se a Deus segundo os termos que Ele determina. Sendo Ele Rei Todo-Poderoso, tem plena liberdade de determinar os meios pelos quais operará Sua vontade. Se Ele decreta o mal temporário, devemos glorificá-lO nisto enquanto batalhamos pelo bem futuro. Se Ele determina que os pecadores se converterão por ouvir a pregação da Palavra, não devemos tentar convertê-los pelo entretenimento ou pela pressão psicológica de um "sistema de apelos" e, se Ele determina que serão atraídos pelo Seu Espírito, não devemos atraí-los com shows e festas. O que Ele não expressamente ordenou como instrumento ou método para Seus propósitos não deve ser intentado para tal. Se Ele determina a luta contra o erro doutrinário e que só uma Palavra é a Verdade, não devemos consentir com os erros alheios e, por uma paz demoníaca, tolerar os maiores abusos e as mais bizarras práticas e ensinos em nosso meio. Um Rei Absoluto exige a mais estrita obediência e um Rei Absoluto, Santo e infinitamente Sábio exige uma obediência radical e santa. O Senhor não tolera que homens desafiem Sua suficiência e Seu poder e tentem ajudá-lO com seus métodos e idéias humanas, como se de alguma coisa Ele precisasse. Ele não divide Sua glória com ninguém!

3 ) Todo crente deve agonizar em orações. Pois, sendo o Senhor Soberano Supremo, sendo nós desprezíveis e frágeis, impuros e falhos, só nos resta lutar com determinação e insistência, orando sem cessar diante do Senhor. Todas nossas necessidades devem ser entregues aos pés da Cruz, todas os nossos anseios devem ali ser depositados, todas as nossas dúvidas devem ali ser esclarecidas, bem como nossa fé ali fortalecida. A Cruz é a nossa porta para o Trono da Graça, é nosso único direito como pecadores e nosso maior dever para com o Rei. Irmãos, oremos dia e noite, oremos pela Igreja Cristã, tão doente em nosso País, oremos uns pelos outros, oremos por nossos ministros e por nossos púlpitos para que o Santo Espírito destrone suas concepções humanas e as substitua Soberanamente pela Antiga Verdade das Escrituras, Verdade que sempre viveu e que sempre viverá na Igreja de Cristo, Verdade pela qual, somente, ela triunfa, Verdade na qual somente o Espírito nos pode guiar. Oremos por conversões verdadeiras, por crentes cheios da Palavra e desejos de Santidade. Oremos por uma Igreja viva e eficaz, cuja voz seja a Palavra da Graça anunciando as boas-novas aos perdidos, exaltando a Cristo, mostrando o valor do penoso trabalho de Sua alma. Oremos para que os verdadeiros crentes combatam toda hipocrisia, combatam as falsas igrejas cheias de falsos dons do Espírito (pois se manifestam sem Santidade e sem glorificar a Criso), combatam tanto a frieza quanto o êxtase, tanto a letargia quanto o ativismo. Oremos por uma Igreja Pura, Santa, Unida e Poderosa na Palavra e no Espírito. Entreguemos ao Senhor todos nossos desejos e aflições. Somente Ele é Senhor para nos ouvir e nos socorrer.

Eterno – Para Deus não há começo nem fim de dias, o próprio tempo é parte da Criação dEle. O Senhor permanece, sem fim nem começo, sem mudança ou surpresa, sem "plano B". Ele é incompreensível, infinitamente sábio, auto-suficiente. Ele existe por Si só, e permanece existindo pelo que Ele mesmo é. O Senhor é Rei Eterno e, portanto, Seu Reino e domínio também são desde antes do tempo até todo o sempre. Assim, no Senhor se sustêm toda a Criação e tudo o que é temporal, mutável, fixo, permanente ou sem fim, pois Ele é superior a todas estas coisas em poder e existência, sendo nisto também Senhor delas.
Algumas referências: Êxodo 15:18 ; Salmos 10:16; Salmos 145:13; Romanos 11:33; 1 Timóteo 1:16; Tiago 1:17.

Aplicações da Doutrina:

1 ) Todo homem pode firmar-se em Deus. O Senhor é Eterno e imutável, Ele não passará ou mudará de idéia. Ele é Fiel e honra o Seu próprio Nome, tem poder, desejo e existência para cumprir Suas promessas. Muitas vezes os homens confiam no que é instável; uns confiam em sua igreja ou denominação e no que ela ensina; outros confiam na casa onde residem e se acham seguros ali; outros confiam nas aplicações financeiras que fizeram em seus bancos; e outros confiam que podem velejar tranqüilamente em seu novo e bem construído veleiro. Porém Deus desmente todas estas coisas: igrejas são contaminadas por heresias (vejam o que o movimento carismático e o movimento ecumênico tem feito em toda parte, o que jamais se imaginara tem ocorrido: homens rastejam pelo chão durante os cultos dizendo que é o mover do Espírito que faz isto – e no mês seguinte são descobertos como beberrões e libertinos; homens declaram ter poder para curar doenças e profetizar e até poder para determinar o que Deus fará – e, em menos de uma década, suas previsões e curas se mostram inúteis, quando eles e seus familiares são acometidos de doenças terríveis até a morte. Enquanto isto líderes brasileiros, que se dizem evangélicos, fazem reuniões religiosas com o infame e blasfemo Reverendo Moon); casas, e até mesmo prédios, desmoronam ou são destruídos por acidentes inesperados (ou pela conseqüência de um secreto superfaturamento da obra); bancos e nações inteiras se desintegram financeiramente; vendavais e tsunamis surpreendem os meteorologistas mais bem conceituados. Porém Deus não é em nada afetado por nenhuma intempérie, nem nunca se torna perplexo ante um fato, nem nada para Ele é inesperado. Ele é além do tempo e Senhor sobre ele. Portanto, nos firmemos no Senhor, creiamos nEle, esperemos somente nEle, tenhamos Suas promessas e Seus tesouros como os mais preciosos, pois nunca se perderão nem se esgotarão.

Imortal
Deus não pode ser vencido ou detido pela morte, por qualquer cessar, ou mesmo por qualquer adversário. Ele é incessante, não deixa de existir nem de atuar em nenhum momento. Assim Seu Reino é um Reino incessante, Seu vigiar é um vigiar incessante, Seu interceder é um interceder incessante e tudo quanto Deus faz, o faz sem precisar cessar, exceto se assim o quiser. Ainda, sendo a morte, para o homem, o salário do pecado, Deus, não tendo em nada pecado, nem causando imediatamente sequer a tentação nos homens, não tem para si tal salário, nem, sendo imutável, em nada pode ser corrompido de modo que venha a pecar. Para Deus o pecado é inaceitável e nem a sombra desse mal encontra abrigo na suprema luz de Seu Ser. Deus é imortal e incorruptível, e o sendo, é o doador de toda a imortalidade e incorruptibilidade, visto que só Ele tem vida em si mesmo (como único verdadeiramente imortal), sendo Ele, por isso mesmo, verdadeira fonte de águas vivas e fonte de todas fontes. Só Ele tem infinita vida para infinitamente doá-la a outros.
Algumas referências: Levítico 11:44, 19:2; Deuteronômio 14:2; Salmos 121:4; Romanos 1:23;

Aplicação da Doutrina:

1 ) Deus não permite que o pecado habite nEle ou permaneça em Sua presença. Sendo a Criação uma forma de expressão da Sua Glória e estando Ele incessantemente presente nela, Deus não permitirá que o pecado nela permaneça. Portanto, todo o que vive em pecado tanto apressa a própria condenação (pois se porta como inimigo de Deus), quanto corrompe a Criação (fazendo-a gemer e perecer). O Senhor punirá todo pecado. Não há escapatória, pois Deus não dorme nem deixa de vigiar sobre o que cada homem sobre a terra faz, assim como não deixa de agir providenciando que cada um receba segundo o que tem feito. Por fim, todo o que permite ao pecado viver consigo, além de diversa punição nesta vida (ainda que nem sempre essa punição seja aparente ou óbvia), receberá eterno castigo no fogo do inferno. Deus livrará Sua Criação da morte, redimirá em Cristo, com Glória, todo o Universo, renovando-o. Todo o que crer em Cristo é, por Ele, segundo o Santo Espírito de Deus opera, renovado para vida. E esta renovação encontra seu âmago no novo coração (que odeia o pecado e ama a Santidade) que o Senhor dá a todo que se arrepende de seus pecados e se entrega a Ele, com fé, para Salvação e gozo eternos. Deus não permite que o pecado habite nEle, nem que o pecado habite com Ele. O homem, igualmente, pela ação da misericordiosa Graça em Cristo, deve lutar e destruir todo pecado em sua alma, consciente de que o pecado gera a morte e ofende o caráter de Deus, que em tão grande amor nos deu Seu próprio Filho para que nEle recebêssemos a imortalidade e manifestássemos a Santa incorruptibilidade de Deus.

Invisível
O Senhor não pode ser visto por olhos mortais, nem apreendido pelos sentidos mortais. Ele é Espírito, e a Glória de Sua Santidade é tão maravilhosa que não é possível suportar tal visão – Ele habita em luz inacessível e homem nenhum jamais o viu. Cristo, no entanto, é a face do Invisível, sendo Deus e homem, sendo a única revelação do próprio Pai.
Algumas referências: 1 Timóteo 6:16; Êxodo 33:20; João 1:18; Colossenses 1:15; Hebreus 11:27.


Aplicação da Doutrina:

1 ) Somente em Cristo contemplamos Deus. Nenhum outro meio é lícito de se contemplar Deus, nem pode qualquer percepção sensorial ser utilizada para buscá-lO, exceto aquela que busca e contempla a Cristo, pela Palavra. No Antigo Testamento, por visões e operações extraordinárias, o Senhor se fez presente a diversos Santos da Igreja de Israel: Abraão o recebera como Anjo e Moisés esteve com Ele na sarça ardente; Isaías o vislumbrou entre os Serafins. Contudo, Deus não se manifestou em Glória para homem algum, nem mesmo para Moisés; tudo o que estes homens contemplaram foi a face de Cristo na forma de sua pré-encarnação, fato comumente chamada Teofania. Ezequiel vislumbrou a Glória do Senhor e descreve que mesmo sem uma visão clara, como que à distância, foi terrivelmente impactado pelo Senhor. No Novo Testamento, o Apóstolo João também teve visões de Cristo e Cristo Glorificado. São suficientemente aterradoras para serem expressas em forma de metáforas que mal podem ser coadunadas em uma só figura. Tudo isto significa que não se deve buscar uma imagem, nem qualquer sensação física, diretamente de Deus, como se pudesse um mero homem adentrar a Glória do Altíssimo. Quanto a Igreja neo-testamentá ria, a descrição de Deus como Invisível é um apelo para a maturidade daqueles que possuem uma "mais precisa palavra profética" - andemos pela fé nas Escrituras e não pela visão, por emoções ou sensações. A Escritura é suficiente para todas as coisas na Vida Cristã, para todo fortalecimento, para toda instrução, pois ela é a Palavra pela qual o Espírito opera em nós, a Palavra que testemunha de Cristo, a Palavra que é, por Deus, exaltada sobre todas as coisas – contemplemos somente nela as Cristo, e somente em Cristo ao Deus Eterno. Tudo o que passa disso é superstição, misticismo e idolatria.


Único Deus Sábio


O Senhor é o Único Deus. Não há outros deuses, nem nada que se assemelhe a Ele em toda Criação. Sendo o Único Deus, todos outros deuses não passam de vaidade e mentiras, de invencionices e perversões. Ele é o Único e Bendito Deus Soberano, sendo o Soberano Rei e Salvador Cristo Jesus, o Soberano Deus Pai Criador e o Soberano Espírito Divino. O Senhor é perfeito em Seus Santos caminhos, incapaz de errar ou enganar-se, cheio de toda sabedoria. Ele mesmo é ainda a fonte de toda sabedoria que os homens podem gozar e doador dela para quem Lhe pedir. O Senhor é o Único Deus e é infinitamente conhecedor de todas as coisas que já foram, que são e que ainda serão, não somente tendo compreensão "intelectual" delas, mas relacionando- se como Deus com elas, decretando-as pela Sua soberania, tendo íntimo conhecimento de tudo, tanto quanto ao propósito, quanto à natureza.


Algumas referências: Salmos 86:10; Salmos 115:3-8; Salmos 135:16-18; Isaías 40:18-20; Isaías 44:10-17; João 5:44; 1 Timóteo 6:15; Judas 1:25


Aplicações da Doutrina:

1 ) O coração humano é ardiloso pelo poder do pecado que, desde o nascimento, domina sobre ele. Assim, seu principal objetivo, no qual tem por aliados o Diabo e o Mundo, é destronar a Deus. Qualquer coisa servirá para o enganoso coração humano utilizar como instrumento na "morte" de Deus: o avanços tecnológicos, ciências, misticismos, superstições, fanatismos, amores, dinheiro, saúde. Em todas estas coisas o homem decaído encontra desculpas e falsos motivos, tanto em suas ausências quanto em suas abundâncias, para com elas roubar de Deus algum (ou vários) de Seus atributos, ainda que, de fato, só consiga fazê-lo na mente daquele que sofre o engano. O homem segundo Adão facilmente se apóia em alguma tese para duvidar de Deus como Criador; facilmente se apóia em algum fenômeno preternatural ou sobrenormal para duvidar de Deus como Soberano ou para duvidar da suficiência da Sua Palavra; facilmente se apóia em fanatismos para glorificar a si mesmo através de sua suposta dedicação religiosa ou através do que, alegadamente, diz ser "Deus operado" através dela; facilmente se encanta pelo falso amor que hoje chamam paixão, e negligencia os reais deveres para com o próximo; facilmente protela a dedicação ao Reino pensando em trabalhar ou estudar um pouquinho mais para ganhar um pouquinho mais, sem perceber que estes "pouquinhos mais" nunca terminam de o escravizar; facilmente cede ao auxílio de curandeiros e à falta de fé quando sofre "pele por pele". O coração humano é ardiloso e pervertido e não aceitará um Deus Único em Seu Ser e Único em Sua Sabedoria; o homem natural sempre lutará e desafiará ao Senhor, desejando ser ele o mais sábio e desejando escolher ele mesmo os deuses fracos e manipuláveis que entronizará sobre cada área de sua vida. Não nos rendamos aos ímpetos do coração, não sejamos enganados por ele, mas instemos em nos examinar diante do Senhor, em buscar em nossa alma tudo o que contraria a Lei de Deus, e entregar nossos pecados ao Senhor, com confissão e arrependimento. Se Deus mesmo não tarda em destruir as frágeis esperanças que a sabedoria meramente humana nutre, e isto Ele declara em Sua Palavra, ponhamos nós mesmos à morte estas vãs idéias e a altivez de nossa mente. Oremos e meditemos nos 10 mandamentos, espelho tão preciso que mostra nossas imperfeições ante a Santidade do Senhor; oremos e meditemos nos Sermão do Monte, cuja implacável ética Divina esmaga nossa auto-confianç a e nos despe ante Deus; oremos e meditemos nos Salmos e façamos das batalhas de Davi contra seus pecados as nossas batalhas, e das suas confissões as nossas. E, como Davi, a Graça nos dará a vitória de dizer: "Meu coração não se elevou, nem me exercito em grandes matérias ou coisas muito altas para mim, antes descanso no Senhor". Digamos, com sinceridade esta preciosa verdade, com entendimento e confiança perfeita em Cristo (pois pela retidão dEle, Deus nos atenderá em nosso arrependimento e súplica). Busquemos pedir ao Senhor que nos conceda livremente sabedoria, conforme Ele tem prometido que concederá a tantos quantos pedirem. Abandonemos a sabedoria deste mundo e toda esperança puramente terrena, façamos do céu o nosso lar e antegozemos as delícias que nos esperam à mão direita de Deus e nossa futura glória pela revelação de Cristo; estejam nestas coisas o nosso pensamento, repouse na Sabedoria de Deus o nosso entendimento – e, que grandes coisas nos serão dadas a conhecer e experimentar por nosso Senhor, maiores do que tudo o que, por nós mesmos, poderíamos imaginar!


Uma Palavra FinalEncerro esta pequena exposição de alguns dos atributos de Deus rogando ao Senhor que opere para edificação da Igreja, graciosamente, através deste humilde esforço de seu servo. Que Ele nos guie a meditarmos nestas coisas e a aprendermos delas, pela Escritura, segundo o Santo Espírito nos ensina. Sim, que a Igreja seja edificada nisto, pelo que cada um dos que compartilham comigo este estudo pode fazer, e que, dia após dia, mais e mais homens venham a se render ao Único Rei e Salvador, Soberano em Glória e Poder, e achem Paz ao tomarem para si a retidão de Cristo Jesus, confiando que o Senhor tomou sobre Ele, na sangrenta Cruz, os nossos pecados, recebendo a punição que nos era devida.

A Incapacidade Científica - parte 2

A Ciência segundo a Teologia e os erros mais comuns desta relação

Expomos na última edição as falhas da metodologia científica e, portanto, a incapacidade da ciência em criar teorias gerais que reflitam a realidade. Também na última edição, ensaiamos uma definição de ciência segundo as Escrituras e a comparamos com a ciência segundo os homens.
Partimos, nesta edição, para o meu objetivo formal neste discurso: Delegar a ciência o seu lugar devido - uma ferramenta para fins práticos - evitando assim, os erros comuns de colocá-la como oposta ou estranha à Fé Cristã. Como já foi exposto, a ciência não tem nenhuma condição de alcançar a Verdade Última, nem de alcançar um conhecimento final sobre algo; logo, aquele homem hipotético do início do texto, (um cristão professo que não crê na historicidade de Gênesis, notando especificamente isto quanto a Adão), na verdade, se afastou do ensino geral da Escritura e ausentou sua mente da capacidade crítica de um exame lógico do que lhe é apresentado, adotando uma fé cega e mundana na ciência. Ao contrário do que pensa, baseando-nos no que aqui já foi exposto, tal homem não é em nada mais sábio ou racional que os homens fiéis que crêem nas Escrituras; antes, é um tolo que não percebe o quanto está em contradição (se um verdadeiro cristão se encontra em tal estado, está espiritualmente doente por não submeter integralmente sua vida à Escritura, e não tarda a receber de Cristo e da Igreja a devida repreensão e um correto ensino, para que se arrependa. Contudo, o mais provável é que um homem assim seja um ímpio iludido que professa Cristo, sem crer sequer no que Cristo mesmo pregava). Tornar a ciência uma forma de explicar o sentido ou a origem do mundo, ou uma forma de determinar o que é verdade, é delegar a ela uma tarefa impossível, pela própria natureza da ciência. Quando assim se procede, as conclusões encontradas exigem uma credulidade obtida por complacência e culto à ciência (ou muita ignorância) e não são mais racionais do que a explicação religiosa das Escrituras. O que é pior para os seguidores da ciência é que a congruência interna das proposições científicas, na medida em que se coadunam em um sistema, é muito inferior àquela apresentada pela Sã Doutrina Bíblica quando o mesmo ocorre. Verdadeiramente “Deus tornou louca a ciência do mundo” (cf. I Coríntios 1:20). Assim, a fé que a ciência exige é uma fé em algo escorregadio, instável, sem uma forte estrutura, que, em menos de uma vida, trai seus seguidores – os darwinistas do século XIX, por exemplo, já em 1920 se diziam “os últimos darwinistas” pois a teoria havia sido tão modificada (quando comparada ao seu aspecto original, conforme elaborada por Darwin), que aqueles de 1920 abandonaram os do século XIX, e os consideravam arcaicos e tolos. Portanto, a todos quantos se chamam Cristãos, tenham firme certeza de que tomar a explicação científica em detrimento ao Texto Inspirado é negar a glória de Deus revelada e trazer trevas sobre a própria mente.
Todavia, assim como há um cientificismo maligno e uma boa ciência, há uma teologia Cristã fiel às Escrituras e uma teologia pseudo-Cristã de interesses humanos. A pura teologia Cristã, como venho aqui para torná-la conhecida, limita a ciência ao que ela realmente é, contudo, ainda aproveita-lhe a aplicação prática, e a louva como manifestação do espírito racional que Deus criou no homem (e em nenhuma outra criatura). A boa compreensão da Escritura vê, na própria necessidade de explicação do Universo, uma prova cabal de que o homem foi construído para algo mais do que o natural. Tudo isto porque a ciência, em uma sadia cosmovisão Cristã, cumpre o mandato cultural de Deus - que é a ordem dada pelo Senhor para que o homem faça bom uso da Criação, guardando-a e produzindo através dela. A Escritura diz: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.” Gênesis 1:26, domínio este que é exercido através da tecnologia e da ciência. Notemos o que diz Gênesis 2:10-15E saía um rio do Éden para regar o jardim ... onde há ouro ... bdélio e a pedra de ônix. Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o lavrar e guardar.”. Deus pôs Adão em um Jardim onde proveitosamente havia minerais e outros recursos naturais, ordenando a Adão que fizesse bom uso de tudo o que havia lá - tanto para o trabalho com a terra quanto para o trabalho com os minerais seria necessário o desenvolvimento de ciência e tecnologia. Gênesis 2:19 diz: “Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo animal do campo e toda ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome.” o que, mais uma vez nos mostra Adão em um trabalho de produção e sistematização de informações que hoje chamamos ciência, principalmente quando consideramos as evidências lingüísticas e bíblicas (Gênesis 2:23, 3:20) de que Adão não deu aos animais nomes aleatórios, mas organizadamente e com significado os nomeou. Portanto, estamos seguros em afirmar que em uma teologia bíblica, há lugar útil e definido para a ciência, lugar cujo pleno proveito se expressa quando o cientista ao elaborar a pesquisa, ou o entusiasta ao admirá-la, puder ler “Santidade ao Senhor” em cada fórmula, postulado e aplicação produzidos, uma vez que, segundo o que vimos em Gênesis, o objetivo bíblico da ciência é fazer o homem cumprir, agradecido, ao que o Senhor deseja para ele e para o Universo que criou: refletir Sua Glória e Seus Divinos atributos.
Há diferença (como trataremos mais pausadamente em um capítulo mais adiante) entre a Terra criada em Gênesis e a Terra na qual vivemos. A Terra na qual Adão foi posto era perfeita. Nela não havia pecado nem mal algum. Contudo, Adão pecou e nisto abriu as portas da corrupção, que como um parasita, adentrou e afixou-se no Universo. Assim, a Terra, pelo pecado, se tornou maldita e produziu, ela mesma, males, rebelando-se ao domínio humano e, por fim, alimentando-se do próprio homem em sua morte (Gênesis 3:17-19). A Criação geme e não deseja o estado em que se encontra, ela aguarda a redenção pela revelação dos filhos de Deus (Romanos 8:19-24). Essa redenção se dará, plenamente, na revelação de Cristo (Romanos 3:24, 8:25, Efésios 1:7, 1 Coríntios 1:30) contudo, na medida em que os Santos glorificam ao Senhor em tudo o que fazem e manifestam no mundo a mente de Cristo que neles habita, tal redenção se manifesta em parte. Assim, pela reconciliação com Deus que há em Cristo, podemos afirmar que a boa ciência e a tecnologia devem objetivar, segundo a Escritura, um papel duplo na glorificação de Deus:

1) Manifestar a redenção que temos em Cristo - ao operar a misericórdia de Deus em mitigar as conseqüências da queda de Adão, que corrompeu o cosmos, reconstituindo pela ação de mentes santificadas em Cristo parte da pureza e ordem originais da Criação. Pois em Cristo há uma Nova Criação da qual os Crentes são as primícias.

2 ) Manifestar o favor de Deus ao mundo por Cristo – na face do bem, do cuidado, e do amor de Deus que vêm, igualmente, sobre os ímpios e justos, e por meio de ímpios ou de justos. Em Sua Soberania, o Senhor Deus, paciente, benevolente e sustentador, provê o mundo de boas dádivas e refreia a corrupção que o pecado almeja, enquanto aguarda que todos os que escolheu se salvem.

Na Cruz, ao morrer para nos Salvar, Deus nos deu o sumo exemplo de amor, constrangendo-nos a ter semelhante amor pelo próximo, em Cristo. O Senhor nos mostra que devemos alimentar os famintos, vestir os despidos e curar os doentes. E, pela compreensão e ação racional da Escritura, segundo a operação do Santo Espírito nos Cristãos, a ciência, investida de amor, mostra-se uma ferramenta da Divina Providência para todas estas coisas. Logo, em ambos os papéis aqui propostos para a ciência e a tecnologia, seja ao Senhor a glória e o louvor, pois Ele é Deus sobre a ciência e a tecnologia para manifestar-se nelas, tanto pelos Cristãos que cumprem seu dever de submetê-las a Cristo, quanto por ímpios quando a graciosa vontade do Senhor assim determina. Daí, compreendemos que mesmo quando, sem intenção, providencialmente o homem descobriu a penicilina, Deus operava ali pela redenção que há em Cristo. E quando o homem, com pesquisa, trabalho e razão, utilizou-se cientificamente desta providência e encontrou aplicações benéficas para o produto descoberto, Deus foi glorificado. Quando, sem intenção, providencialmente o homem descobriu a capacidade das microondas de 2,4ghz, Deus operava ali. Quando o homem, com pesquisa, trabalho e razão, utilizou-se cientificamente desta providência e encontrou aplicações benéficas para esta freqüência de ondas, Deus foi glorificado. Louvemos, o Senhor é Deus sobre os tratamentos médicos e sobre as técnicas cirúrgicas, dEle tudo provêm, sim! O Deus das Escrituras é Deus sobre as chuvas e os mares tanto quanto o é sobre a internet, a energia elétrica e os aviões – somente a Ele toda a glória para sempre!
Novamente pensando a respeito das teologias pseudo-Cristãs e, ao mesmo tempo, resumindo a reflexão feita até o momento, apliquemos nosso conhecimento em:
1 ) Nos afastarmos da teologia que separa a obra humana da obra Divina.
Há mais filosofia grega do que sabedoria de Cristo quando se divide a vida em compartimentos como: “secular” e “religioso”; ou “tecnológico” e “espiritual”. A realidade na qual o Senhor nos chama é a da santificação de todos os aspectos da existência e a submissão de toda Criação a Cristo - não percamos isto de vista. O Reino de Deus conquista almas aos céus, mas essas almas não transcendem imediatamente os limites da carne se tornando seres alheios, arrebatados que andam pela terra. Pelo contrário, o Reino de Deus se expressa nos Cristãos pela conquista de todas as coisas para Cristo. Os Cristãos são estrangeiros e peregrinos neste mundo, mas estão neste mundo – cabe ao Cristão, pela mente de Cristo que se forma nele, conquistar, em amor e santidade, tudo o que é “secular” para que seja redimida a existência que geme pelo pecado – o Cristão, segundo seu talento e atribuição, deve fazer e apreciar a ciência como quem serve a Deus, deve desempenhar seu trabalho como quem serve a Deus, deve fazer e apreciar a arte como quem serve a Deus; deve em tudo dar glória ao Senhor.
2 ) Fugirmos da armadilha da teologia que confirma a Escritura através da ciência e, assim, delega a ciência o veredito final, ainda que o faça apenas nos casos onde a Escritura e a ciência concordem. Pois, se delegarmos à ciência a capacidade de confirmar a Escritura, acabamos por afirmar alguma superioridade da ciência sobre a Escritura, ou alguma dependência da Escritura em relação à ciência. Além disso, se o fizermos, ficará subentendido que concordamos com o método científico (que já vimos ser falho) e que cremos que por este método pode-se alcançar a Verdade. É muito mais proveitoso e sincero argumentar usando a Escritura como prova dela mesma, (porque ela é perfeita) e usando as falhas da mentalidade do descrente contra ele mesmo, pois todo não-Cristão crê em algo cujas bases são tão frágeis que, se corretamente confrontadas, cairão pelo próprio peso. Se há de se utilizar a ciência em conjunto com a Escritura, que seja para uma baixa crítica textual, para uma melhor compreensão histórica do ambiente de determinada época a qual se refere o Texto Sagrado ou algo semelhante.
3 ) Evitarmos a teologia falha que confronta a ciência com mistérios.
Não é a falta de explicação ou de conhecimento a respeito de certas questões da natureza que nos farão (ou aos ateus e agnósticos) ver Deus; há muito mais sentido em vislumbrarmos o Criador em um Universo tão complexo e tão explorado, por ser isto (tanto a complexidade quanto a exploração) fantástico demais para ser fruto de uma coincidência, do que apreendermos a existência de Deus a partir de um Universo obscurantista onde cada ignorância se torna uma idolatria; o fato de não se conhecer, por exemplo, a real natureza do átomo não faz com que Deus esteja no átomo mais do que se o desvendássemos completamente - quando não conseguimos compreender uma questão científica, o mundo precisa de quem aprofunde-se com paixão e temor no assunto e não de quem o encerre e dogmatize declarando “isto pertence a Deus somente”, ainda que muitas coisas realmente pertençam só a Ele e nunca venham a ser cientificamente compreendidas. Quando, em alguma parte anterior deste texto, deixamos claro a incapacidade do método científico para alcançar a verdade, não estamos defendendo o obscurantismo e exaltando um completo mistério como certeza de Deus. Estamos, sim, estabelecendo o sistema teológico bíblico como a única cosmovisão Cristã possível, e, por isso mesmo, a única cosmovisão lógica, pura, útil e plenamente verdadeira, por ser a única fonte clara e certa das questões últimas da existência.
Nossa conclusão, neste texto é: O Cristão não é inimigo da ciência, nem da tecnologia, mas deve batalhar para que ela seja compreendida e aplicada em um lugar útil - como ferramenta dos homens para cumprir o mandato de Deus, dominando sobre a Criação por amor, para o bem, segundo a redenção que lhes foi dada em Cristo Jesus. A ciência é dinâmica e nunca encontra o fim de sua jornada, em contraste, a Verdade Cristã é imutável e completa na obra de Cristo, alardeando as Boas Novas da Graça de Deus, de que o homem pecador pode encontrar descanso e alívio no Senhor pela Cruz do Calvário. Cremos e desejamos que a ciência, os cientistas e os entusiastas tecnológicos se fixem na Rocha e não construam suas casas sobre a areia.
E isto é bem diferente de demonizar a ciência como um todo ou exaltar a Deus apenas nas falhas humanas que forem internas às diversas cosmovisões cientificistas.

Explicando Adão e Eva para o homem pós-Cristão - Parte 1

Introdução

Este texto faz parte de uma série de estudos cujo objetivo é expor o Livro de Gênesis de modo que o homem desta chamada “era pós-cristã” possa compreendê-lo. Muitos dos problemas na interpretação do Livro de Gênesis estão no fato de que o leitor mediano traz a mentalidade pós-cristã típica para a leitura, carregando com ela todos os seus pressupostos que vão da pseudo-ciência dos documentários e séries televisivos de qualidade duvidosa até um iluminismo cientificista que mistura Nieztche, Karl Barth e Voltaire.
Os capítulos selecionados desta obra, que apresentaremos a partir do Jardim Clonal de Dezembro, enfocam algo mui precioso para a Sã Teologia: as figuras de Adão e Eva. O objetivo é expor essas figuras para o homem pós-cristão, estabelecendo paralelos e contrastes entre sua visão de mundo e aquela sustentada pela Bíblia.
Que o Senhor, fonte da verdadeira sabedoria manifestada na Cruz, abra-nos as mentes pelo Seu Santo Espírito, de modo que se nos revele a Palavra dEle, em Cristo Jesus e na Escritura, segundo seus mútuos testemunhos, levando-nos, doce e graciosamente, cativos aos Seus pés.

A Incapacidade Científica
Muitas pessoas criticam o Livro de Gênesis da Bíblia porque julgam os eventos ali narrados distantes da realidade que conhecem ou das teorias científicas que adotaram. Todavia, qual a justificativa para afirmar que o seu conceito de realidade ou que determinada teoria científica é o mais adequado para interpretar as informações contidas na Escritura? Não há uma justificativa real, mas um conjunto de idéias preconcebidas baseadas na predileção por determinada teoria ou filosofia – não há nada fora da mente do próprio incrédulo em que se baseie a lógica de seu julgamento, portanto, não há sequer lógica real quando o tal questiona a historicidade do Gênesis. Por exemplo: Um cristão professo, adepto de uma teologia liberal, nega que Adão tenha sido um homem real em um tempo real – aplica-lhe algum tipo de alegoria e justifica-se afirmando que a comprovada Teoria de Darwin já pôs o ponto final na discussão sobre a origem da vida. Quando confrontado a explicar como a Teoria da Evolução sustenta o que propõe, tal homem de aparência cristã repetirá alguns conceitos cristalizados que a mídia, ou alguém de boa lábia lhe ensinou. Contudo, não somente a realidade dos fatos envolvidos na coleta de dados da pesquisa cientifica é questionável, e tal dito cristão não tem como comprová-los, quanto (o que é pior), o método científico é, per si, falso. Analisemos porque afirmo que o método científico é falso: Imagine que um cientista descubra um determinado elemento químico. Ele realiza testes e obtém uma série de resultados similares; então cria uma equação que descreve o comportamento desse elemento. Tal equação não gerará sempre exatamente os resultados que um teste real geraria (porque é impossível prever todas as condições possíveis que influenciariam o tal elemento), mas, por aproximação, a equação que o cientista criou gera resultados similares àqueles dos testes. Além disto, ela não é a única equação possível para estes resultados, mas é apenas a equação que, arbitrariamente, o cientista escolheu. Ora, já neste ponto inicial da pesquisa vemos que não se trata da realidade, mas da arte do cientista em adequá-la aos seus instrumentos e idéias, uma aproximação de uma série de subprodutos similares aos objetos reais: a ciência não trabalha com provas, refutações ou fatos conclusivos, ela apenas, segundo o destacado epistemologista ateu Peter Lipton, “pesa as evidências e julga a probabilidade”. Agora preste atenção ainda mais neste detalhe: Tomando o resultado dos testes realizados por causa de uma hipótese, o cientista elabora um resultado geral – a citada equação, por exemplo. Com base neste resultado outro cientista cria uma teoria que afirma a hipótese como realidade – o que isto significa? Que o método científico tenta alcançar a verdade através de uma sucessão de dados falsos, que se aproximam da realidade. Mas ainda pior é a estruturação do argumento que baseia o método científico:
1) Se A, então B.
2) B.
3) Portanto A.
Para entendermos melhor isto, vejamos os seguintes exemplos desta estrutura lógica com a qual a ciência trabalha:
1) “Se 100 vezes eu pressionei este botão azul e a luz azul acendeu 100 vezes, então este botão acende a luz azul; veja, esta luz vermelha acendeu quando pressionei este botão vermelho, portanto, se eu pressioná-lo 100 vezes a luz vermelha acenderá 100 vezes”
2) “Se a roupa do meu bebê ficou exposta à Lua Cheia enquanto secava e neste dia meu bebê teve cólica, então a Lua Cheia sobre a roupa do bebê causa cólica; hoje, repentinamente meu bebê teve cólica de novo, portanto, a roupa dele ficou exposta a Lua Cheia e ninguém deve ter percebido.”

Percebem a incongruência de usar esta ordem de pensamentos? Ela facilmente nos conduz à conclusões absurdas! Esta forma de raciocínio é o que se chama de falácia formal: ela tenta passar uma informação como verdadeira apesar dos argumentos serem insustentáveis. Que diremos então, de uma falácia baseada em dados que não correspondem à realidade? Como é esta a natureza do método científico (pura indução e especulação), concluímos que: Como o método de pesquisa científica atual se baseia em empirismo e especulações, e toda lei científica é baseada em raciocínio falacioso – note, um argumento falacioso é um argumento falso – então, toda teoria científica, e as conclusões que vierem dela, são igualmente falsas, no sentido de que não são uma representação verdadeira do Universo.
Karl Popper, célebre autor que escreve sobre a filosofia da ciência, diz: “Pode ser até mesmo mostrado que todas as teorias, incluindo as melhores, têm a mesma probabilidade, a saber, zero”. Bertrand Russell, matemático, logicista e inimigo do cristianismo – cito mais um anti-Cristão para provar que o que aqui ensino não é partidarismo Cristão – diz, a respeito das falácias inerentes ao método científico: “Se eu fosse promover tal argumentação, certamente pensariam que sou louco, todavia, ela não seria fundamentalmente diferente do argumento sobre o qual todas as leis científicas são baseadas”.
Repito: O método científico usa informações falsas para abastecer argumentos falaciosos. Assim, (sinto desapontar os adoradores da idéia científica) não há outra coisa a fazer exceto admitir que a ciência deixada por si só é pervertida e vã. Os cientistas mesmo sabem disto, quando são honestos. Cito mais uma vez Karl Popper que, por sua vez, cita Einstein a respeito da sua teoria, referindo aos seguintes dizeres de Einstein: apesar de ser “uma melhor aproximação da realidade do que a teoria de Newton”, “sua teoria era falsa” até quando todos os resultados eram os esperados. A causa dessa falsidade não é, segundo Popper e Einstein, um erro na teoria, mas resultado da natureza da ciência. Com o mesmo sentido, Sir Martin Rees, presidente da Royal Society (sociedade que reúne os principais cientistas da Inglaterra), conclui, em seu livro Cosmic Habitat, que algumas questões fundamentais da existência acabam “além da ciência”. Logo, para o bem da humanidade, de sua própria racionalidade, e do destino Eterno de sua alma, é bom recuar um passo antes de depositar na ciência uma confiança e uma esperança que os grandes cientistas mesmo admitem que não lhe cabe.

A Boa Ciência versus o Cientificismo
Não é estranho que a ciência seja assim pois, de outro modo, não poderia negar-se como comumente se nega, com suas teorias caindo e sendo constantemente substituídas por outras. A ciência é mutável e esta é a sua beleza, e o homem que conhece esta beleza e o tipo de conhecimento que a ciência gera não se torna um defensor aguerrido das suas teorias, nem as usa para amoldar sua compreensão de mundo, mas busca o lugar delas no cenário já composto. A ciência extrai seu conteúdo da natureza, e a natureza proclama a Deus sem levar a um perfeito conhecimento dEle – a natureza faz Deus conhecido sem, no entanto, expressar-se em termos científicos, Cristãos ou panteístas. Se homens têm reconhecido o Deus Cristão na natureza, eles só o têm feito porque Deus se revelou a eles primeiro, pelo poder do Santo Espírito operando o Evangelho; o homem a quem Deus não tocou se fixa na ignorância de Seu Ser. Assim, se a natureza não impõe uma visão teísta sobre a ciência, também cabe à ciência não impor uma visão científica sobre o conhecimento de Deus. A boa ciência comunica, a respeito de Deus, o mesmo que a natureza comunica. Mas a boa ciência tem sido contaminada por mero cientificismo. O cientificista, por seus erros e exageros, limita seu olhar sobre o universo adotando o mote “não há verdade fora da verdade científica”. Isso o guiará ao naturalismo (a negação do sobrenatural porque não se pode prová-lo empiricamente), ao materialismo (a negação de que algo transcendente exista), ao evolucionismo filosófico (a aplicação do darwinismo a todas as áreas humanas), ao humanismo científico ou à outros extremos perniciosos. Essa ciência infecciosa está nos livros escolares, documentários, filosofias políticas e filmes de ficção; ela é religiosa, no pior sentido do termo – seus adeptos são fariseus super-iluministas, grotecos fundamentalistas de raciocínio obscurecido. O cientificismo é inimigo de todo verdadeiro conhecimento, tanto o científico quanto o Cristão.
Não cometamos injustiça: ainda existe a boa ciência, que não emite vereditos sobre o que não é capaz de alcançar, porque não tira conclusões de onde não é possível tirar. Não há inimizade entre a boa ciência e a Escritura, pois a boa ciência submete a Criação ao homem, segundo o mandato de Deus. Aprendemos, exatamente do Livro de Gênesis, que o Criador do Universo é também o Senhor da Ciência e da Tecnologia. Em Êxodo 35:31-32a lemos: “E o Espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e ciência em todo artifício, e para inventar invenções...” assim também no versículo 35 e no capítulo seguinte, como também se depreende de Gênesis 4:20-22 onde Jubal, Jabal e Tubalcaim inauguram gerações de criadores de gado, músicos e mestres de toda obra de cobre e ferro. Há ainda Gênesis 2:9-15 que descreve o Jardim do Éden como possuindo metais preciosos e pedras preciosas para o deleite e trabalho do homem. A boa ciência revela a comunicação do Criador através da Criação, e glorifica-O com humildade e reverência, tomando para si o belo e conhecido dito do grande astrônomo chamado Kepler: “Ó Deus, graças Te dou por me haveres permitido pensar os Teus pensamentos depois de Ti”. Por isso, o mote da boa ciência é: “A verdade está fora da ciência, mas nos é permitido tocar na orla de seu manto”.

Não Afaste Seu Coração de Deus

“Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer o mal.”
Isaías Capítulo 1 versículo 16
Os homens religiosos do tempo do profeta Isaías cumpriam cerimônias diversas, cerimônias que representavam purificação. Animais eram sacrificados para representar a morte resultante do pecado, abluções eram feitas para mostrar a necessidade de estar livre da imundície dos atos malignos praticados. No entanto, ainda que cumprissem todas as cerimônias e rituais de purificação, Deus advertiu a tais homens que não ouviria suas orações pois suas mãos estavam cheias do sangue inocente (Isaías 1:15). Os sacrifícios e rituais não eram capazes de torná-los puros. Porque não lavam as mãos quando comem pão? foi a pergunta que fizeram os fariseus a Cristo, com relação aos discípulos. O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca foi a resposta de nosso Amado Mestre (Mateus 15:1-11). Não são os rituais, não é a abstinência de alimentos, não é nada externo que poderia livrá-los da sujeira de seus pecados. Lavar as mãos não tirará o sangue inocente que há nelas. Eles precisavam encontrar a fonte de águas vivas na qual se lavariam e se purificariam por completo, de tal maneira que a maldade de seus atos não mais permaneceria diante dos olhos do Senhor (Isaías 1:16). Não era o caso de parar de fazer o mal, simplesmente. Isto, em Isaías 1:16, é dito depois - Lavai-vos, purificai-vos vem primeiro. Era necessário que a maldade intrínseca aos atos desses homens fosse removida de diante do Altíssimo, era necessário que a marca da maldade que todo homem carrega consigo fosse apagada deles. Como nas bodas de Caná da Galiléia, a água para purificação que enchia os vasos de pedra precisava ser substituída por Vinho Novo e vinho da melhor qualidade – o Vinho do Sangue de Cristo que sela a Nova Aliança entre Deus e os homens (João 2:1-12). Só assim a maldade desses homens poderia ser retirada de diante da face do Altíssimo. Só assim a nossa corrupção e todo nosso pecado pode ser perdoado, só assim nosso escrito de dívida pode ser rasgado. Precisamos encontrar o sangue que nos lava de uma vez por todas. Precisamos enxergar a Cristo.
E, uma vez lavados no sangue do Cordeiro, uma vez Justificados em Cristo, então devemos cessar de fazer o mal e, como diz o versículo 17 do mesmo capítulo, não só deixar o mal, mas também passar a fazer o bem


Assim, se cremos em Cristo (e na Salvação que Ele nos trouxe ao se entregar, na Cruz, por nossos pecados) devemos mortificar todas as más disposições e todas as paixões infames de nossa alma. Devemos matar todas estas coisas que ainda vivem em nós fomos purificados, fomos Justificados; como seríamos levianos com tão grande Graça e Salvação? Não se engane, para todo aquele que ama a Cristo, Seu jugo é leve e Seus mandamentos desejáveis – quem foge dos mandamentos do Senhor, foge da presença dEle e não O ama. Portanto, não sejamos como os fariseus que invalidavam o mandamento de Deus valendo-se de tradições de homens, de incontáveis manobras e trapaças teológicas e filosóficas, que só objetivavam impressionar o povo e trazer glória para eles mesmos (Mateus 15:1-11). Não sejamos como os homens da época de Isaías que honravam ao Senhor com os lábios, mas cujo coração estava longe do Altíssimo (Isaías 29:13). A pretensão nos dois casos era se impor aos crentes, dizendo: Honrem aos costumes da Igreja, não é assim que temos feito em nossa fé? Não é assim que se conhece que um homem teme ao Senhor? Não é assim que nós, seus mestres, temos feito? Mas Isaías advertiu-lhes: Esse atos não são fruto de temor ao Senhor, mas são a repetição vã de doutrinas mecanicamente aprendidas (Isaías 29:13). E nosso Senhor Cristo Jesus nos ensinou: São Hipócritas os que assim procedem! (Mateus 15:1-11). Ora, o lugar reservado aos hipócritas é o Lago de Fogo que arde eternamente! Se realmente cremos que Cristo é nosso redentor, se realmente cremos que Ele morreu em nosso lugar, que Ele é o Filho de Deus, se realmente cremos nestas coisas, adoremos ao Senhor em espírito e em verdade. Ouçamos o chamado de Deus, que nos diz: Venha a mim! Use sua razão ao me ouvir: ainda que seus pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve. Abandone a trilha que tem seguido, purifique-se, tire a sua maldade de diante de meus olhos, cesse de fazer o mal e faça o bem. Venha a mim, pecador, Eu posso purificá-lo. Venha a mim, os cansados e os oprimidos, Eu os aliviarei (Isaías 1:16-18, Mateus 11:28). Sim, usemos a razão que o Senhor nos dá e que nossa mente se clareie pela luz das Escrituras. Unamos o conhecimento do amor de Cristo e a prática da piedade, mostremos frutos dignos de nosso arrependimento e fé. Tratemos, em constante oração e súplica, de nos cingir da Verdade do Evangelho de tal maneira que a Santidade de Cristo, segundo opera em nós o Espírito de Deus, nos inspire cada ato - seja uma questão de prática, de moral ou de doutrina. E sejamos diligentes, temerosos e vigilantes, pois fazer algo diferente disto é negar a própria natureza da Verdade de Cristo, é confessar que se conhece a Deus, mas negá-lO em seu proceder; é ser abominável, desobediente, e desqualificado para toda boa obra (Tito 1:16), é estar condenado.

Temamos e lembremos do que diz a Escritura “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração” (Tiago 4:8), e nos acheguemos a Deus, com ousadia, confiados em Cristo Jesus, nosso Senhor e Justiça Nossa!

Toda Necessidade

A Necessidade de uma Saída

Estamos encerrados em um universo que não nos pertence, e, de certa forma, ao qual nós não pertencemos – um universo diferente daquele para o qual fomos criados. Fomos como que lançados aqui, sem placas de saída, nem compreensão do labirinto que se nos propõe a existência, entretanto com o desejo pela saída e uma imensa saudade de onde nunca estivemos. Contudo, não fomos abandonados, nem deixados sem recurso com o qual poderíamos responder estas questões – no interior de nossa alma jaz a Lei de Deus. E que Lei é essa? É um padrão de comportamento que, sem exceção, todo homem exige que os outros homens conheçam e que todo homem sabe quando transgride. Diga-me então, como você se sente quando mentem para você? Todo homem trapaceado se indigna, em maior ou menor grau, com o ocorrido. E se alguém te rouba um objeto querido? Agora, e quando você mente, ou rouba, e é apanhado? “Você não deveria ter feito isto”, “Mas, você prometeu que viria...”, “Você me disse que se esforçaria mais!”, “É meu! Me devolve”, “Eu não queria fazer isto, mas tive que fazer” - é isto que ouvimos e falamos nestas situações, assim nos sentimos. Quando falamos estas frases, mesmo sem querer, acabamos recorrendo a um padrão subentendido, que se tem por certo ser presente e válido, com o qual comparamos as ações que queremos provar serem erradas ou perante o qual damos explicações para nos desobrigar de algo que sabemos que ele exige. Aí está esta tal Lei. Afinal, que padrão é este que julga estes delitos, que nos informa de que algo que não deveria ocorrer, ocorreu? Qual o padrão que nos mostra que sofremos o que não deveríamos e que o caso carece de Justiça? Ou que fizemos o que não deveríamos e que, se formos apanhados, precisaremos de uma justificativa para não sofrermos punição? Sim, este padrão universal, gravado na alma de todo homem, é a Lei de Deus. Ela dá testemunho tanto do que é correto - e, portanto, deveríamos estar fazendo -, quanto da existência de um Legislador. Talvez você possa pensar: “Isto não é uma questão de educação ou cultura?”, e eu lhe respondo que não. Desde muito jovem, seja culto ou inculto, o ser humano já sabe quando é injustiçado em seus direitos, e responderá, com indignação, segundo a resposta cabível à sua idade. Por exemplo, uma criança que tem seu brinquedo tomado por outra, busca o auxílio da mãe para resolver a questão; e mesmo uma criança bem pequena, intervirá quando outra criança se desentende e agride seu irmão mais velho; e há muitas diálogos interessantes entre os infantes da pré-escola a respeito do que cada criança faz em relação as outras. Em uma sociedade brutal, como em certas tribos africanas, um jovem cuja família é assassinada requererá alguma providência – ainda que uma providência igualmente brutal - a violência intrínseca da sociedade não amenizou algo dentro dele que denuncia que aquilo é injusto; em uma sociedade urbana, quando um menininho é morto por bandidos durante o roubo do carro de sua mãe, homens e mulheres de toda parte, e logo a mídia, alardeiam o caso denunciando como injustiça a branda pena a que o culpado é sentenciado. Assim, independente da sociedade ou da educação, existe um senso do que é errado, um senso que todos compartilham. Por fim, pense bem, se não houvesse uma Lei absoluta a respeito do que é certo e errado, uma Lei que temos certeza ser conhecida por todo homem e válida em toda situação, qual direito teríamos de nos indignarmos e dizermos que o modo como os traficantes do Rio de Janeiro vivem é errado? Se fosse apenas uma questão de educação ou cultura, seria errado puní-los. Neste caso, tudo o que eles têm feito seria sua cultura, seu estilo de vida, sua opção social - como poderíamos exigir que fossem como nós, se a Lei Moral humana não fosse universal? Você pode alegar que é porque estão inseridos na mesma sociedade que nós. Agora, se é o caso de respeitar o status quo, já não poderíamos dizer que os Radicalistas Islâmicos estão errados em matar qualquer um que renuncie a religião Islâmica no seu país, nem poderíamos dizer que a China comunista está errada em escravizar homens e mulheres por causa de suas divergências políticas - estariam apenas enquadrando os desajustados. Por fim, se você adotar este tipo de pensamento relativista onde cada sociedade se auto-regula sem uma norma superior, acabará concluindo: “eles fazem parte de outra sociedade; como podemos afirmar que estão errados?” A conseqüência disto é que, logo que nossa sociedade se transformar e achar que certas pessoas podem ser discriminadas por suas crenças ou atributos genéticos (algo que muitos países da Europa e certas regiões dos EUA estão próximos de fazer), não teremos como dizer que isto é errado. Quando você, que hoje é parte da maioria, se tornar um desajustado por causa de suas crenças e seus hábitos, por causa de seu padrão genético ou sua árvore genealógica, quando você estiver sofrendo a injustiça, como poderá pedir ajuda, se antes você defendia o mesmo relativismo que permitiu a ascensão dos seus algozes?
Ora, sabemos que todos podemos, e devemos, lutar pelo que é justo, pela liberdade civil, pela punição aos criminosos, ainda que o Estado e a sociedade falhem por não fazê-lo; sabemos com mais ímpeto ainda quando um de nossos amados, ou nós mesmos, somos prejudicados por essas injustiças. Existe, portanto, uma corrente, um fio que delimita com estrita semelhança o que é justo e o que é injusto em todas as sociedades humanas, em todos os seres humanos, em todas as eras – um fio que vibra com especial intensidade quando o injustiçado é você mesmo.
Esta é a Lei de Deus, uma Lei Moral da qual todo homem tem conhecimento inato e a qual todos recorrem nestas situações. Chamo-a Lei de Deus porque esta Lei revela um princípio Bom e Justo, que nota-se ser oriundo de uma mente, por sua complexidade e adequação. Concluo, repetindo, para resumir, que esta Lei denota a existência de um Legislador – por esta Lei temos testemunho da existência e do caráter de Deus, Ele a imprimiu em nossa alma e a ergueu como pilar de sustentação de Seu Templo. Que Templo é este? O homem é este Templo e a habitação de Deus. Ou, ao menos, foi criado para tal. No entanto, há uma disparidade clara entre o bem que queremos fazer, visto o ressoar dessa voz em nossa consciência, e o mal que fazemos, ante o qual somos culpados pelos regimentos desta Lei. Portanto, o homem foi criado para o bem e para habitar com Deus, foi criado para obedecer a Lei de Deus, contudo está em tão miserável estado que já não vive sem guerras, roubos, adultérios, prostituições, vícios, corrupções, mentiras e inúmeras outras perversões, portanto, vive sem Deus.
O homem, ao mesmo tempo, ama esses atos imundos e é vítima deles, ao mesmo tempo é capataz e prisioneiro dos outros homens em seus pecados, porque foi criado para um mundo que não é este, mas sim, um mundo compatível com a Lei de Deus; no entanto, vive neste mundo e colabora para que este mundo seja tenebroso como é, impulsionado por auto-satisfação e impiedade. E o mundo mesmo, em corrupção e crueldade, clama conjuntamente contra o estado lastimável em que se encontra – uma obediência perfeita à Lei de Deus livraria a humanidade de todos seus males. Assim, ainda que a compreensão que a Lei de Deus em nossa alma nos dá não seja capaz de nos livrar desse deplorável estado, mas apenas às consciências sensíveis, torna visível a culpa, ela é útil, pois mesmo que não seja a porta para fora desse universo decaído ao qual não deveríamos pertencer - e, sequer seja a placa que aponta para tal porta -, esta compreensão aponta para onde encontraremos o mapa que leva à placa que aponta o caminho da estreita porta de saída. E quão necessária é esta saída! Pois este universo decaído no qual estamos encerrados é fechado e imerso em decadência – tudo o que nele está, ruma para a morte, e, caso não escapemos dele, nosso destino inevitável é essa mesma morte, e uma dupla morte nos espera, uma terrível para o corpo e outra ainda mais pesarosa, para o espírito e, se nosso espírito é imortal, dado o princípio de Deus nele, como a própria Lei de Deus, que é uma Lei para todo o sempre, a morte desse espírito será uma morte imortal – um eterno morrer-se sem nunca chegar ao fim.
Pela Lei de Deus começamos uma jornada rumo à liberdade de nossa alma, para além do que nos aprisiona, para uma abundância de vida, para o cumprimento do fim para o qual o ser humano foi criado: habitar com Deus e glorificá-lO em tudo o que faz.

A Necessidade da Comunicação de Deus
Concluímos até então que há uma Lei expressa na alma dos homens que dá testemunho do caráter de Deus e, portanto, do padrão que Ele criou e exige para que os homens tenham Paz com Ele. Percebemos que o homem não satisfaz tudo o que este padrão exige e que o universo dá testemunho da falência humana em alcançar tal obediência. Logo, o homem sabe que há algo de errado com o mundo e com os outros homens havendo, inclusive, os de coração mais honesto que admitem que há algo de errado consigo mesmos e algo de errado na relação deles com Deus. O que se imagina em seguida é: Como posso cumprir esse padrão? Onde está a ponte que atravessará este abismo entre mim e o que é Bom, Puro, Santo? A Lei não responde essa pergunta.
Há um Legislador, Deus. Ele deu essa Lei aos homens, uma Lei que demonstra Sua Justiça, Pureza, Santidade, Bondade – uma Lei que nos instrui ao altruísmo e à eqüidade. Daí, o próprio Deus há de ser Justo, Puro, Santo, Bom. Sendo Ele de tão nobre caráter, o mais nobre possível, espera-se que Ele nos instrua em como obedecê-lO e cumpra o objetivo para o qual Ele mesmo nos criou, dando-nos ao universo para o qual fomos projetados. Esperar-se-ia que Ele se comunicasse com a humanidade, além da Lei, a este respeito. Ele comunicou-se com toda a humanidade, primeiramente, através do nosso primeiro antepassado. Todos tivemos pais, e nossos pais tiveram pais, e assim todas as gerações, desde um primeiro pai. Nosso primeiro pai vivia com Deus, e, Ele lhe revelou Sua Instrução, Sua Palavra, Sua Razão. Em nosso primeiro pai, toda a humanidade foi instruída. Nosso primeiro pai, no entanto, ainda que fosse santo para habitar com Deus e, ainda que verdadeiramente habitasse com Ele, desobedeceu-O cobiçando o conhecimento do bem e do mal que lhe fora vetado. E na sua desobediência, conhecendo o mal, trouxe o mal como a um parasita para o universo, transformando o mundo puro em que vivia, e para o qual fomos criados, no mundo decaído que hoje conhecemos. Contudo, Deus não permitiu que se perdesse Sua Instrução, mas foi mantida, geração após geração desde nosso primeiro pai, chamado Adão. Por homens arrependidos, Deus confirmou Sua Palavra, que é esta: pela desobediência de um homem o mal entrou no mundo e muitos tem sofrido a conseqüência, pela obediência de um outro, o segundo Adão, muitos haveriam de, novamente, habitar com Deus em santidade. Essa Instrução, o Oráculo de Deus, Ele escolheu preservar, inicialmente, por meio de um povo, chamado Hebreus, nos escritos de Moisés, nos Salmos e nos Profetas Bíblicos e, posteriormente, pelo povo do segundo Adão, sendo este segundo Adão Aquele a quem chamamos Jesus Cristo. E é nessa Palavra preservada que encontramos tudo o que nos é necessário para andarmos em toda boa obra diante da face de Deus, pois nessa Palavra conhecemos as Boas Novas de que Cristo padeceu a pena por nós merecida e sofreu na Cruz o que nós deveríamos sofrer por tanto que descumprimos a Lei de Deus e por tanto que temos contaminado o mundo pela proliferação do pecado. Nesta Redenção, que aquela Lei natural não anuncia, a comunicação de Deus é necessária, e, na preservação desta Palavra, viva e escrita, que não sofreu uma corrupção sequer em milhares de anos, assim como na plena vida e simbiose entre a Escritura e a Lei natural, no ensino de Amor e Santidade de Cristo, é que se prova a Bíblia ser esta comunicação, de Deus com os homens. Ainda, no Santo Espírito de Amor que Deus provê aos que, por conhecimento, confiança e esperança se apropriam da plena obediência do Senhor Jesus Cristo à Lei, e de Seu perfeito sacrifício em nosso lugar, neste Santo Espírito de Deus, Deus comunica-se com estes a quem Ele proveu tal Espírito, aplicando e aclarando a Palavra Escrita, intercedendo e acusando quanto a obediência, tornando-os, de glória em glória, o que o homem foi criado para ser. Na Escritura o homem encontra a placa que indica a saída do universo decaído, e esta placa aponta para Cristo. Cristo, com a perfeita compreensão da Lei, o perfeito conhecimento da natureza humana e com o mais maravilhoso ensino sobre a relação entre Deus e os homens, testemunha do papel da Escritura e é, Ele mesmo, a porta estreita por onde o homem entra e, peregrinando em um estreito caminho que é Cristo, chega à fonte capaz de saciar toda a sede e fome de seu espírito. E, este homem que renasceu ao atravessar a porta estreita, encaminhando-se à saída do universo, desenvolve uma obediência gradualmente crescente à Lei de Deus. Subjugando toda maldade e entregando em adoração a Deus tudo o que fazem, desde a alimentação diária, passando pelo cuidado com a família e atingindo a sociedade e o trabalho, estes homens regenerados são as primícias de uma nova criação, que desde já restringe a ação do mal no meio da humanidade e que, em um tempo porvir, será feita completa ao desfazerem-se os elementos da presente criação na glória da segunda vinda de Cristo Jesus, dos altos céus onde habita à direita de Deus Pai.

A Necessidade de Comunhão
Quando veio a plenitude das eras, dos céus desceu o Filho Unigênito de Deus, que, sendo um com o Pai e de mesma glória que Ele, humilhou-se ao destituir-se de toda Sua glória e, sendo Santo, nascer como homem para habitar no meio do pecado e em semelhança do pecado, sofrendo a pena pelo pecado que não era seu, e pena maldita – uma morte de Cruz. O desejado das nações adentrou o universo decaído, e manietou o mal para extrair de todos os povos aqueles indivíduos amados desde antes do primeiro Adão, preordenados para serem de Cristo, até que o total dos escolhidos cumpra-se. Ele, sendo Eterno, irrompeu no curso do tempo, redimindo o mundo da maldade e estabelecendo um Reino Eterno de Verdade, Amor e Paz para todos que nEle crêem. Em Cristo, a história divina e humana se interpõem, o eterno e o temporal se cruzam, a Verdade mística e a Razão de Deus se revelam aos homens; nEle todos os anseios e todo o tatear das religiões antigas se encontram com a Palavra perfeita dos Oráculos dos Hebreus, o Velho Testamento da Escritura – o Senhor Cristo Jesus, plenitude da divindade, em carne como a nossa, com sangue como o nosso, findou as eras de trevas onde as nações conheciam a Lei de Deus, que é universal, mas não se comunicavam com Ele, pois estavam excluídos de Sua Revelação. Em Cristo, a Verdadeira Religião se resume – não há nada mais alto a ser alcançado além do que Cristo nos trouxe. E o Reino que Ele inaugura é o Reino de um futuro infinito, é a nova criação feita de uma nova humanidade, de homens regenerados, feitos novos em seu amor pelo Bem, em seu desejo por Santidade e Pureza e em suas boas obras.
A estes chamamos Igreja.
Que decepção! Porque se toda nossa reflexão e todo o trabalho de Deus termina no que é visto em toda parte e se chama por igreja, então algo está muito errado. Lembremos, a Lei de Deus nos deu o padrão de certo e errado, e essa Lei julga inclusive essa tal igreja – não é difícil ver que essa Lei condena o que a chamada igreja perpetrou pelos séculos. Usando o nome de igreja, as Cruzadas e Inquisições derramaram sangue de incontáveis pagãos e muitos dos que se chamavam Cristãos. Usando o nome de igreja se vendeu, e se vende, por dinheiro e poder, a falsa salvação da própria alma e até de almas dos outros. Essa chamada igreja, é cheia de homens adúlteros, mentirosos, corruptos e cheios de vício. Contudo, não é esta igreja que Cristo fundou - “nem todos que são de Israel são israelitas” explica o santo Apóstolo Paulo em sua Epístola aos Romanos, Capítulo 9, versículo 4. E, no livro de Reis, capítulo 18 a 22, quatrocentos eram os profetas que diziam o que era agradável ao Rei, com suas próprias palavras, e um, Miquéias, que dizia a verdade, segundo a Palavra do Senhor. Qual era, então, a Igreja? Não aquela que com opulência, riqueza e número ocupava as reuniões solenes e agradava ao Rei, mas aquela que, em Miquéias, pequena e humilde, era fiel ao Senhor. Então a Igreja de Cristo não é a igreja óbvia, não é a mais visível, nem a que mais se destaca. Antes, a Igreja de Cristo é o corpo reunido de crentes fiéis, obedientes à Lei de Deus, conhecedores do ensino da Escritura, vivendo em Amor e União, em cuidado mútuo, em perseverante oração, em temor diante do Senhor. A verdadeira Igreja é o Corpo de Cristo, a plenitude dAquele que cumpre tudo em todos, a verdadeira Igreja tem Cristo como seu cabeça, operando o poder dEle para sujeitar todas as coisas aos pés de seu Mestre Amado. A verdadeira Igreja é feita de homens e não de prédios ou de hierarquias ou de rituais; a verdadeira Igreja está onde estiverem dois ou três homens regenerados reunidos em temor e verdade de vida. A verdadeira Igreja é um rio caudaloso, porém espiritual, visível na pureza e santidade dos homens que a compõe, e não por grandes templos, riqueza ou poder, pois os genuínos Filhos de Deus sorvem da fonte desse rio, esse rio de águas luminosas e vívidas, um rio que nunca deixou de correr, em todas as nações e eras desde que Cristo redimiu os que são Seus, pois esse rio nos é dado por Ele mesmo. Este rio crescerá e engolirá toda a terra, e a vida crescerá nos fiéis por essas águas, enquanto os ímpios encontrarão a morte em águas profundas e escuras.
Essa é a Igreja e a comunhão dos Santos, daqueles a quem Cristo chamou. Neste Reino de Sacerdotes, nesta Nação Santa, Deus expressa seu amor aos crentes no amor destes uns pelos outros; pois, aquele que não ama o irmão o qual ele vê, toca e com quem fala, como amará a Deus que é espírito e invisível? Assim prosseguimos modesta e humildemente, sem que nosso coração se exalte e não cobicemos o que é alto demais para nós, não em aparência de piedade, nem em orações públicas e religiosidade que busca o reconhecimento, mas em consciência da Divina origem dos nossos dons e do que Deus tem operado em nós – mansidão, longanimidade, solicitude, hospitalidade – assim como de nosso eterno destino de glória nos céus; não temos ouro ou prata, contudo temos o conhecimento de Deus, vivemos com Ele em Espírito, andamos em Sua maravilhosa presença e somos, por Ele, feitos justos em Cristo Jesus, para glorificá-lO em tudo o que fazemos, em fervente amor, em alegre esperança, peregrinando sobre a terra e tendo, entretanto, a Jerusalém Celestial e os tesouros de Cristo em nossa constante meditação; apresentamo-nos, segundo a Graça de Deus Pai e a consumação de nossa dívida na Cruz de Cristo, como a, historicamente comprovada em testemunho da Escritura e da vida de milhares de homens santos, única verdadeira e perfeita religião, para todas as nações do mundo. O Evangelho Eterno, vindo de uma insignificante nação, do meio dos párias e pobres de espírito, de uma época remota, odiado e perseguido, primeiro pelos judeus e depois pelos gentios, cresceu para confundir a sabedoria dos gregos, o anseio de poder e sinais dos judeus e a política de Roma, estendendo seus ramos por toda Ásia, África, Europa e além, para todo mundo, por 20 séculos em uma Verdade inalterável, que move os corações dos homens na proclamação de uma perfeita esperança.
No amor de Cristo, resistimos. Na Cruz bendita nos gloriamos, e a todos quanto tem amado a Verdade do Evangelho, conclamamos, como uma criança desmamada descansa nos braços de sua mãe, que venham e descansem, seja você um cansado e oprimido pecador ou seja um homem já arrependido porém novo na fé, ou já experimentado mas de parcos frutos ou de fraca convicção, venha aos braços do Senhor Jesus Cristo e descanse – creia e serás salvo, e, como salvo ame a Palavra de Deus e Seus mandamentos dando-lhes a honra que lhes é devida! Convidamos a todos quanto tem amado a Cristo, unam-se conosco, na pureza e simplicidade do Evangelho, para conhecer e viver a doutrina dos apóstolos, o partir do pão, e as incessantes orações uns pelos outros e em gratidão perante nosso Pai, sejamos a Igreja fiel no presente século, em espírito, retirada do universo decaído pela única saída: Cristo, e, por isso, pura e imaculada, porém presente na terra para o progresso de Seu Reino - pela Graça de Deus Pai, lavados no Sangue do Cordeiro, e perseverantes na Santificação do Espírito. Amém!

Um profeta contra uma Igreja Adúltera - primeira parte

Por volta do ano 750 a.C. havia um profeta, provavelmente um homem da tribo de Issacar. Nesta época, Israel havia se dividido em dois reinos pela insensatez de Roboão, filho de Salomão. O profeta do qual falamos vivia no Reino do Norte de Israel. Seu nome era Oséias, e o Deus Todo-Poderoso o enviara para expor o pecado do povo, para que pesasse sobre eles a quebra da Aliança: eles haviam se tornado corruptos em suas vidas e no culto que prestavam - se esqueceram do Senhor que os resgatou.

Muitas eram as vozes dos falsos mestres, e suas bocas estavam cheias do engano. Aos homens diziam: Vinde, cultuemos ao Deus que nos tirou da terra do Egito, vinde o cultuemos com danças, façamos sacrifícios para termos prosperidade e saúde, fertilidade e riquezas, cultuemos nos novos altares que erguemos, com os novos sacerdotes a quem servimos, ouçamos seus profetas que nos trarão revelações e oráculos. Com os postes-ídolos o cultuemos. Que separação há entre Deus e os seus servos espirituais, entre Deus e a natureza? Cultuemos ao Senhor pelos Baalim. Que separação há entre Deus e os seus servos espirituais? Cultuemos conforme aprendemos com nossa tradição, como aprendemos com as revelações que nossos profetas dão, como nosso rei tem comandado, como nossos irmãos cananeus tem feito pelos séculos! Porque não fazê-lo? Não vêem que somos prósperos, que o reino tem paz e nós saúde? Deus se agrada de nosso novo culto, Ele quer que deixemos o culto que herdamos de nossos pais. Não estavam eles presos às Escrituras e ignorando que Deus é vivo? Esse era o chamado para o engano, essa era a tentação que assediava o povo de Deus, e por esse caminho seguiram tantos que a verdadeira religião se tornara quase invisível.Mas o clamor do profeta Oséias era o clamor de um verdadeiro profeta, e o vemos pela harmonia entre ele e os outros verdadeiros profetas que passaram por Israel. Sua pregação era: Voltai, ó Israel, à fé genuína em que andou vossos pais, à Aliança que nossos pais guardaram. Como o ensino do profeta Jeremias, sua doutrina ressoava: “peguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma”. [Jr. 6:16] E sua profecia era a de julgamento: “farei cessar todo o seu gozo, e as suas festas, e as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas festividades... diz o SENHOR, porque semeiam vento e segarão tormentas; não haverá seara; a erva não dará farinha; e, se a der, come-la-ão os estrangeiros. Não derramarão libações de vinho ao SENHOR, nem os seus sacrifícios lhe serão agradáveis; seu pão será como pão de pranteadores, todos os que dele comerem serão imundos” [Os. 2:11, 8:7, 9:4]. Desprezando a mensagem do profeta, o povo que se chamava pelo nome do Senhor entregava-se às suas festas, regozijava-se em suas festividades, olhava para a nova teologia e para a nova liturgia que havia criado e cria que estava justificado diante de Deus, esperando dEle as recompensas por seus novos hábitos e sua nova compreensão do universo [Os. 2:5-17, 4:11-15, 9:1-5, 10:1-8, 2 Rs. 23:4-9]. Esses ímpios israelitas acreditavam que a riqueza e a prosperidade do reino era um sinal de que Deus aceitava esse culto renovado que eles prestavam - e o reinado de Jeroboão, quando Oséias começou a profetizar, era um reinado próspero [Os. 2:5,8,13]. No entanto, ainda que a nação desfrutasse de inúmeras vitórias e o povo vivesse a opulência, isto não era um sinal da aprovação do Senhor; antes, Deus suportava-os até que se enchesse a medida de Sua Santa Ira. A abundância que eles pensavam vir de Deus como benção para um povo que O agradara, Deus lhes deu para provar seus corações, e Deus mesmo a varreria; e a nova igreja que criaram, impregnada de justiça própria e tolerância com a mentira, Deus considerou um insulto.Enquanto isso, ao redor do Reino de Israel, a guerra siro-efraimita eclodira. O Reino da Assíria ameaçava engolir os reinos da região, subjugando-os ao seu império. E o rei Peca, rei de Israel, não recorreu ao Senhor; antes, “sem entendimento” buscou a Síria e o Egito [Os. 7:11]. A corrupção da religião afasta o coração de Deus; quem confia ao homem o controle da Igreja, confia ao homem tudo o mais. Quão infeliz é a decisão de trocar a proteção do Rei Eterno pelo abrigo instável de mil reis humanos ou o conselho dAquele que criou o universo pelo conselho de mil sábios! “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” [Jr. 17:5] O Rei da Assíria “não poderá curá-los, nem sarar a sua chaga.” [Os. 5:13], porém o Senhor é “Deus e não homem, o Santo no meio de ti” [Os. 11:9], “Ele nos despedaçou e nos sarará; fez a ferida e a ligará” [Os. 6:1].

E o profeta Oséias lhes disse estas palavras, assim foi sua profecia, segundo o Espírito Santo o inspirou a falar. Zelando pela Igreja de Israel, pelo Nome do Altíssimo, Oséias condena o adultério da nação – recorrer ao homem em lugar de recorrer ao Senhor é pecado de idolatria; trazer para a religião verdadeira princípios que não foram prescritos por Deus mesmo é, igualmente, pecado de idolatria; mesclar a adoração ao Senhor com aquilo que o enganoso e perverso coração humano [Jr. 17:9] cria e incita é abominação contra o Santo de Israel. Tendo sido entregues ao erro, o rei, os príncipes, os profetas e os sacerdotes guiaram o povo, e creram na mentira [2 Ts 2:11 ] e o Senhor “os entregou à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração” [Rm. 1:24]. Por amarem o que é torpe eles se tornaram torpes [Os. 9:10], e assim eles “praticam a falsidade; por dentro há ladrões, e por fora rouba a horda de salteadores. Com a sua malícia, alegram o rei e com as suas mentiras, aos príncipes. Todos eles são adúlteros. No dia da festa do nosso rei, os príncipes se tornaram doentes com o excitamento do vinho, e ele deu a mão aos escarnecedores.” [Os. 7:1,3-5].

A este profeta, Deus ordenara que figurativamente se casasse com uma prostituta, uma mulher de prostituição e tivesse filhos de prostituição [Os. 1.2]. Assim, quando diante do povo Oséias proclamava sua mensagem e expunha a si como marido de uma adúltera, ali era vividamente visível a dor e a angústia daquele que amava a infiel. Essa era a mesma dor e o mesmo clamor por Justiça que o Senhor tinha em relação à adúltera Igreja de Israel, que se afastara dAquele que a tirou da terra do Egito, para se submeter à mente daqueles que eram espiritualmente semelhantes aos egípcios, partilhando das mesmas trevas. Nisto a gravidade da mensagem profética de Oséias é destacada. Como todo profeta, suas palavras são palavras de dor, são o ensino de que o pecado gera morte e que o arrependimento do que crê que Deus somente é a sua justiça, gera a vida. Como todo profeta, Oséias contende com aqueles para quem profetiza; ele personifica a voz da ira de Deus anunciando a destruição sobre os que não se convertem. Adivinhos e feiticeiros prevêem o futuro para o proveito, entretenimento e provação dos homens [Dt. 13; 18, Mt.16.16 ], mas profetas verdadeiros anunciam o Juízo e a Salvação, pela revelação de Deus. Verdadeiros profetas são intérpretes da Lei e atalaias de Cristo. Assim, o objetivo da profecia de Oséias, como de toda profecia, é anunciar redenção, trazer humildade ao coração dos homens, humilhá-los ante a Deus e assim conduzí-los para Sua Luz. A Igreja Verdadeira vive da voz profética: é a profecia que exorta o verdadeiro Cristão à fidelidade revelando a natureza de Deus, e nos anuncia a esperança do porvir. A pregação do Evangelho é a voz profética do Velho Testamento na Nova Aliança; “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho” [Hb. 1.1]. E, Oséias, como a Igreja deve fazer, não usa de retórica e eufemismos para diminuir a rudeza do ensino, nem se fixa em coisas amenas e bendições ou em anedotas e historietas agradáveis, nem busca exaltar o melhor lado do homem e atraí-lo com subterfúgios para as coisas do espírito, nem convida os homens para festividades melhores do que as do falso culto. Oséias não perde seu tempo agradando homens, não há meias palavras, ouvimos nele a admoestação do Senhor: Como uma mulher infiel e adúltera, é esse povo. Como a pior das meretrizes se enche de abominações e descaradamente volta para seu marido, esse povo se entrega a prostituições e depois Me buscam. Me chamam pelo nome de seus falsos deuses, e se gloriam em suas obras perversas. Pois se já foram chamados pelo meu Nome - Filhos de Deus, eis que hoje Eu repudio essa Igreja, Eu vomito o meu povo da minha boca e não mais serão chamados de meus filhos. Como uma mulher adúltera, o povo, os sacerdotes e até os profetas estavam pervertidos. Eles haviam deixado a maneira pura, simples, a antiga vereda, a maneira correta de servir ao Senhor; eles haviam deixado o Espírito e a Verdade, deixado o culto prescrito pela Lei para elaborarem um culto segundo a sua mente e criatividade, segundo o espírito humano. Foram atraídos pelo incenso estranho de Nadabe e Abiú, pereceram na contradição de Coré, amaram o engano de Balaão. Eles construíram uma falsa religião centrada neles mesmos e não se separaram do mundo apóstata – adotaram em seu meio doutrinas dos ímpios cananeus e revestiram os costumes ímpios com uma aparência de religião verdadeira. Eles contaminaram o Povo de Deus, encheram a Casa do Senhor da mesma imundície que evocou a ira de Deus contra os povos que Ele expulsara da terra de Canaã. Eles amaram a obscenidade e a vontade da carne, e o fizeram cheios de misticismo, seduzidos pela falsa oportunidade de experimentarem uma nova relação com Deus, escolhendo viver segundo o que sentiam ser religião mais próxima de Deus – eles não julgavam segundo a reta doutrina mas segundo o que lhes parecia ser melhor; e eis onde erraram, pois obscurecidos em suas mentes carnais, julgando segundo sua própria experiência e sentimentos, concluíram que Deus lhes era Mestre e Proprietário, mas não o viram como o Legislador, Juiz e Justificador, Misericordioso e Longânimo.“Retornarei, e tirarei meu trigo em seu tempo, e meu vinho novo em seu tempo determinado.” [Os. 2.9] são as palavras do Senhor que o profeta diz, e nelas ouvimos o Senhor dizer: Adúlteros e ímpios, recebestes com prazer o bem que vos dei, recebereis vós com o mesmo prazer o mal que vos farei? Ou amastes mais ao pão que multipliquei e ao vinho que vos dei do que a mim? De súbito virá sobre vós a espada; de uma só escorregarão. O que vos tenho dado, tornarei de volta a mim, até a minha Palavra e a minha Aliança tirarei de vós. Duros de coração e hipócritas, buscastes aos homens abomináveis e ao povo que eu rejeitei para ouvirdes de mim, e não me buscardes a mim mesmo? Não sabeis que o que procede da carne é carne e o que procede do Espírito é espírito? Semeastes na carne, na carne colhereis, ao ensino de homens ouvistes, à concupiscência da carne se dobrarão.

Quão perverso é o homem que se alegra nas bênçãos divinas, contudo não se alegra em Deus mesmo! Os que assim agem dão glória à criatura em lugar do Criador, e abandonam a autoridade do Senhor, pois na verdade se curvam ante às operações e ao poder de Deus e não ante a Deus mesmo. São como os demônios que crêem em Deus e temem, mas não vivem segundo a vontade do Altíssimo. Falta-lhes a compreensão verdadeira de Deus. E é assim que todo homem seduzido pelo misticismo pagão se porta, ainda que o misticismo se apresente travestido de verdadeira religião ou misturado com esta. “Pela força eu levarei minha lã e meu linho” [Os. 2.9], lhes condena o Senhor. Assim lhes diz: Impropriamente vós tendes usufruído dos meus dons, para seus próprios deleites tendes usado minhas bênçãos. Com essas coisas tendes coberto a vossa nudez. Contudo, Eu mesmo resgatarei o que sem vos pertencer tendes mantido convosco, pois até a meu Nome e a minha Palavra vós tendes tentado manter cativo. Tudo isto vos tomarei, todo dom e toda bênção, e correreis aos ímpios e escarnecedores para receberdes o que amardes, e se fará visível a vossa vergonha e patente o vosso adultério!

Quão apropriada é esta condenação para os nossos dias! Estamos cercados de homens que se ocultam sob a falsa religião, mas que não buscam nada além de agradar a si mesmos usufruindo impropriamente dos dons de Deus e pervertendo a religião com misticismos, supertições e tradições humanas. Eles enchem seus lábios para falar de Deus, e até de nosso Senhor Cristo Jesus, mas estão cegos para seus próprios pecados, porque ainda não lhes sobreveio o julgamento. Força, vigor, riqueza, saúde, tudo havia em Israel quando Oséias lhes anunciava a ira de Deus, e nem por isso estava nestas coisas um sinal da aceitação diante do Pai. Que os hipócritas chorem e se lamentem em sua prosperidade, que os aduladores se humilhem em seus êxitos, que os grandes caiam por terra diante do Altíssimo, porque sua derrocada não tardará! Se humilharem-se e buscarem ao Senhor, se submeterem-se a sua Palavra, se abandonarem os preceitos de homens, se derem ao Senhor toda a glória e refugiarem-se somente nEle, Sua Santa Ira não os alcançara. Caso contrário, tudo o que podem esperar é fogo, trevas e dor.

Que possamos ouvir as palavras de Oséias, e atentar a ele, e ao Espírito Santo que o inspirou a falar. Zelando pela Igreja de Israel, pelo Nome do Altíssimo, é Oséias mesmo, cujo sangue ainda fala como falou o sangue de Abel; é Oséias mesmo que condena o adultério dos que se chamam Igreja de Cristo, como outrora condenou o de Israel. O machado está a raiz da árvore, e esta será derribada se não produzir fruto: todo que professa o nome de Cristo mas é espiritualmente adúltero, ou é moralmente adúltero, ou tem ânimo dobre, está encerrado sob uma aparência de religião e não conhece a Verdade. Não se deixem enganar pela sutileza do ensino relativista moderno: todo o que recorre ao homem em lugar de recorrer ao Senhor, todo o que deposita sua fé última no homem e não no Senhor, todo que o faz é pecador e idólatra; todo o que traz para a religião verdadeira princípios que não foram prescritos por Deus mesmo é, igualmente, pecador e idólatra; todo o que mesclar a adoração ao Senhor com aquilo que o enganoso e perverso coração humano [Jr. 17:9] cria e incita comete abominação contra o Santo de Israel. Em Israel, tendo sido entregues ao erro, o rei, os príncipes, os profetas e os sacerdotes guiaram o povo, e creram na mentira [2 Ts 2:11 ] e o Senhor “os entregou à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração” [Rm. 1:24]. Hoje nossos governantes, os pretensos profetas, os sacerdotes que devoram os rebanhos de Cristo, crêem na mentira e o Senhor os têm entregue à toda sorte de vergonha pública e de desejos perversos. Nossos líderes têm se esvaziado da Palavra de Deus e aberto suas portas para doutrinas místicas, pagãs e centradas no homem e, por amarem o que é torpe eles se tornaram torpes [Os. 9:10], assim eles “praticam a falsidade; por dentro há ladrões, e por fora rouba a horda de salteadores. Com a sua malícia, alegram o rei e com as suas mentiras, aos príncipes. Todos eles são adúlteros. No dia da festa do nosso rei, os príncipes se tornaram doentes com o excitamento do vinho, e ele deu a mão aos escarnecedores.” [Os. 7:1,3-5].

Ah, Povo de Deus! Temam o julgamento que Oséias anuncia, pois se Deus foi severo com os ramos originais da Oliveira, quão mais podemos nós, ramos enxertados, sofrer a Sua Ira! Fujam do meio dessa igreja adúltera, enquanto há tempo, voltem à Palavra enquanto se pode achá-la!