O que é apostasia?
A Razão da Esperança
Estamos na iminência da Volta de Cristo?
2) Nós somos parte ativa da realização destes eventos;
3) A volta de Jesus não é iminente.
Um planta, outro rega; mas Deus é quem dá o crescimento.
O que é apostasia?
Alegórica –é a interpretação dos textos da Escritura de maneira subjetiva, buscando um “sentido espiritual mais profundo” do que aquile que poderia ser naturalmente compreendido do texto, ou de seu contexto imediato. É puramente arbitrário, como por exemplo: um teológo medieval dizia que os 7 filhos de Jó representavam os 12 apóstolos porque 7 é 4 somado com 3, e 4 multiplicado por 3 é igual a 12; outro dizia que as duas varas mencionadas em Zacarias 11:7 são a Ordem Franciscana e a Ordem Dominicana; o movimento espiritualista diz que “o outro consolador” [João 14:16] é o espiritualismo; já alguns maometanos dizem que foi este Maomé. Nenhuma destas interpretações considera o texto em si segundo o seu próprio contexto e o seu significado mais natural. A interpretação Alegórica, por ser tão subjetiva, admite também a possibilidade de que a mesma passagem possa ter vários sentidos e significados, inclusive conflitantes; ● Histórico-crítica ou liberal – ao interpretar o texto bíblico, o adepto deste tipo de interpretação recusa partes claras e evidentes do texto (como a parte da narrativa de quando Jonas é engolido por um grande peixe, de quando Isaías profetiza sobre Ciro, ou de quando Cristo ressuscita), porque estas partes desafiam a visão de mundo cientificista e racionalista que se popularizou a partir do fim do século XIX; ● Experiencial – é a interpretação da Escritura com o objetivo de encontrar nela as bases que justifiquem uma determinada experiência subjetiva ou uma determinada crença. É o caso dos pentecostistas que costumam balizar suas crenças nos pretensos dons, visões e outras manifestações estranhas à Escritura usando frases como “aconteceu comigo” ou “eu já vi acontecer” e, a partir daí, buscar textos isolados que sirvam de comparação às suas experiências. Quando a Escritura claramente desabona algo, ou quando ela não possui uma norma direta e clara sobre determinado assunto, não importa o que eu vi ou eu experimentei, porque eu sou passível de erro e de toda sorte de engano, enquanto a Palavra de Deus não – se a Escritura estabelece algo, então tenho bases firmes para crer nisso; se ela nega, silencia ou não provê suficientes detalhes sobre certo assunto, então simplesmente não há rocha firme sobre a qual construir um ensino; ● Hiperliteralista, é a interpretação literal de quase todos os textos da Escritura, até aqueles evidentemente simbólicos ou metafóricos. Considera, por exemplo, que o Templo descrito nas profecias de Ezequiel seria um Templo literal a ser construído no futuro, apesar do relato sobre o rio no capítulo 47 contradizer esta idéia. Tendo enumerado os erros mais comuns, agora nos é proveitoso avaliar o método mais adequado para o estudo da Escritura (aquele mesmo que foi utilizado pelos Apóstolos no século I, pela escola teológica da Igreja de Antioquia nos séculos II e III, por inúmeros santos homens do passado, pelos Reformadores do século XVI e pelos Puritanos nos séculos seguintes): o princípio hoje chamado histórico-gramatical. Podemos resumí-lo em 4 princípios básicos: ● A Escritura é a única medida e meio de informação infalível e inerrante, capaz de ensinar-nos acerca da Salvação de nossa alma, do conhecimento de Deus, da confiança nEle e da forma perfeita da obediência que é devida ao Senhor [Romanos 1:19-21,2:14-15; 2 Timóteo 3:15-17; Isaías 8:20; Lucas 16:29; Efésios 2:20]. Nem homem algum, nem instituição alguma, tem autoridade superior àquela contida na Bíblia, que é a Palavra de Deus [2 Pedro 1:19-21; 2 Tessalonicenses 2:13; 1 João 5:9]; portanto, a Bíblia é o único intérprete infalível da própria Bíblia, trazendo, em suas partes mais claras, luz suficiente àquelas de mais difícil entendimento; ● Há somente um único sentido pleno e verdadeiro para cada passagem da Escritura, que é o sentido originalmente desejado pelo autor humano para com os seus leitores. Este sentido deve ser buscado com afinco e defendido com fé e diligência, pois proveio da vontade do Espírito de Deus que inspirou o autor imediato do texto à expressão exata do que o Senhor intentou legar à Sua Igreja [2 Pedro 1:20,21; Atos 15:15-16]; ● Tal sentido único é obtido pela interpretação mais natural e imediata do texto, segundo a gramática comum e o bom uso da lógica. Quando, no entanto, houver controvérsias quanto à esta interpretação, tais dúvidas devem ser dirimidas por homens piedosos e capacitados pelo Espírito de Deus, com bom conhecimento das línguas originais da Escritura (especialmente pelos teólogos e mestres da Igreja) ou pela consulta à excelentes traduções (no caso de leigos). Mais luz será lançada sobre o texto, pela necessária consideração de seu tipo literário e da cultura, época e ocasião em que foi escrito. Por último, recomenda-se buscar o auxílio de bons livros que Santos homens do passado escreveram sobre o assunto investigado; ● A Revelação de Cristo é a substância do início, do decorrer e da consumação de tudo o que é informado na Escritura [Lucas 24:27; Apocalipse 1:8; Colossenses 1:16]. Sendo, portanto, um livro de tal teor espiritual e divino, a Escritura só é plenamente compreendida em seu caráter como Revelação de Cristo, mediante a iluminação do Santo Espírito [João 6:45; 1 Coríntios 2:9-12]. Isto não dá subsídios para uma interpretação alegórica, porque a maneira como cada texto da Escritura nos leva a Cristo é determinada pelo contexto, intenção do autor, tipo literário e interpretação das passagens relacionadas da própria Bíblia. Confesso que esta introdução à exposição dos textos referidos na última edição fez-se um tanto extensa; porém, é necessária pois, sem a correta base hermenêutica, não só a compreensão das profecias que estudaremos ficaria comprometida, como todo o modo de enxergamos a Escritura pereceria. Por isso, insisto ainda que todos nossos leitores orem por nossos presbíteros e pregadores para que estes cresçam a cada dia no Conhecimento do Amor de Cristo e na habilidade para nos conduzir, pela Graça do Senhor, à pureza, verdade e santidade que a Igreja de Cristo deve ter. E este é, sobretudo, o objetivo de todo o nosso estudo: que a meditação no ensino da Escritura sobre as últimas coisas floresça na forma de uma viva esperança cotidiana e, portanto, na forma de um apelo crescentemente sensível, do Espírito de Deus, para que nos consagremos ao Senhor com inteireza, rejeitando toda falsa doutrina, e, assim, onde quer que estivermos e seja qual for a vocação que o Senhor nos tem dado junto ao mundo, sejamos reconhecidos pela diligência e prontidão na luta pela expansão e progresso do Reino de Deus na terra. Retomo então nosso tema nestes estudo que é a Esperança em Tempos de Apostasia, a esperança em Cristo e em Sua Palavra, esperança sobre a qual a Escritura nos diz: “Todo aquele que nEle tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” [1 João 3:3]. Futurismo, uma arma de pessimismo e desânimo Como dissemos no início, a correta interpretação da Escritura é necessária para a saúde dos crentes, pois foi de uma má hermenêutica que surgiram heresias como o dispensacionalismo. E é no coração do dispensacionalismo que encontramos outro fruto vindo de homens que distorcem as Escrituras. Sim, lá encontramos um velho romanista, da pior espécie, um servo da obra-prima do Diabo chamada Igreja Católica Romana. Este romanista atende pelo nome de: futurismo. O futurismo a que me refiro é uma escola de interpretação das profecias da Escritura, que surgiu por volta do século XVII, pelas mãos calculistas de um Jesuíta. Esta escola defende que todas as profecias que não se cumpriram literalmente terão um cumprimento futuro. Esta idéia está baseada em uma divisão arbitrária do Apocalipse em partes, onde o capítulo 2 e o 3 são um resumo da história da Igreja em todos os séculos e o capítulo 4 em diante demonstra, cronologicamente, as coisas que “ainda hão de acontecer”. Esta armadilha escatológica foi uma daquelas armas forjadas nos porões sujos dos mais ímpios servos de Roma, assim como o fora o Arminianismo (a ligação entre certos romanistas semi-pelagianos com Jacobus Arminius é bem documentada na História) e o Misticismo Cristão (segundo um antigo cardeal da Igreja Romana, esta instituição não é o resultado da revelação de Cristo vivificando a herança judaica, mas a sincretização dos conceitos neotestamentários com as religiões pagãs – não é sem porquê que o Misticismo Cristão é considerado o pai dos movimentos pentecostais e, sobretudo, dos neo-pentecostais). O futurismo foi criado com um intuito certeiro: fazer-nos esquecer que o trono do Papa já é o trono do Anticristo. Coisa que esta escatologia faz ao mover o advento do Anticristo para um futuro distante, quase inatingível e ao condicionar a interpretação do Apocalipse às crises geopolíticas e desastres da época do intérprete (o que, além de todo o mal já citado, ainda incitou muitos ao pecado da prognosticação – basta consultar a história dos Adventistas do Sétimo Dia ou das Testemunhas de Jeová para entender quão destruidor é o futurismo). É válido notar que, desde antes da Reforma, muitos homens haviam aprendido e ensinado que o Apocalipse é um livro para hoje (e não para o futuro distante) e que a manifestação do homem da iniqüidade - que se assenta no meio do povo de Deus dizendo ser ele mesmo o deus [2 Tessalonicenses 2:4; Apocalipse 13:1-8] - já havia se iniciado. Sabia-se também que Roma seria sua cidade [Apocalipse 17:9] e que ele derramaria o sangue dos Santos de Deus [Apocalipse 13:7,18:24]. No século XIV, quando centenas de milhares já haviam sido mortos pela Igreja Romana, por discordar de seus dogmas antibíblicos, o Papa Bonifácio declarou: “Eu tenho a autoridade de Rei dos reis, eu sou tudo em todos e sobre todos, assim que Deus, Ele mesmo e eu, o Vigário (substituto) de Deus, temos uma só autoridade, e eu sou capaz de fazer quase tudo que Deus pode fazer. O que podem me considerar senão Deus?”. Então a antiga suspeita se fez mais do que confirmada. Quando a Luz da Palavra de Deus iluminou o mundo através da Reforma Protestante, a denúncia da real identidade espiritual do Papa se alastrou e foi conhecida em toda parte. No magistral documento confessional do Congregacionalismo mundial (a Declaração de Savoy), John Owen toma como suas as palavras dos puritanos de Westminster e diz: Não há outro cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo. [Colossenses 1:18; Efésios 1.22] Nem pode, portanto, o papa de Roma, em nenhum sentido ser o cabeça; Mas ele é aquele Anticristo, aquele homem do pecado, o filho da perdição, que se exalta a si mesmo, na Igreja, contra Cristo e a tudo que se chama Deus, a quem o Senhor destruirá com o resplendor de Sua vinda. [Mateus 23:8-10; 2 Tessalonicenses 2:3,4,8,9; Apocalipse 13:6] E esta era a crença generalizada de todos as Igrejas Reformadas até o século XVIII quando o futurismo conseguiu infiltrar-se no aprisco Cristão pelas ações dos emissários de Roma. Com o fermento do futurismo, no século seguinte cresceu o pré-milenismo – soma da concepção hiperliteralista de que o milênio de Apocalipse 20 trata de 1000 anos literais que terão um cumprimento futuro e da idéia cronológica de que os eventos do capítulo 20 ocorrem imediatamente após os eventos do capítulo 19. Com a junção das doutrinas do arminianismo, futurismo e misticismo (incorporado pelos movimentos pietistas radicais) o cenário para a Apostasia na igreja completou-se e os eixos do pensamento cristão moderno, já abalado por outros ataques ideológicos, moveu-se para longe da verdade da Escritura. Este processo transformou o discurso cristão. A pregação histórica do Evangelho centrado em Cristo mudou-se em uma pregação de um outro evangelho cujo objetivo é satisfazer a carne. A determinação ousada dos antigos Cristãos que conheciam, pela Escritura, a história da Redenção do mundo pelo poder da Palavra de Cristo, tornou-se no retraimento e mundanismo dos atuais cristãos que crêem que a Bíblia conta a narrativa da recorrente derrota da Igreja de Cristo até o dia da fuga em massa. Este veneno de Roma, esta visão deturpada arminiana, futurista e mística (que, desde a última década, é hegemônica no meio evangélico) está nos catapultando de volta à idade média ao ensinar que Satanás reina sobre o mundo com constante triunfo e, portanto, a única esfera de ação do Evangelho é a vida para a igreja e na igreja. Se já não bastasse nos atemorizar com a história de um invencível cerco dos exércitos das trevas, somos apresentados ainda a um sempre eminente Armagedon, a uma estranha doutrina de que fim do mundo está sempre às portas (apesar de ser claramente absurdo dizer que sempre estamos quase no fim). O resultado?! Perdemos a noção de que a obediência à Lei moral de Deus é dever de todas as nações, de todos os povos e de todos os governos, (não somente da Igreja) e de que a responsabilidade pela derrocada e falência moral do mundo e da igreja visível é nossa – a presente geração do povo de Deus. Perdemos a visão de quem são nossos inimigos e de como podemos vencê-los, perdemos a visão de que o Anticristo já está no nosso meio (há séculos!) e que deve ser combatido com a Palavra. Perdemos a compreensão de quais são os objetivos da Igreja e de como podemos estabelecê-los, em lugar de nos acuarmos amaldiçoando o mundo e lamentando que somos os últimos fiéis na Terra. Por isso, nos primeiros textos bíblicos que estudaremos aqui, com a boa hermenêutica da Reforma e a Graça do Espírito de Deus sobre nós, buscarei expor as promessas que o Senhor nos deu para nos conservarmos vigorosos e otimistas em cada dura batalha as quais, se amarmos ao Reino de Deus, nos disporemos a enfrentar daqui por diante. Como dissemos na última edição, sabemos que a Escritura promete tribulações e perseguições para a Igreja até o retorno de Cristo e que não há notícia na Bíblia de que um dia, antes do fim, o mundo e/ou a Igreja, se tornarão completamente puros. Porém, há na Escritura uma poderosa escatologia de vitória para a Igreja de Cristo, escatologia esta que já perdemos muito ao ignorá-la.
Você sabe que possui uma alma imortal. Todos sabemos. Ainda que você asfixie esse conhecimento natural, sua própria consciência testemunha de que a sua existência não se extinguirá depois que o seu corpo se for. É uma perturbadora e constante idéia diante da qual nem eu, nem você, nem ninguém permanece impassível. E é uma idéia da qual não podemos fugir: pois quando olhamos ao nosso redor, o Infinito nos dá seu testemunho. Lá está o céu sem fim, cujas alturas se estendem além das trevas exteriores; lá está o interminável mar, seus abismos inexploráveis, suas águas há longos milênios sobre a terra; lá estão as incontáveis estrelas, com seus segredos imemoráveis. Em cada uma dessas obras o Infinito aguça ainda mais nosso desejo pelo que é Eterno, a cada um desses chamados a imortalidade da sua alma responde com júbilo. Contudo, qual o exato destino de sua alma imortal quando seu corpo descer à sepultura? Estar incerto quanto a isto, não te faz estremecer quando pensa a respeito da infindável eternidade que te aguarda? A Escritura diz “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração” [Eclesiastes 7:2]. É proveitoso pensar na morte, no fim de todos os homens. Sua alma é imortal, mas seu corpo não; por isso consideremos o inevitável crepúsculo, porque nem eu, nem você, poderemos fugir disto. E a questão necessariamente incluída neste pensamento é aquela que já nos fizemos, ainda há pouco: após a morte, pelo longo tempo no futuro sem fim, onde estará a minha alma imortal? Mais dia, menos dia, você terá de encarar esta questão e, peço ao Senhor, que Ele te conduza a fazê-lo agora, em minha companhia, pois, se deixarmos para fazê-lo depois, o súbito fim da existência pode te apanhar antes de ter lidado com esta questão da maneira como se deve lidar. Vamos, juntos, ouvir do Senhor o que Ele pode nos ensinar a este respeito. O que Ele diz que nos acontecerá depois da morte? Um Julgamento. Cada homem morre “uma só vez”, “uma vez para sempre” ao que se segue o Juízo [Hebreus 9:27-28]. Quando morrer, você se apresentará diante de Deus, o Justo Juiz dos vivos e dos mortos [Salmo 7:11, Atos 10:42]. Será que isto é bom? O Senhor nos diz que não será bom para todos. Na verdade, estar diante de Deus será terrível para muitos [Mateus 22:12-14, 2 Coríntios 5:9-11]. Por quê? Porque só terá descanso o homem que, quando se apresentar diante de Deus, já estiver em paz com Ele, já estiver sob Seu favor – este homem receberá sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa e habitará com Deus para sempre. Porém, a pessoa que se apresentar diante dEle sem estar sob o Seu favor, receberá sua parte no Lago de Fogo e tormento eterno [Apocalipse 22:14-19, 20:14,15]. Portanto, devemos nos perguntar, com temor e preocupação: Como conseguir o favor de Deus? Como estaremos prontos para nos apresentarmos ao Senhor, no dia do Juízo? A surpreendente resposta é: Deus está oferecendo gratuitamente o Seu favor e a Sua paz. Ele está oferecendo-os neste momento a mim, a você e a todos quantos quiserem. Ele está oferecendo-os em Cristo.
Ouçamos a Sua voz a chamar: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” [Isaías 55:1] “Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” [Apocalipse 22:17].
Gratuitamente Ele nos chama, não há necessidade de pagamento ou de permuta, o favor de Deus é gratuito para todo aquele que crê. “Crê no Senhor Jesus e serás Salvo” [Atos 16.31].
Veja que há boas razões para ser assim. Dar-te-ei apenas três motivos:
1)“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” [Atos 17.24,25] – Deus não é servido como se de alguma coisa precisasse – Ele é completo em Si mesmo, não há nada que você possua que possa acrescentar algo ao Senhor;
2) “O Salário do pecado é a Morte” [Romanos 6:23] - Por causa dos seus pecados, tudo o que você merece de Deus é a Morte.
3)O preço suficiente para te redimir e te dar o favor de Deus já foi pago [1 Coríntios 6:20, 7:23].O único que poderia agradar ao Senhor, o único Justo, Cristo Jesus, viveu uma vida reta e morreu uma morte que não merecia, para comprar Salvação para os que nEle crêem.
Agora, venha e compre sem dinheiro, venha e receba a paga pelo trabalho de Cristo. “Ora ao que trabalha, o salário não é considerado como favor e sim como dívida.” [Romanos 4:4] Se você tenta ganhar a salvação pelas suas obras, mas labuta também o pecado, o salário que te é devido é a morte por causa do pecado [Romanos 6.23]. A Palavra nos diz que “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos” [1 João 1:8], donde entendemos que não há homem algum isento de culpa, que todos nós, com maior ou menor malignidade, com maior ou menor dolo, pecamos. Sim, é isso mesmo que a Escritura nos diz: “todos pecaram e carecem da glória de Deus” [Romanos 3:23, cf. Salmo 51:5]. Assim, se todos temos algum pecado, todos receberemos o salário do pecado, que é a morte. Simplesmente não há saída para o pecador, nenhuma de nossas boas ações podem nos livrar da escravidão do pecado [João 8:34, Romanos 6:20] e de, por conseqüência disto, herdar o inferno. Por isso, tentar adquirir a Salvação e o favor de Deus como recompensa por nossas boas obras é inútil [Romanos 3:20, Gálatas 2:16]. É impossível aos homens adquirirem a Salvação para si mesmos [Marcos 10:27, Mateus 19:26].
Se somos tão miseráveis e estamos tão certamente condenados, como receberemos o favor de Deus? Simples: confiando no trabalho e na retidão de Deus e não em nada que provém de nós mesmos.“Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” [Romanos 4:5] Abra seus olhos e veja! Eis aqui a Maravilhosa Graça de Deus! Eis o sentido daquele chamado que ouvimos antes, eis o significado da voz do Salvador que diz: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite” [Isaías 55:1]. Por isso você pode vir, por isso você pode comprar sem dinheiro: porque aquele que não trabalha para alcançar o favor de Deus, mas crê em Cristo Jesus, receberá o salário pelo trabalho de Cristo Jesus e será visto por Deus como Justo! O Senhor Cristo Jesus, Filho de Deus, viveu em perfeita santidade, sendo tão rico em retidão e merecedor de tão excelente favor de Deus que pode tomar da Sua retidão e entregá-la a Deus no lugar das imundas obras do pecador. Sim, repito: Nós, que somos pecadores, se crermos que Cristo é a nossa Justiça, receberemos o salário devido a Cristo pela retidão dEle e não o salário que era nosso pelo nosso pecado. Cristo já pagou o débito de todos os que crerão nEle! Venha e receba o que Ele comprou, o tesouro precioso de Salvação e da abundante vida com Deus - Ele o comprou com Seu preciso Sangue, para todo aquele que nEle crer.
Ouçamos ao Senhor Jesus Cristo mesmo, que nos ensina sobre tal maravilhoso convite da Graça por meio da parábola do Fariseu e do Publicano:
“Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.
O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” [Lucas 18:10-14]
Que o Senhor tenha misericórdia de nós e não permita que sejamos cegos para a hipocrisia e altivez que espreita nossas almas! Veja que o fariseu orava para si mesmo, para obscurecer a consciência de sua dívida, confiado em sua religiosidade e em suas boas obras; por isso ele adentrou o templo sob a Ira de Deus, e sob a Ira de Deus desceu para sua casa. Nenhuma das suas boas ações, nem a sua dedicação religiosa, nem seus jejuns, nem sua obediência externa à Lei, nem seus dízimos - nada do que fez pôde torná-lo verdadeiramente Santo e Justo. E Deus não exige nada menos do que santidade absoluta e perfeita justiça para estar sob Seu Favor. “Sede santos porque Eu sou Santo” [1 Pedro 1:16] diz o Senhor; Ele mesmo é o padrão da santidade que Ele exige: “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração; Aquele que não difama com a língua, nem faz mal ao próximo” [Salmo 15:1-3] e “Nela [Nova Jerusalém] nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira” [Apocalipse 21.27]. Assim, o fariseu não obteve o favor de Deus; antes, a Sua Ira porque, por mais que se esforçasse em seus deveres, jamais alcançaria perfeita justiça; e pior, por considerar que a mínima retidão que possuía era digna do favor de Deus, ele menosprezou a santidade do Senhor e imaginou um falso deus, muito menor e mais débil que o Santo, Santo, Santo Deus Altíssimo e Eterno. O fariseu permaneceu nas suas injustiças, cego em seus pecados, porque quis alcançar ao Senhor com sua própria força, pela sua própria obediência. Mas ninguém será justificado por obras [Romanos 3:20, Gálatas 2:16]. Agora atentemos para o que Jesus Cristo nos ensina acerca do ocorrido com o publicano. Ora, o pecador publicano, tão ciente de sua miséria a ponto de nem levantar os olhos aos céus, ofereceu apenas seus pecados ao Senhor; não ostentou pretensas boas ações, mas clamou por Sua misericórdia. E o que ocorreu? Ele foi declarado justo! Deus o perdoou e o enxergou como justo, pela retidão que há em Cristo, onde reside toda Misericórdia e Graça. O coração do publicano estava cheio de genuíno arrependimento, seu espírito sinceramente quebrantado diante do Altíssimo, sua mente tomada por ódio aos seus pecados e vergonha de sua miséria. Ele conhecia sua necessidade de perdão e conversão; ele sabia que só Deus podia dar-lhe um coração novo em Cristo. Ele se humilhou, ele implorou. E o publicano desceu para sua casa justificado.
Eis, sobre todos os povos, bendito Eternamente, o Deus que perdoa pecadores e converte os caminhos destes para o bem! Eis o Deus que está perto de cada um de nós, Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. E é em Cristo, pela Sua perfeita justiça, que Ele pode ouvir seu clamor; em Cristo Ele pode receber sua fé e no Sangue de Seu Sacrifício, você pode ser lavado de suas iniqüidades; Sim! No Precioso e Santo sangue derramado na Cruz.
Desista de toda sua justiça, desista de buscar méritos em si mesmo, desista de comprar o favor de Deus com o seu trabalho. Cristo nos ensina, e toda a Escritura nos fala o mesmo: Não é o seu esforço, nem sua caridade; não são cerimônias religiosas e sacrifícios próprios, não é nenhuma “lei cármica” ou princípio de “evolução interior”; enfim, nada disso liberta o homem e dá o favor de Deus. Todas estas coisas são falsas, umas são fábulas e outras nada são por si mesmas. Todas estas coisas, se consideradas como caminho de justiça, apenas farão de você um escravo e demonstrarão sua condenação nos sofrimentos causados pelos seus próprios pecados. Elas não têm nenhum poder contra as vontades malignas da carne, nem nenhum poder para Salvação. Porque Deus pôs uma pedra de tropeço para todos que tentem chegar a Ele pela sua própria força. E esta pedra é a consumação da Graça da Salvação na Cruz de Cristo. “Está consumado!” [João 19:30] disse o Cristo na Cruz. Está finalizada a obra da Salvação de todos que, por fé, olham para Jesus como “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” [João 1;29], e como autor do sacrifício na Cruz que cancela o escrito de dívida, que era contra nós [Colossenses 2:14]. A obra da Salvação já foi feita, fora de nós, sem a nossa participação! Agora Deus nos anuncia estas Boas Novas, e aguarda apenas que todos os que haverão de se salvar, creiam! Sim, nossa Salvação vem de Deus,“não de obras, para que ninguém se glorie” [Efésios 2:9].
Quão humilhante isto é para o homem que crê poder construir o próprio caminho para o estado eterno! Quão difícil para todos os soberbos e hipócritas que desejam fazer de si mesmos seus próprios deuses! Mas igualmente quão maravilhoso é para os fracos, quão maravilhoso para os cansados e pecadores! Ouça-me o cansado, ouça-me o aflito, ouça-me o pobre de espírito, ouça o chamado da Graça que proclamo: há esperança para o pior dos pecadores, pois Cristo não veio para os sãos, mas para os doentes; não para chamar os que se consideram justos, mas para chamar os pecadores ao arrependimento [Mateus 9:12-13]. A Salvação de todo o que crer já foi feita, o Senhor Jesus Cristo já completou-a no Calvário, pendurado no madeiro, tomando sobre Si as nossas dores e recebendo a paga pelos nossos pecados. Sim, “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” [2 Coríntios 5:21]. Oh, como é doce e suave a promessa de nosso Celeste Rei! Quão próxima e acessível está a estreita porta que leva ao estreito caminho para a morada eterna na Jerusalém Celestial! Que imensa liberdade recebem os que crêem em Cristo: são libertos dos seus pecados e das pesadas exigências dos ensinos dos homens! Que fardo terrível cai de nossas costas ao sabermos que o Senhor já comprou nossa Salvação e que somente precisamos crer para sermos salvos! Que grande peso podemos deixar aos pés da Cruz! Quão grandes são a sabedoria e o amor de Deus, pois Ele escolheu a pureza e a simplicidade do arrependimento e da fé verdadeiros para trazerem sobre o pecador o Seu perdão e favor eternos.
Que o Senhor nos leve a curvarmos nossas cabeças em submissão e arrependimento; que o Senhor nos leve a abandonarmos nossa justiça própria e confessarmos nEle que o Cristo morto por nós e ressurreto para a Glória, é o Senhor de nossa Salvação; que nEle foi consumada a nossa morte por causa de nossos pecados e que somente nEle está toda retidão que precisamos oferecer a Deus. Confessemos nossa necessidade, nossa pecaminosidade e incapacidade, e busquemos-nO com coração quebrantado e arrependimento verdadeiro. Somente assim receberemos dEle a bênção de sermos feitos Seus Filhos, de sermos aceitos como justos diante dEle, de termos Seu favor, de termos Seu Espírito habitando em nós e, por isso, seguramente esperaremos o dia em que nossa alma imortal, em um corpo ressurreto e glorificado, habitará com o Senhor, na Jerusalém Celestial, para sempre e sempre.
Esta nova série de artigos do Jardim Clonal tratará da Esperança da Igreja em Tempos de Apostasia. Serão apresentados, em várias edições, estudos em escatologia (comparando o que os textos da Epístola de São Paulo aos Romanos capítulo 11, do Livro do Profeta Daniel Capítulos 9, 11 e 12, do Evangelho de São Mateus capítulo 24, das Epístolas de São Paulo aos Tessalonicenses, da Epístola aos Hebreus e do Livro de Jeremias podem nos ensinar sobre a decadência da Falsa Igreja, a Apóstata que se deita com a Mãe de Todas as Abominações - bem como sobre a vitória e progresso da Verdadeira Igreja, a Pura Noiva de nosso Senhor Jesus Cristo). Oremos para que o Senhor nos abençoe nestes estudos, para que Sua Palavra seja apresentada aqui pura e límpida, sendo refrigério para nossas almas em tempos trabalhosos e fonte perene de esperança e forças levando-nos a conhecermos, pela Graça de Cristo, o poder das palavras do Apóstolo Paulo quando diz: já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim [Gálatas 2:20].
A Fé e a Piedade dos Puritanos
Algumas vezes, nos círculos teológicos da Internet, a Igreja Congregacional Kalleyana tem sido chamada de Igreja Congregacional Puritana. A razão disto é que Robert Reid Kalley tinha todas as características de um Puritano do século XIX, características as quais temos lutado para resgatar em nosso meio desde que iniciamos o processo de Reforma em nossas congregações. Processo este que, pela Graça de nosso Senhor, deu à luz a nossa denominação. A este respeito, o tema número 32 de um de nossos Símbolos de Fé (chamado Reflexões Bíblicas) diz que “o Puritanismo pode ser considerado um dos mais sublimes e santos modelos de vida cristã de todos os tempos”. Esta afirmativa não é, em nada, exagerada. Portanto, ainda nos falta muito para sermos realmente uma Igreja Puritana. Contudo, peço ao Senhor que não nos permita esmorecer, mas que nos dê, pela Fé em Cristo, uma porção do Seu Espírito como a que foi derramada sobre aqueles Santos homens do passado.
A teologia e a piedade Puritanas encontram poucos pares em toda história da Igreja. Como um movimento, o Puritanismo teve mais influência sobre a história do Protestantismo do que qualquer outro grupo isolado. A sua teologia moldou-lhes uma atitude ante o mundo que é a perfeita expressão da doutrina calvinista da Soberania de Deus. Eles realmente viviam como quem crê em um Deus que é Todo-Poderoso e ordena todas as coisas para o bem daqueles que amam ao Senhor, daqueles que são chamados segundo o seu propósito [cf. Romanos 8:28]. Um de seus lemas - vincit qui patitur (o que persevera no sofrimento, conquista) – demonstra quão firme era a expressão de sua Fé. Uma firme crença no cuidado e nas promessas de Deus, a qual é visível:
É verdade que muitas dessas vitórias foram transitórias, contudo, como podemos ver na história do Reverendo Puritano Robert Kalley, aquelas poucas vitórias que não são transitórias colaboram para o progresso do Evangelho de tal maneira que obscurecem até as inúmeras derrotas que os Puritanos usualmente sofriam. Porque, no sacrifício amoroso que esses homens fizeram por Cristo, gerações e gerações foram beneficiadas: dos ensinos dos Puritanos ingleses do século XVI surgiu a bela obra do Rev. Jonathan Edwards no século XVIII, renomado como um dos três maiores teólogos da Igreja, ao lado de João Calvino e de John Owen. E nas obras de Jonathan Edwards e John Owen nos foi legado o precioso entendimento da soberana obra do Espírito de Deus, que em tempos de apostasia, opera três grandes obras da Graça - preserva um remanescente para Glória de Deus, reaviva o povo de Cristo e fomenta a Reforma da Igreja e do mundo. E todas estas operações do Senhor por meio desses servos encontra impulso na firme crença Puritana de que nem todos os sínodos do inferno em conjunto podem prevalescer contra a Igreja de Cristo [cf. Mateus 16:18]. Foi esta firme Fé que preparou o coração dos grandes missionários do século XVII em diante e que deu força às palavras de grandes pregadores do século XIX, como William Wilberforce, que comumente instruía aos Cristãos, pela Palavra, a não ver o mundo como um navio naufragando e do qual as almas dos homens têm de escapar, mas como propriedade adquirida de Cristo, a cujo reino a terra e sua plenitude pertencem [cf. Mateus 28:18, Atos 2:34-35].
Como examinamos mais detidamente em um texto passado do Jardim Clonal, aquilo que cremos molda nossa moral - nossa prática de vida é um reflexo de nossas doutrinas. Pois a Palavra de Deus e a alma humana formam um conjunto perfeito, uma vez que a alma foi criada para que a Palavra habitasse nela. Portanto, qualquer distorção na Palavra, qualquer falha na pregação do inteiro conselho de Deus, gerará uma falha na alma. Ora, as doutrinas Cristãs pregadas desde os tempos Apostólicos sofreram terríveis ataques no século XX, e, com isto, a esperança e a vida Cristãs foram terrivelmente afetadas – e, portanto, a alma Cristã foi terrivelmente afetada. O Dispensacionalismo, por exemplo, é uma doutrina que inexistia até o século XIX; é oriunda de pretensos arroubos proféticos e pesadelos - forjada aos pés do herético fundador de seitas chamado Edward Irving. Antes de prosseguir, lembremo-nos de que Satanás é astuto e muito ardiloso em suas armadilhas. Digo isto porque costumamos pensar que uma vez refutada a falta de bases bíblicas- que é a divisão arbitrária das dispensações deste falso ensinamento - e uma vez refutado o absurdo a respeito das múltiplas voltas de Cristo e ressurreições, esta heresia está eliminada. Pensemos no que, comumente, dizem as Escrituras, ao provarmos por elas que:
1) Há uma só promessa (ou seja, um só plano de redenção em Cristo) para a qual todas as Alianças (ou Testamentos) de Deus apontam [cf. Efésios 2:12] - em lugar da errônea visão Dispensacionalista que propõe vários pequenos sistemas com promessas próprias e dois grandes planos (um para Igreja e um para Israel) com promessas diferentes;
2) Há um só povo de Deus, pois a Igreja sempre subexistiu oculta em Israel e, uma vez tendo sido revelada, é anunciada como parte da mesma Oliveira à qual tantas profecias do Velho Testamento se referiam e que era tida como símbolo do verdadeiro Israel - porque nem todos de Israel eram verdadeiros Israelitas, e nem todos filhos de Abraão segundo a carne eram filhos de Abraão segundo a promessa [cf. Romanos 9:6-8; 11:17-24; Gálatas 6:16];
3) Há muita inconsistência nas afirmações dispensacionalistas. Por exemplo, na Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, Capítulo 15, versículos
4) Há somente uma segunda vinda de Cristo, segundo a Escritura. Este evento pode ser chamado de parousia, epifania ou revelação, o que é claramente compreendido pela comparação dos textos parelelos sobre este acontecimento, e onde podemos notar, pela ordem e descrição, que tratam de um único evento [ cf. Mateus 24:3; 1 Coríntios 15:23; 1 Tessalonicenses 3:13, 4:15,16 e 5:23; 2 Tessalonicenses 2:1,8; Tiago 5:7; 2 Pedro 3:4 e 1 João 2:28]. Há ainda, a afirmação clara do versículo 28 do Capítulo 9 da Epístola aos Hebreus, onde está escrito que Cristo aparecerá uma segunda vez. Não que nosso Senhor aparecerá uma segunda e uma terceira vezes, mas apenas uma segunda vez. Aparição esta que não é em nada secreta, mas com voz de arcanjo e com a trombeta do Senhor, todo olho o verá, sendo esta parousia também chamada de o dia do Senhor, dia tantas vezes citado na Escritura [cf. 2 Tessalonicenses 2:1,2; Apocalipse 1:7, Atos 1:11] o que contraria mais uma invenção dispensacionalista. Igualmente, a Escritura nos fala de só uma ressurreição,de ímpios e justos, exatamente no dia do Senhor [cf. João 6:39-40, 44, 54; 11:24; Mateus 13:30].
Esta é a última edição desta série de estudos sobre a relação entre a visão de mundo da sociedade descristianizada e a cosmovisão bíblica. Já mostramos as falhas da visão de mundo pós-cristã, e como seu fundamento científico não é tão confiável quanto seus proponentes afirmam ser. Já mostramos também o que a Escritura é suficiente e necessária para todo Cristão, que a Palavra está intimamente relacionada com o ser de Deus e que é o meio apontado pelo Senhor para a operação a Redenção em Cristo no coração dos homens e conseqüentemente, na sociedade. Agora, estabeleceremos um diálogo que partirá do conhecimento da Escritura em direção à cultura que nos permeia, com o objetivo de esclarecer o profundo e espiritual sentido de Gênesis e sua perfeita racionalidade, usando (e buscando equipar os Cristãos para que saibam usar) linguagem e comparações acessíveis ao homem contemporâneo.
Um Esboço de Gênesis
Primeiro, devemos compreender parte do proveito da posição desta narrativa, como primeiro capítulo da Escritura. Dizem os incrédulos: Seria melhor começar de outra forma, este relato da criação não me convence; alguns deles (ainda com menos temor e mais tolice) até sugerem: Poderia começar com provas sobre a existência de Deus e com métodos que permitissem comprovar isto. Porém a Escritura nos diz que sem fé é impossível agradar ao Senhor e que “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Assim, a Escritura requer que quem se aproxima de Deus creia que Ele existe; quem se achega à Bíblia deve assumir, anteriormente, que Deus existe e que Ele recompensará esta busca – de outra forma é inútil aproximar-se da Escritura, pois o homem incrédulo, quando de coração endurecido, não será capaz, pela sua natureza perversa, de submeter-se ao que o Senhor ensina em Sua Palavra. Antes, o incrédulo, com seu entendimento entenebrecido, entra em uma disputa com o texto da Bíblia, julgando-se mais sábio e, com curiosidade maligna, inquire a Escritura para destruição e não para aprendizado. Por isso a Escritura, em seu primeiro versículo, diz apenas “No princípio, criou Deus...” - para que o coração humano não seja incitado ao erro de enveredar-se em pecaminosa curiosidade, mas para que seja simplesmente instruído a crer em Deus como Verdade inicial para reflexão sobre a cosmovisão Bíblica. Munidos desta compreensão obtida pela luz de Hebreus 11:6 e Gênesis 1:1 podemos perceber o início da Escritura como algo mais do que uma simples narrativa da Criação do universo, pois, em Gênesis:
1) Moisés emparelhou e diferenciou, propositalmente, as antigas narrativas (Gênesis 5:1, cf. Números 21:14) da Verdadeira Criação (possivelmente preservadas por profetas antediluvianos como Enoque, e pósdiluvianos da descendência de Noé) e as figuras e linguagens do antigo Oriente próximo. Desta forma, relatos míticos como o Enuma Elish, a Epopéia de Atrahasis e a Epopéia de Gilgamesh, são corrigidos e contrabalanceados pela Verdade da Escritura. O fato de que haviam essas histórias sobre a Criação no Oriente próximo, e de que elas guardavam certa semelhança com a base sobre a qual Moisés escreveu Gênesis, demonstra como antigas narrativas da Verdadeira Criação foram preservadas não só junto aos Hebreus, mas a todos os povos. Porém, em tais relatos míticos estrangeiros, os homens acrescentaram e alteraram a Verdade para favorecerem seus pecados. Moisés, em Gênesis, resgata a Verdade antiga mantendo a comparação com os mitos da época – de um modo que nem a Verdade foi subtraída em nada, nem a Escritura foi composta de uma forma completamente alheia ao povo. Aparentemente isto cria um hiato entre a linguagem de Gênesis e a nossa cultura, que não possui mais os símbolos e figuras dos Hebreus e do antigo Oriente. Contudo, segundo a inspiração do Santo Espírito, Moisés teceu Gênesis na forma de uma defesa da concepção de vida Cristã contra as diversas formulações filosóficas representadas por estes mitos, representações filosóficas que são basilares aos diversos sistemas de pensamentos não-Cristãos, inclusive aos que existem hoje. Como já notamos, essas mitologias haviam derivado da Verdadeira história da Criação e, por isso, podemos afirmar que suas verdades essenciais devem seus elementos à Verdade Revelada de Deus. Portanto, ocorre entre Gênesis e estes mitos de Criação, o mesmo que demonstramos, na Edição número onze, ocorrer entre a cosmovisão Cristã e a Científica: a Ciência acaba devendo ao mundo Cristão e à natureza de Deus todas as suas bases. Como os homens torcem as conseqüências dessas premissas para fugirem da condenação que o desenvolvimento lógico delas anuncia (condenação para todo o que não se submete ao Senhor), as visões de mundo produzidas por eles são sempre autocontraditórias. Por exemplo, no capítulo 1, os versículos 1, 3, 9, 11, 14, 20, 24 e 26 nos dão base para destruirmos os argumentos das filosofias panteístas (acreditam que seu deus e o universo são uma só coisa), e os versículos 14-18 nos instruem sobre como eliminar as premissas das cosmovisões que idolatram, direta ou indiretamente, os corpos celestes. É deste ponto que concluímos que Moisés nos legou mais do que um simples relato da Criação: Gênesis formula a base apologética da defesa da Fé Cristã – a descrição de um padrão interno à Fé, um padrão que inicia com um salto de confiança ao assumir como verdadeira uma proposta Revelada por Deus na Escritura, uma proposta que sustenta a lógica do sistema, permite a dedução de outras verdades e se retroalimenta das evidências do sistema (pelo fato do sistema não se refutar em nenhuma de suas partes).
2) Há uma repetida e constante descrição dos termos da Aliança ou Pacto firmado pelo Soberano Rei do Universo com Seu Povo Escolhido. As narrativas de Gênesis ilustram a Lei de Deus (que regula a Aliança) através da aplicação histórica e do relato da origem de cada preceito. Em Gênesis 2:2-3 temos o princípio Sabático; em Gênesis 17:9-14 temos, na circuncisão, o princípio da confissão pública e corporativa de fé na admissão de um homem ao Povo da Aliança, assim como o princípio de que cada membro do Povo pertence plenamente ao Senhor – que será o provedor de seu crescimento. Note, ainda por paralelismo, que os versos do capítulo 1 de Gênesis também denotam esta noção Pactual de Deus; especificamente elas introduzem o conceito de que Deus age segundo a figura de um Suserano, ou seja, de um poderoso Rei cuja nação se apodera das relações exteriores de uma nação menor, para segurança e provisão da mesma, fazendo dela uma nação de servos e de seu rei, um vassalo. Nos três primeiros dias da Criação, Gênesis relata Deus forjando um reino a ser dominado. São criados os céus empíreos - a habitação do trono de Deus e dos Santos anjos, a imensidão do espaço exterior e a massa desforme que seria moldada em nossa habitação (isto só no versículo 1). Segue-se a criação da Luz (Gênesis 1:3) - uma superestrutura de luz ainda não instanciada em nenhum veículo (o sol e as estrelas só seriam criados no quarto dia) porém já nomeando o dia e a noite segundo a separação que Deus faz entre esta luz e as trevas que “haviam sobre a face do abismo” (Gênesis 1:2). O Senhor cria ainda, em seqüência, o firmamento (Gênesis 1:6), os mares e a terra seca (Gênesis 1:9) e a vegetação (Gênesis 1:11). Estes elementos representam a Provisão de Deus em suprir um reino, um ambiente a ser governado, uma nação de servos. Nos três dias seguintes, o Senhor provê os governantes: luzeiros para “governarem o dia e a noite” (Gênesis 1:18); os animais para multiplicarem-se, dominando seus ambientes (Gênesis 1:20-22), e o homem para dominar “sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam” (Gênesis 1:26;28; Salmo 8:6-8). Assim o Senhor aproxima-se da própria Criação, desde seus primeiros momentos, de forma Pactual. Deus faz-se a Majestade dominante (Salmo 8:1;3) e evidente sobre toda a Criação, a quem empresta Glória na qual é louvado. Como poderoso Rei, Deus institui governos e leis sobre o reino dominado, onde cada governador é seu vassalo. Vemos, no Salmo 19 nos versículos de 4 a 6, Deus sendo louvado pela obediência do sol em cumprir seu caminho diário, segundo o Senhor o instituiu a fazê-lo. Da mesma forma como o sol governa o dia (Gênesis 1:20) e, como vassalo, submete-se em seu domínio ao Deus Criador, segundo os termos de uma Aliança criada e mantida somente por Deus, assim Adão foi instituído governador sobre a Criação, para submetê-la consigo mesmo ao domínio de Deus, segundo os termos de uma Aliança criada e instituída por Deus. Contudo, Adão foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:26). Ele foi feito representante perfeito e ideal de Deus, corpo e alma, feito para relacionar-se com o Criador, para compreender e responder ao Pacto que Deus firmou com ele, andando em santos caminhos e reinando de forma benevolente. Diferente de tudo o mais na Criação, o ser humano foi criado como ser pessoal e autoconsciente, e não era impelido por nada em sua natureza, nem para obediência nem para desobediência. Teologicamente, chama-se a Aliança de Deus com Adão de Aliança das Obras, porque a permanência do estado de plenitude em Cristo, desfrutada por Adão, dependia de uma perfeita e absoluta fidelidade ao Senhor. Não havia misericórdia para o pecador, apenas condenação irrevogável: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 3:17). E Adão quebrou este Pacto com o Rei e Deus Eterno, tomando o fruto oferecido por Eva (Gênesis 4:6); nisto ele selou uma outra Aliança que perdura até hoje: a comunhão da carne com Satanás, o “deus deste século” (2 Coríntios 4:4). Que infeliz este Pacto com o príncipe da morte e das trevas! Porque em Adão todos caímos (Gênesis 6:5; 1 Coríntios 15:22; Romanos 5:12,19), pois, sendo ele governador de toda Criação, seu Pacto com Satanás foi um conluio entre o império das trevas e o domínio do homem intentando uma rebelião contra o Reino da Luz. Neste rebelião a própria Criação manifesta o caráter do Maligno e oculta a perfeição da Glória de Deus para a qual foi feita (Gênesis 3:17-19). Porém toda esta rebelião é imediatamente abortada quando, para Glória de Seu Santo Nome, Deus revela, na falência da Aliança das Obras, o Pacto da Graça. O Senhor não destrói Adão e Eva imediatamente, mas conserva-os na promessa da revelação futura do Mistério da Piedade que Redimirá a Criação e esmagará o astuto Enganador que seduziu Eva à desobediência (Gênesis 3:15). O conhecimento da Divina Aliança da Graça é o fio que conduz ao entendimento da Soberana ordem do Senhor em executar Seu plano de Redenção através da história. Somente na compreensão de que o Senhor é Javé, o Deus da Aliança que age por amor ao próprio Nome, repousa a confiança na Provisão e cuidados d'Aquele que preparou e preservou um reminiscente puro no meio de Israel corrupto e que tem feito todas as coisas cooperarem para a congregação e santificação de uma comunidade eleita e separada que peregrina pela terra rumo à Jerusalém Celestial. Somente na compreensão da Aliança da Graça de Deus podemos vislumbrar a perfeição da obra de Cristo, o “Mediador de uma nova aliança” (Hebreus 12:24) na qual todos as sombras do Velho Testamento se tornam claras em seu sentido, e a Graça se manifesta desvelada. Na Aliança da Graça o pecador pode se aproximar de Deus, confiado em Cristo, tendo o sacrifício dEle por expiação de seus pecados e tendo a perfeita obediência do Senhor (que venceu onde Adão falhou) como garantia da herança com os Santos na Glória, segundo a união de todos os Cristãos no Corpo de Cristo.
Alguns questionamentos comuns a respeito de Gênesis
Tendo já vislumbrado parte da profundidade de significados do Livro de Gênesis, lembrando que em tantos outros aspectos já nos confrontamos com a perversão do conhecimento humano em comparação com a perfeição do conhecimento Divino, peço ao Senhor que cada leitor esteja, cada vez mais, adquirindo uma mente espiritual, segundo a Graça de Cristo Jesus, para compreender quão mesquinhas são as questões levantadas pelos altivos homens pós-Cristãos contra este Livro da Escritura. Contudo, para que não se nos acusem de não termos respostas, e para munirmos nossos Cristãos de pontos de contatos úteis em conversas comuns com não-Cristãos, pontos que podem levar às questões mais profundas que denunciam o pecado e mostram a necessidade de arrependimento do pecador. Por estes motivos, responderemos alguns destes questionamentos:
1) Foram seis dias literais de Criação?
A forma de interpretação bíblica que se fez presente em todas as igrejas sadias na História, (a qual foi exaltada pela Reforma) é aquela que toma o texto no sentido mais natural possível, segundo a linguagem da época em que foi escrito, segundo a intenção do autor e o contexto da Escritura e do povo a quem aquela Escritura foi direcionada e, ainda, segundo o estilo literário da porção avaliada. Por isso, é importante notarmos aquelas diferenças enunciadas na última edição de nosso periódico, a respeito dos estilos do livro de Apocalipse e do livro de Gênesis. Apocalipse é enunciado como profecia simbólica, muitas vezes puramente alegórica. Gênesis, no entanto, sempre que referido na Escritura, é referido como livro histórico (Mateus 19:4-6, Marcos 10:6-8, Atos 17:26, Romanos 1-2,5:12-21,16:20, 1 Timóteo 2:13, 1 Coríntios 11:8, etc.). Não é difícil percebê-lo quando vemos que existe uma progressão no livro, relatando Adão e Eva (cuja existência é questionada pelos aduladores do cientificismo), depois Caim e Abel, Sem e daí aos povos Semitas até a vida de Abraão (que é historicamente inquestionável) e daí em diante – não há uma divisão no livro, ele simplesmente segue a narrativa de Adão até as 12 tribos de Israel; e quando vemos que não há na Escritura casos onde elementos decididamente reais (como Deus, o dia, a noite, a luz, os animais, etc.), sejam citados em um sentido casual misturados com elementos simbólicos (por exemplo, Deus não aparece como Deus em nenhuma parábola, mas é representado simbolicamente, como quando é representado como o “dono da vinha” ou como o “pai do filho pródigo”). Gênesis é, claramente, um livro histórico. Assim podemos entender Gênesis simplesmente de maneira literal (desde que, é claro, atente-se e pondere-se o uso de figuras de linguagem comuns, como o antropomorfismo). Os dias da Criação, por exemplo, quando estudados cuidadosamente, nos conduzem a concebê-los como dias literais. A palavra yom, que em hebraico significa dia, é usada, quanto aos dias da Criação em Gênesis, exatamente com seu sentido mais óbvio: de um dia. Um dia de 24 horas? Sim, como vemos pela repetição da frase tarde e manhã em todo relato da Criação. Se, como alguns, influenciados por idéias liberais (muitas vezes sem sabê-lo), têm afirmado, esses dias equivalessem a “Eras Geológicas” (períodos de milhões de anos) então teríamos uma grande dificuldade em explicar o que é uma “manhã” e uma “tarde” em uma era geológica. Este é um outro exemplo de interpretação da Escritura com base na Ciência; a concepção sobre a Bíblia é alterada para se amoldar à Ciência. Porém a Ciência é falha, como estabelecemos no início deste estudo e, enquanto alguns cientificistas dão a própria vida para defenderem uma Terra com bilhões de anos, outros apresentam teorias que apontam para um planeta com não mais que 10.000 anos de existência. Soma-se ainda, ao argumento a favor de que Gênesis ensina uma criação em seis dias de 24 horas o fato de que Deus descansa no sétimo dia. Teria Deus descansado durante toda a “sétima Era”? E o que significaria isto, que era foi esta? E, se Deus descansou durante um período indeterminado de tempo, sem relação proporcional com os outros períodos de tempo (pois uns seriam maiores do que os outros), que sentido tem evocar este fato para estabelecer que nós descansemos um período proporcional de dia de 24 horas em cada sete dias de 24 horas baseados no fato de Deus ter descansado um dia em sete? (cf. Êxodo 20:8-11).
2) Porque Deus criou o mundo em seis dias e não instantaneamente?
É muito comum as pessoas questionarem: caso Deus seja onipotente, porque Ele demorou 6 dias para criar o mundo? A resposta é muito simples. Como em tantas outras partes da Escritura, Deus acomodou Seu poder e ação ao entendimento humano porque desejava comunicar-nos algo. No versículo 1, vemos que o Senhor criou os céus instantaneamente (que céus, como já dissemos, é muito acertadamente compreendido como os céus empíreos, a esfera de existência celestial onde habita o Senhor e Suas hostes de Anjos). Foram feitos imediatamente perfeitos. Não havia necessidade de um criação temporal dos céus porque eles não foram feitos para que os contemplássemos e, meditando neles, aprendêssemos sobre o Criador. Porém a terra foi feita para isto, nosso mundo foi, desde o princípio, formado com o objeto de ser uma Revelação sobre o Criador, um Livro escrito em matéria que, quando lido pela imagem de Deus no homem, falasse do próprio Deus, Sua Glória e Seu poder. Portanto, Deus criou o mundo em seis dias para comunicar-nos realidades espirituais e instruir-nos no conhecimento dEle.
3) Como era o mundo na época da Criação?
A Ciência e a Escritura concordam que a Terra também era um lugar muito diferente na sua juventude. Porém os dogmas racionalistas e materialistas do cientificismo forçam a explicação e a investigação dessas hipóteses ao campo do observável nos dias de hoje. A Escritura, no entanto, trazendo testemunho da Criação, afirma o que o cientificismo não poderá alcançar jamais, e desenha um cenário intrinsecamente mais consistente e crível do que qualquer coisa alardeada pela falsa ciência até os dias de hoje! E isto é de tal maneira impressionante que, por exemplo, a ordem de Criação dos corpos celestes e das leis físicas, foi aceita pela Ciência exatamente como narrada em Gênesis, por necessidade lógica e teórica, apesar de não ser possível comprová-la empiricamente. No primeiro versículo, Deus cria, a partir do nada, os “céus” e a “terra”. Esta Terra era “vazia e sem forma” e estava sobre um abismo. Entende-se daqui uma massa estranha, emergente de um caos inóspito, por ação do Criador; esta massa estava solta sobre o vazio espacial. Esta indefinição é referida por Moisés também como “águas”, no sentido de que essa ordem primordial é tão indistinta quanto uma coleção de mares invadindo e ajeitando-se sobre uma terra antes represada ou como uma massa mole de argila nas mãos de um habilidoso escultor. Sobre esta massa o Espírito de Deus inspira a ordem, e Ele mesmo a preenche e sustém. Na medida que a Criação prossegue, mais e mais ordem se expressa, seguindo-se, entretanto, este princípio observado: a ordem é lógica e necessária, é demonstrada em uma crescente complexidade e estabilização e expressa-se na Providência e Sabedoria de Deus em usar tanto meios diversos, quanto em agir imediatamente sobre o mundo. O resultado primário é uma terra paradisíaca em todos sentidos, tanto na geografia quanto no clima, tanto na distribuição dos animais quanto na ausência de violência expressa no fato de que todos se alimentavam apenas de vegetais. Possivelmente, havia menor variedade de animais, de modo que Adão pudesse dar nomes a todos eles e de modo que todos estivessem presentes no Jardim. É como se cada animal de hoje possuísse um antepassado que era o protótipo geral de todos os animais semelhantes a ele; por exemplo, é como se todos seres aparentados do cavalo possuíssem um protótipo eqüestre que era o cabeça, o primeiro, o concentrador genético, de todos os animais desse tipo. Ao menos é o que se pode entender da expressão hebraica baramin, usualmente traduzida como tipo ou espécie (Gênesis 6:19), e pelo contexto do Livro. Adão mesmo era o protótipo genético de todos os seres humanos; porque ele era o cabeça da espécie, e dele vieram todas as raças: brancos, negros, amarelos. Ele continha em si toda a informação primordial necessária para derivar estas raças. Além disso, algo mais era diferente: não havia doenças, nem mal algum. Todos eram extremamente longevos, creio que tanto os homens (que poderiam viver 9 séculos!) quanto os animais. O que poderia ocasionar que alguns se tornassem verdadeiros gargantuas, como o chamado behemot – um enorme e fortíssimo ser parecido com um dinossauro descrito no Livro de Jó, capítulo 40. Tudo isto, porém, se degenerou pela contaminação do pecado que adentrou o universo por ocasião da desobediência de Adão e Eva - surgiram venenos, doenças, catástrofes ambientais. A Criação se volta contra o próprio homem, que deveria ser seu regente. E a morte reinou sobre a terra.
4) Com quem os filhos de Adão e Eva se casaram?
Adão era um homem que, segundo os padrões que a ciência atual criou, talvez fosse considerado até mesmo como outra espécie humana. Ele não possuía nenhuma falha genética, seu DNA não conhecia mutação. Ele era perfeito em tudo. Nele não havia doenças ou síndromes hereditárias, nem tendências ao desenvolvimento de doenças quaisquer. Na verdade, como respondemos na pergunta anterior, não havia nem sequer doenças antes de Adão pecar. Porém, não nos confundamos, havia dor. Por ocasião da queda, Deus fala a Eva: “multiplicarei as suas dores de parto”, portanto já havia dor antes da queda, havia algo a ser multiplicado. O que, aliás, faz com que compreendamos que a dor, de modo geral, não é algo ruim em si mesmo (mas algo que já fazia parte da boa criação de Deus). Contudo, as dores se tornaram aflitivas ao ser humano, como tantos outros “cardos e espinhos” que surgiram por conseqüência da desobediência. Voltando à questão levantada, é por causa da pureza genética (e da longevidade citada acima) que entendemos com quem os filhos de Adão e Eva se casavam: eles se casavam entre si. Não geravam prole defeituosa porque, pela total pureza genética de Adão e Eva, pela ausência completa de defeitos e qualidades negativas em seu DNA, seus filhos não tinham como herdar tais coisas. Portanto, não havia uma maior probabilidade de que uma determinada doença ou tendência destrutiva se manifestasse pelo casamento intra-familiar. Pela decadência da humanidade, conforme os frutos do pecado se tornavam mais evidentes na Criação decaída, é que foram surgindo degradações genéticas e doenças que impossibilitaram o casamento intra-familiar.
Conclusão
Depois desta longa jornada nestes embates sobre Gênesis, tenho a impressão de que passamos mais tempo expondo as bases de nossa Fé e suas aplicações, em contraste com a falta de bases da metodologia cientifica e de seus filhotes, do que falando efetivamente sobre Gênesis. A causa disto é que o problema dos falsos Cristãos, dos Cristãos débeis e das igrejas adoentadas, não está na Escritura em si, nem no que a Escritura diz. O problema está em seus espíritos. Porque suas mentes não se renderam de forma plena aos pés da Cruz, suas almas não abandonaram os sonhos e as lembranças do Egito - são pessoas que não desistiram de suas próprias idéias e experiências para aceitarem a Escritura como regra suprema e veredito final sobre todas as questões da existência. Ainda pensam como escravos e ainda querem as panelas de carne e os deuses cegos e manipuláveis daquelas terras malditas. E este não é exatamente um problema da era pós-Cristã: é simplesmente a constante ressurgência da tentativa de sintetizar o pensamento Cristão com alguma filosofia de determinada época - a ressurgência da covardia de não querer enfrentar o mundo, de não querer carregar a Cruz, de não querer perder tudo por amor a Cristo. Foi esta doença espiritual que acometeu os Coríntios no mais terrível grau, e contaminou aos Colossenses e aos Gálatas causando consideráveis perdas. Foi esta lepra interior que arrastou a igreja, séculos depois, em direção às pressões para alegorizar Gênesis de modo que se encaixasse na filosofia de Aristóteles – e lembremos que esta sincretização, especificamente, foi um forte assentamento para construção do trono Papal do Anticristo.
Por isto, convoco todos os amados leitores, sejam incrédulos, Cristãos fracos ou Cristãos já firmados em Cristo e na Palavra; convoco que contemplem Cristo em Gênesis, que contemplem comigo o anúncio final e constante do descanso eterno dos Santos. Basta seguir a estrada dos atos Soberanos de Criação e vê-lO, após seis dias de trabalho, demonstrar-nos a consumação dos séculos na figura do sétimo dia – o Sabbath do Senhor, o descanso de Deus. Porque tem existido um descanso prometido desde o sétimo dia da Criação (Gênese 2:2), um descanso no qual todas as gerações de desobedientes impenitentes jamais conseguiram entrar (Hebreus 4:6), ficando sem esperança, mas no qual aqueles que crêem serão bem vindos, para a vida (Hebreus 4:3). Ora, se mesmo Adão, arrependido, foi recebido na Graça, por causa de Cristo, porque hesitaria algum de nós em buscar perdão e retidão junto ao Senhor, com sincero arrependimento e humildade? Porque somos, se cremos na Salvação que vem do Senhor, convidados a aguardar com esperança e regozijo o cumprimento das promessas de Gênesis, de que nos uniremos com Cristo no nosso lar celestial (1 Pedro 2:11), para o qual devemos olhar constantemente enquanto marchamos, purificando-nos de toda malícia (por sabermos que seremos como o Senhor Jesus quando ele se manifestar). O crente, conhecendo as coisas que o esperam na eternidade, a si mesmo se purifica ... como é puro o Senhor (1 João 3.3). Se somos mesmo do Amado, reconhecemos a Soberana vontade de Deus, que nos dirige, como dirigiu a Adão, para unir-se com Ele no Seu descanso, para habitar com Ele em um incessante Sabbath. Ouvimos a Sua voz, e não nos escondemos, mas adoramos por cada Palavra da Escritura, que é Sobrenatural, que é Soberana em Deus, e vive em nosso Redentor para selar cada Filho da Aliança da Graça numa mesma união no Corpo de Cristo, preparando-nos para quando seremos, como Eva a Adão, apresentados como Noiva pura e imaculada ao amado Noivo (Apocalipse 21:2,9). Alimentemo-nos da esperança de Gênesis e busquemos em oração e súplica por todos os Santos, em toda dedicação e meditação na Palavra, lembrarmo-nos noite e dia de que nossa celeste esperança se equilibra em um prato, como uma balança, no contrapeso da aflição e do conflito contra o mundo, sendo ambos firmados, pelo centro, pendentes da Cruz de Cristo. Cristãos, portemo-nos como Igreja Militante que somos, não evitando a batalha, mas denunciando poderosamente o pecado e devastando, pelo poder da Palavra de Deus, todos os inimigos de nosso Senhor. Não aceitemos o clamor do mundo humanista a respeito de neutralidade religiosa e de sermos politicamente corretos, mas como Abraão, pela fé nas promessas do Senhor, edifiquemos altares na Canaan dos pagãos. Temamos todos, a Escritura é clara e a Lei de Deus perfeita: ou afirmamos, a todo custo, a mensagem do Evangelho e a condenação do pecador (exatamente como a Bíblia diz), ou estaremos dando ouvidos à mesma sedução que a Serpente instilou, quando no Éden: É assim que Deus disse? Ah, é certo que a Igreja não morrerá se comer do conhecimento do mundo. Deus sabe que no dia em que dele comerdes seus olhos se abrirão e vocês reinarão sobre toda a terra!
Não ouçamos a voz da Serpente! Que todo homem se afaste deste vil tentador! E seja, todo nosso coração e forças, ao Senhor Deus somente, porque dEle é toda justiça, e toda grandeza, e todo poder, e a sabedoria, e o louvor para sempre. Não atribuamos a nada, nem a ninguém, aquilo que é somente de Deus – porque toda a Glória pertence só ao Senhor que fez os céus, a terra e tudo o que neles há. Tanto nas mais impressionantes obras que nos conta Gênesis, quanto nas coisas menores e cotidianas, tenhamos compreensão de que tudo permanece ante a face do Altíssimo e, se não o Glorificamos em cada uma dessas coisas, nós as enchemos de trevas, e invertemos seu propósito; perdemos o reconhecimento da preciosidade de cada uma delas e pecaminosamente resistimos ao Espírito de Deus e deixamos de dar ao Autor da vida o Seu devido louvor.
Sujeitemo-nos ao Senhor, em todas as coisas, para louvor da Glória de Sua Graça, sempre. Amém.
Cristãos que anelam por Deus como um Jardim em terra seca deseja a chuva, e que satisfazem-se nEle como se satisfaz na chuva tal Jardim; Cristãos que oram uns pelos outros, que edificam-se; que crêem na suficiência do Senhor Cristo Jesus e podem dizer: "A tudo reputei por perda, pois a Sua Graça me Basta!". Assim são (ou buscam ser) os que aqui se fazem representados, na Graça de Deus e para Sua exclusiva Glória.
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