Esperança em Tempos de Apostasia - Parte 10

Na última edição do Jardim Clonal, nos concentramos na primeira parte do Discurso Escatológico de nosso Senhor, sobre a espiritualidade do Reino de Deus, e iniciamos o estudo sobre os sinais e os tempos descritos ali. É a partir deste ponto, sobre os sinais e os tempos, que prosseguiremos nosso estudo.

Segunda Parte do Discurso: Os Sinais e os Tempos (continuação)

“Então, Jesus lhes respondeu: Vede que ninguém vos engane. Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu! Eu sou o Cristo. E também: Chegou a hora! E enganarão a muitos. Não os sigais. E certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras, e revoluções; vede, não vos assusteis, porque é necessário que primeiro aconteçam estas coisas; mas ainda não é o fim, e o fim não será logo.” [Mateus 24:4-6; Marcos 13:5-7;Lucas 21:8-9]

Como é perfeita a Escritura! Somente o Espírito do Santo Deus poderia ter inspirado tais palavras, somente o Cristo, o Filho de Deus, poderia tê-las dito em momento tão oportuno – pois, enquanto os discípulos contemplavam a glória dos homens, pensavam nas coisas terreais e inquiriam curiosamente quanto aos secretos decretos Divinos pertinentes a História vindoura, nosso Mestre Jesus dirigiu-os para o cuidado com suas almas desde o presente e para as preocupações concernentes ao seu destino Eterno. Nosso Senhor (e seus Apóstolos, que sendo transformados pelo Espírito, assim também se tornariam posteriormente) é eminentemente piedoso – pastoral e prático, poderíamos dizer - professor da mais clara Verdade Bíblica, que nos alimenta a alma, e nisto frutifica visivelmente em nosso viver. Conhecer os “sinais do fim dos tempos” é menos importante do que ter em si os “sinais do novo nascimento” – sem o nascer do alto, jamais se pode ver realmente o Reino dos Céus, ainda que se conheça todos os seus sinais - por conseguinte, nosso Senhor Cristo Jesus começa Seu Sermão Escatológico com aquilo que ainda não é o fim [Mateus 24:6], mas que é, sobretudo, uma indelével marca de que haverá um fim, de que a Redenção da Criação ainda não se concretizou plenamente; de que o novo céu e a nova terra, que já adentraram a presente era, ainda estão sendo edificados para a Eternidade; de que o pecado ainda consome e destrói as almas dos homens; de que devemos temer por nossas almas e buscar, com verdadeiro arrependimento enquanto ainda há tempo, Àquele único que pode salvá-las. Deste modo, aquele que se preserva em Cristo e nEle, por meio de Sua Graça, aparta-se de todo mal – aquele que teme a condenação certa que paira sobre o mundo e sobre todos os que amam o presente século - resistirá a qualquer tribulação, seja qual for. Este é, portanto, o alerta de nosso Mestre: “Vede que ninguém vos engane”; donde, entende-se “tenhais zêlo pela Verdade do Evangelho, que pode libertar-vos dos vossos pecados e desviar de vós a Ira de Deus; sigais-me e não sejais seduzidos para outros caminhos, mantenhais-vos atentos à Palavra.” Repito ainda mais uma vez: que precioso alerta nosso Senhor nos deu! Pois notemos que mesmo os discípulos já estavam, de certa forma, seduzidos por uma falsa esperança de segurança, uma falsa esperança de uma breve e descomplicada vitória [Marcos 10:37] - contaminados que estavam pelo fermento da doutrina Judaica - a qual, por sua vez, semeia a apostasia ao infundir nos homens tal confiança carnal, bem como a perversa impressão de que importa que Deus antes os livre dos seus perseguidores e das tribulações do que de seus pecados e indulgência. Os falsos mestres amam as elucubrações escatológicas complexas, as quais prometem apaziguar a carne e alimentam um maldito orgulho espiritual, dando aos homens a impressão de que decifraram os secretos decretos do Altíssimo [1 Tessalonicenses 5:1,2; 2 Tessalonicenses 2:2; Atos 1:7]. Ora, desde os dias dos Apóstolos até ao fim da História haverá falsos Cristos, falsos profetas e falsas igrejas. Muitos se arvoraram e se arvorarão em levantarem suas Bíblias e dizer “Jesus Cristo é o Senhor”; muitos falsos mestres gritaram esta frase nas praças públicas e exaltaram a si próprios com extravagantes exorcismos [Atos 19:13], e muitos ainda gritarão; e escreverão, como já tem escrito, estes dizeres na frente de seus templos e na porta de suas casas; porém, não basta dizereem “Jesus Cristo é o Senhor”, e não basta ostentarem este lema (ainda que o escrevessem em suas próprias frontes), não basta acercar-se de milagres e grandes prodígios, não basta – antes, ter estes fenômenos em tão alto apreço é mais um tropeço do que um auxílio [João 4:48;20:29; Atos 8:13,18-23; 1 Coríntios 1:22-25; 2 Tessalonicenses 2:9; Apocalipse 13:13;16:14; Deuteronômio 13]. Em verdade, nem todo o que se proclama servo do Altíssimo é um Cristão [cf. Mateus 7:21]; pelo contrário, aqueles que tem aparência de Cristo, o manso Cordeiro, muitas vezes falam como o Dragão, que é Satanás, a antiga serpente [cf. Apocalipse 13:11]. Muitos se dizem Cristãos, muitos se dizem mestres, sábios e poderosos, “muitos virão em meu nome … e enganarão a muitos” [Mateus 24:4-6]. Contudo, em verdade, bem poucos são os Cristãos verdadeiros [Mateus 20:16; 22:14]. Deste modo, em Seu Discurso Escatológico, o Senhor Cristo Jesus aponta, em primeira ordem, para este grande perigo que são aqueles que podem nos desviar do Caminho e nos atrair, mesmo que temporariamente, para desvios mortíferos; para aqueles que utilizando o nome de Cristo, pregam falsas doutrinas e, pretensiosamente, clamam ter poderes e prerrogativas que pertencem somente ao Salvador; homens que se colocam em lugar de Cristo, ousando evocarem bênçãos e maldições, pretensamente condenarem e salvarem, e conclamarem os homens para que, por sua própria força, vontade e decisão, dominem sobre o mundo, como se a semelhança daquelas ilusões judaicas que quase seduziram os discípulos pudessem trazer o Reino de Deus à Terra (ou à si mesmos). Quando tais enganadores vêm, devemos resistí-los pela Palavra. Amados irmãos, se curvem somente ao que a Escritura ordena: não se deixem enganar por promessas de vitória e conquista, por devaneios e imaginações daqueles que pensam que Deus se agrada de ser adorado segundo as vontades dos homens - miseráveis e corruptas criaturas Suas. Vejam que foram promessas de instantânea paz ao mundo, de riqueza e poder temporais e imediatos; foram messianismos; foram ilusões de que Deus pode ser manipulado segundo os interesses humanos e de que as Suas Palavras podem ser usadas também segundo estes mesquinhos interesses; foram coisas como estas que, nos dias dos Apóstolos, irromperam em grande número, da forja corrupta que é a mente dos apóstatas. Sim, naquele tempo se levantaram inúmeros impostores [cf. Atos 5:36-39; 8:9-11; 2 Pedro 2:1-21; 1 Timóteo 1:3-11; 1 João 2:18], mais ainda do que temos visto hoje, e arrebataram multidões atrás de si. E assim, em todos os períodos da História, quando o julgamento de Deus visita-nos (para condenar os ímpios e aperfeiçoar os justos), Ele muitas vezes o faz através das tentações de apostasia e da ameaça dos inimigos da Fé [cf. Juízes 3:1,2]; e, quando sua Igreja, então provada e refinada, quebrantada e suplicante, levanta-se em Santidade, o Senhor nisto os abençoou e fortalecerá [cf. Êxodo 15:25; Juízes 2:18;Isaías 51:13-16;61:1-11; Jeremias 9:7; Salmo 66:5-12]. Como os ímpios rejeitam a voz dos verdadeiros profetas, cujas palavras estão permanentemente fixadas na Escritura, o Senhor os entrega aos falsos profetas [Deuteronômio 13:3; Isaías 29:10] para que sejam enganados e pilhados po tais; e tanto mais, tendo acumulado sobre si mesmos o sangue dos profetas do Senhor, e tendo chamado sobre si mesmos o Sague do próprio Senhor e Cristo, a Jerusalém foi, como parte e prenúncio da sua derrocada, rejeição e destruição, entregue aos falsos cristos e demais enganadores, que dividiram ainda mais o povo em partidos e facções rivais que fomentaram revoluções e reveldias tais que somente aumentaram e atrairam sobre si a espada do Império, que não era outra senão a espada da Ira de Deus.

Nosso Senhor alertou também para o que seriam“guerras e rumores de guerras” as quais, igualmente, servem de instrumento em Suas mãos para provar os justos e para destruir os homens (e os reinos) malignos. Quando Cristo nasceu, houve uma grande paz entre as províncias de toda aquela região e isto foi uma grande obra da Providência para o progresso do Evangelho; mas não foi para trazer ou manter a paz que o Senhor veio ao mundo [Lucas 12:51], e, uma vez tendo sido perseguido pelos Judeus, uma vez tendo sido objeto de escárnio e afronta, então a paz foi então retirada de entre eles e não mais se apartou de seu meio a já citada espada da Vingança Divina. Ora, naquela grande Revelação da Glória, quando os velhos céus e a velha terra passaram (a saber, o Estado e a Religião Judaicas, cujas sombras prenunciavam a perfeita religião que há em Cristo Jesus), quando, pelas dores de parto se anunciava o nascimento da Igreja, então uma dramática quantidade de falsos mestres, falsos cristos e guerras assolaram o mundo conhecido, especialmente a região da Judéia; a paz, em todos os sentidos, foi retirada de entre aqueles povos (e isto foi de tal maneira que de 66 d.C. até 71 d.C, todo o Império esteve terrivelmente atribulado, e cinco césares se sucederam no trono, com um intervalo de poucos meses entre eles, tendo todos morrido de forma violenta). À cada nova visita e revelação da Glória, à cada nova visita, julgamento e vivificação que o Senhor, em Seu Espírito, traz ao mundo, pela Palavra e Graça, assim também, outras dramáticas guerras e outros falsos mestres e falsos cristos têm se levantado: assim foi no tempo da Reforma Protestante, quando Deus novamente visitou com glória Sua Igreja para vivificá-la e edificá-la, para exaltar a Cristo e fazer conhecido o poder de Sua Palavra; Reforma que foi acompanhada de malignos adversários da Palavra, hereges que desafiavam aos Reformadores e escandalizavam o Evangelho, bem como de muitas e terríveis guerras, com grandes julgamentos de Deus, (destruições enviadas sobre países inteiros, como as revoluções anabatistas e o saque de Roma); da mesma forma sucedeu no tempo dos Puritanos, com terríveis perseguições, revoltas e massacres na Inglaterra e Europa. Ouviremos de guerras e rumores de guerras e de falsos Cristos e falsos profetas em todas as eras da humanidade, enquanto o Senhor “julga entre os povos e corrige as nações e estas convertem suas espadas em arados e não mais levantem a espada contra outra nação, nem mais aprendam a guerra” [cf. Isaías 2:4]: Isto é esperado a todos os que, como fizeram os Judeus do primeiro século, rejeitarem a Cristo Jesus e a Sua Palavra de Salvação portada por Seus ministros; sim, a todos os que recusarem a Salvação que o Evangelho anuncia e se fizerem rebeldes contra o Deus dos Exércitos, que lhes diz: “Sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao SENHOR com temor e alegrai-vos nEle com tremor. Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira” [cf. Salmo 2:10-12]. Portanto, nem nós, hoje, bem como nem os discípulos e os Apóstolos, naquele tempo em que o Senhor proferiu Seu Discurso Profético, devemos nos conturbar quando virmos estas entristecedoras marcas da Queda; antes, isto nos consolará pois, ainda que não seja o fim, é um firme sinal de que ele virá. Sim, não devemos nos perturbar, antes confiarmos no Senhor e vigiarmos para não sermos aturdidos em nosso progresso Cristão, na mortificação de nossos pecados, na edificação da Igreja; devemos descansar no Senhor, sabendo que Ele opera tudo para o bom propósito da Glória de Seu Nome e para a Salvação daqueles que Ele elegeu desde antes da fundação do mundo; sabendo ainda que é necessário que o Senhor derrame Sua ira sobre os povos (ainda que nem sempre o faça de maneira clara), para assim restringir a maldade do mundo e, como já foi dito, para assim acrisolar Seu povo; sabendo igualmente que é necessário remover, como outrora Ele o fez com Jerusalém, e abalar, as coisas antigas e velhas para que aquilo que é Eterno se estabeleça [Hebreus 12:11,27-29]. Outrossim, da mesma forma como a destruição de Jerusalém foi o fim do mundo antigo e a inauguração da revelação do mundo vindouro, este mesmo sinal se repetirá ainda muitas vezes, confirmando o que ele mesmo tipifica: que o Senhor cumprirá todas as promessas dadas pelos Seus profetas desde o início dos tempos. Haverá falsos cristos, falsos mestres e falsos profetas, haverá guerras e rumores de guerras, e isto ainda não é o fim; temos, portanto, razão para Esperança, razão para enfrentarmos cada tribulação, seja pessoal ou global, cada apostasia, cada heresia, sabendo que o Senhor nos prova em cada uma destas coisas e que, sendo boníssimo e misericordioso, Ele nos acrisola, como acrisola-se a prata, e retira de nós, por muitas batalhas, a escória que é o nosso pecado natural; sirva-nos isto de alerta para que fique suficientemente claro o quão corrupta é a natureza do homem, o quão grave é a morte a que nos levou a Queda de Adão e o quanto o Pecado é a pior de todas as pragas e chagas que o Universo conhece, sendo necessário combatê-lo por tão violentos métodos, tanto quanto são estes, os quais o Senhor, em toda Sua Sabedoria, Paciência e Amor, escolheu aplicar. Graças ao Senhor, e Glória e Louvores, pois Ele governa a História e jamais permitirá que tão peçonhento inimigo domine sobre Sua Igreja; pelo contrário, como veremos na próxima edição, os sinais e promessas a respeito do fim da História são doces, para que, em meio a esta guerra espiritual contra o Pecado, tenhamos uma firme visão da Vitória do Evangelho e do poder de Deus para fazer todas as coisas convergirem para a Glória de Cristo Jesus, nosso Rei, Profeta e Sacerdote Eterno.

Os versículos seguintes do nosso presente estudo continuam falando dos sinais e dos tempos proféticos. Mais uma vez ressalto que os Judeus esperavam que com o advento do Messias, possivelmente com algum cataclismo, o Reino Teocrático seria estabelecido em Israel, que dominaria todo o mundo; eles esperavam que esta era de ouro, este mundo porvir fosse imediatamente e plenamente introduzido por ocasião do advento do messias, que destruiria toda a presente ordem dos séculos. Entretanto, biblicamente, iluminados pelo Espírito com a mais clara luz do Novo Testamento, aprendemos aqui que o mundo porvir, sendo de natureza espiritual, é um Reino supranacional e invisível, uma nação santa espalhada por toda a Terra, composta de todos os homens chamados pelo Evangelho e unidos, pela Fé, a Cristo Jesus, o Rei e Sumo-sacerdote de nossa confissão.

Esperança em Tempos de Apostasia - Parte 9

Continuamos nosso estudo da Escatologia Bíblica observando aqueles mesmos eventos nos quais meditávamos ao fim da última edição: a convulsão das nações, guerras e rumores de guerras tais, que levaria a Jerusalém estar “cercada de exércitos” [Lucas 21:20] com o “abominável da desolação onde não deveria estar” [Marcos 13:14]. Coisas estas as mais terríveis e duras, as mais assustadoras para a mente dos nossos irmãos da Igreja da Judéia, que temiam ter de fugir durante um inverno cujo clima é intempestivo ou ficarem presos na cidade quando, no Sabbath Judaico, os portões se fechassem [Mateus 24:20;Marcos 13:18]. Estas são algumas das previsões contidas no Discurso Escatológico de nosso Senhor; previsões que, erroneamente, muitos dirigem para um futuro distante, contudo, como veremos a seguir, falam de um momento que para nós é passado (a queda de Jerusalém e a destruição do Templo em 70 d.C.), enquanto nos dão, ao mesmo tempo, uma preciosa lição do Governo de Deus sobre a História para que, a partir daí, no desenvolver do discurso, vislumbremos o Fim da História com a segunda vinda de Cristo Jesus.

Primeira Parte do Discurso: O Reino de Cristo é Espiritual

“...dizendo alguns a respeito do templo, que estava ornado de formosas pedras e dádivas” [Lucas 21:5]... quando Jesus ia saindo do templo, aproximaram-se dele os seus discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo.[Mateus 24:1] ...disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios! [Marcos 13:1] E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios?... [Marcos 13:2] ...Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada” [Mateus 24:2]

Assim inicia-se o já tão referido Discurso, mas não sem um elucidativo contexto antecedente – no Evangelho de São Marcos e no Evangelho de São Lucas ele é precedido pela Parábola dos Vinhateiros [Marcos 12:1-12; Lucas 20:9-19] que anuncia o fim da administração judaica e a passagem da vinha para outros administradores, que darão o devido fruto. Note que a figura da vinha, usual no Velho Testamento, fora usada para representar Israel [Salmo 80:8-16; Isaías 5:1-7; Jeremias 2:21; Ezequiel 15:1-8; 17:5-10, 19:10-14; Oséias 10:1], porém com um objetivo específico: diferenciar entre a semente fiel que o Senhor plantara e o fruto degenerado que a nação produziu. Introduz-se, portanto, também pela figura da vinha, o conceito da Graça do Senhor, que elege e sustenta um remanescente, uma porção fiel, um Israel verdadeiro, espiritual, oculto, visivelmente unido, porém espiritualmente separado da nação apóstata e dos povos pagãos – a vinha do Senhor era a manifestação da Santidade dEle na Aliança, pela Graça, em conformidade com o Espírito Santo, que escrevia a Lei no coração destes homens escolhidos e chamados pelo Altíssimo; a corrupção se distinguia e exaltava quando esta, a verdadeira vinha, esta que era o fruto da Salvação em Cristo, era quase que totalmente envolvida por uma outra vinha, de uvas bravas, donde não brotavam justiça, paz ou misericórdia. O soberbo judaísmo apóstata transformou a vinha no símbolo do nacionalismo judaico, chegando até mesmo a cunhar moedas contendo este símbolo, à época dos Macabeus; o tradicionalismo, o tribalismo, a etnicidade suplantou a misericórdia e a justiça. Entretanto, nosso Senhor, o Cristo, destrói as ilusões de superioridade do judaísmo – a vinha foi tirada daquela nação, a boa semente, outrora oculta, foi visivelmente entregue aos novos signatários de uma Nova Aliança; uma nova nação, sem fronteiras territoriais, tribais ou étnicas. Por isso nos diz nosso Senhor, segundo o Evangelho de São João: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador... Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.” [João 15:1,5-6]. No Evangelho de São Mateus a declaração é ainda mais clara, pois são pronunciados oito ais sobre os Escribas e Fariseus, representando neles o espírito do judaísmo de Jerusalém e, assim, personificando neles a própria Jerusalém Terrena, corrupta, apóstata a qual terá sua casa tornada deserta [Mateus 23], exatamente como nos mostra a figura dos ministros da Palavra no Velho Testamento, que pronunciaram ais contra os falsos profetas e ímpios de seu tempo [Isaías 5:8-30; Jeremias 23:1-6]. É impressionante como o paralelismo entre a Parábola dos Vinheteiros e os ais do Evangelho de São Mateus (e mesmo de Isaías 5) é explícito e perfeitamente articulado, especialmente se tomamos como um dos eixos as palavras do Evangelho de São Mateus, Capítulo 23, versículos 34 até 36, onde está escrito: “Por isso, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas. A uns matareis e crucificareis; a outros açoitareis nas vossas sinagogas e perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós recaia todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem matastes entre o santuário e o altar. Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre a presente geração.”

Tendo determinado e encontrado o padrão e quadro que descreve o juízo vindouro sobre Jerusalém, podemos recuar alguns Capítulos no Evangelho de São Mateus e perceber que, já há algum tempo, aquela geração estava sendo advertida por sua falsidade e hipocrisia [Mateus 23:3,28,33; cf. 21:30], reveladas na grande pretensão de substituir o arrependimento e fé verdadeiros pelos ditames de sua falsa religião, intentando tomar somente para si a esperança celeste, [Mateus 23:23-24], e fazer de si mesmos a única porta para o céu [Mateus 23:13,14,16; cf. Mateus 15:6]. Em lugar desta pretensão, o judaísmo dos Escribas e Fariseus, na verdade era uma porta para o inferno, concebida e alimentada por Satanás [Mateus 23:17-19,24; 15:6; João 6:44;] - colocavam-se, portanto, temerariamente no lugar que é devido somente ao Senhor. Foi nesta tão maligna obra que eles encontraram razão para perseguir e matar os profetas, e foi nesta doutrina maligna que encontraram seus motivos para perseguir e matar a nosso Senhor, bem como aos Cristãos da Igreja Primitiva [Mateus 23:29-35; cf. 21:36-39; 22:6; Atos 6:12-15]; igualmente foi nesta sinagoga de Satanás que se fez transbordar o cálice da Ira de Deus, o qual já vinha sendo, pouco a pouco, preenchido pela vinha brava de uvas bravas chamada Israel. E assim a sentença fora dada: serão estes excluídos do Reino dos Céus e entregues ao fogo e às trevas da Vingança Divina [Mateus 23:35, 38; cf. 21:31, 41, 43-44; 22:7]. O que foi um breve castigo sobre a nação, mas uma prova final sobre o remanescente fiel, à época do profeta Jeremias, se torna então em um aviso que ecoa nas palavras de Cristo – ao que Jeremias outrora anunciara: “Mas se não derdes ouvidos a estas palavras, juro por mim mesmo, diz o SENHOR, que esta casa se tornará em desolação” [Jeremias 22:5]. Esta mesma sentença Cristo agora ratifica e promete a execução: “Eis que vossa casa ficará deserta” [Mateus 23:38]. Como na época descrita no Livro de Juízes, o povo que aparentemente se arrependera, veio posteriormente a se tornar pior do que a geração de seus pais. E é neste ponto então, que a Glória de Deus visita o Templo pela última vez, a Glória que nem o Templo de Salomão presenciara, a perfeita imagem do Deus invisível – Cristo Jesus [Colossenses 1:14,15]. Glória que não mais voltaria ao Templo, uma vez que o verdadeiro Templo é a verdadeira videira [João 1:14; 2:18-22], a saber, nosso Senhor, a pedra de topo e a pedra fundamental de um Templo de pedras-vivas unidas misticamente nEle [Mateus 21:42-44; Atos 4:11; 1 Pedro 2:1-9] – o Sumo-sacerdote da nossa Fé e o último e eficaz sacrifício pelos nossos pecados [Hebreus 4:14-16; Hebreus 9:26; Hebreus 10:10; João 19:30]. O Templo de Jerusalém, que havia se tornado um covil de ladrões, foi purificado de uma vez por todas ao ter, somente em Cristo, seu caráter espiritual revelado e seu propósito cumprido.

O que aos discípulos fora motivo de autoglorificação e confiança carnal em sua herança sangüínea, para Cristo era apenas a triste visão do ícone de um povo perdido em sombras, povo este que amou as trevas e rejeitou a vera luz, o vero Templo e o vero Sacrifício que se lhes apresentou em Jesus. Somente em Cristo a Glória derradeira de Deus habita entre nós e, com Ele, pela Sua Graça e benevolência, esta se faz presente em Sua Igreja; nEle o sacrifício vicário pelos pecados de Seu povo, de Sua nação, que é a Sua Igreja, derradeiramente se cumpre; nEle a comunhão e as orações de Seu povo, de Sua nação, de Sua Igreja, são recebidas por Deus Pai, revestidas na Justiça de Cristo; dEle flui o rio de águas vivas, que, no Espírito Santo, pelo Evangelho nos regenera e nos desperta para a Verdade. Assim nEle se cumpre tudo o que prefigurava o Templo e as suas cerimônias [Gálatas 4:9; Colossenses 2:14- 17; Efésios 2:15]. No Evangelho de São João, Capítulo 4, versículo 21, nosso Senhor aborda esta questão precisa quando diz: “a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.” e explica, no versículo 23, “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.”. Esta gradual revelação da espiritualidade do culto, tanto pela ausência de um centro geográfico de adoração, quanto pela ênfase na Verdade – verdade doutrinária a ser pregada, verdade litúrgica a ser obedecida, verdade de vida em arrependimento e fé – carrega consigo a notícia do fim das sombras veterotestamentárias e do crescimento do Sol da Justiça com Sua inigualável luz, a qual atinge todos os povos da Terra para libertá-los do pecado e guiá-los para além dos rudimentos do mundo (o que vemos anunciado também no Evangelho de São Mateus, Capítulo 21, versículo 13, como referência à promessa messiânica do Livro do Profeta Isaías, Capítulo 56, e ao alerta contra a carnal confiança no Templo constante no Livro do Profeta Jeremias, Capítulo 7 – e que já iniciava o tratamento do referido tema do Evangelho de São Mateus, Capítulo 23, cuja aplicação e extensão escatológica se encontram no capítulo seguinte, sobre o qual temos voltado nossa atenção e meditação).

Concluímos, portanto, que a primeira parte do Discurso Escatológico de Cristo é o prenúncio da concretização da realidade espiritual constante dos desígnios de Deus em todo o Velho Testamento, mas oculta em sombras até o dia da Revelação de Cristo Jesus e do firme estabelecimento visível de Seu Reino e de Seu Povo, como Seu Templo-vivo de pedras-vivas, com Seu sacrifício vicário final e perfeito, com Seu sacerdócio Santo e Eterno. O Templo seria destruído, e com grande Ira, é o anúncio de Cristo - porque já não há mais lugar para ele – tendo a vera Luz vindo ao mundo, não há mais necessidade das velhas sombras. Não ficará pedra sobre pedra daquele velho mundo e daquela antiga era, daquilo que era inferior e obscuro, e que se tornara, pela economia Divina, obsoleto [Hebreus 9:8-15; 10:1-3; 8:4-13]. Tudo isto nos mostra o quanto era vã a confiança no sistema mosaico como se, per si, o exercício externo da religião pudesse levar ao conhecimento de Deus, bem como hoje é vã a expectativa de parte dos atuais Judeus (e mesmo de parte do cristianismo judaizado e sionista dos dispensacionalistas e de alguns dominionistas) de que haja, no futuro, a reconstrução do Templo de Jerusalém. Reitero: o único Templo que agrada ao Senhor já foi erguido, e não por mãos humanas [Atos 7:48; 17:24] – a reconstrução do tabernáculo caído de David e do Templo de Zorobabel se realizaram, pelas Divinas mãos, na ressurreição de Cristo e na Sua Glorificação, as quais tomamos parte como Igreja, como Corpo de Cristo [Atos 15:18; Amós 9:11,12; I Coríntios 12:27; Efésios 2:21; 4:12,16; 5:23; 1 Pedro 2:5-9].

Segunda Parte do Discurso: Os Sinais e os Tempos

“E, assentando-se ele no Monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, e Tiago, e João e André lhe perguntaram em particular: Dize-nos quando serão estas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir - a sua vinda e o fim do mundo?”[Marcos 13:3,4;Mateus 24:3]

Sentado sobre o Monte das Oliveiras, observando toda a cidade, sob o sol poente, destacava-se mais ainda a beleza e a grandiosidade do Templo – beleza e grandiosidade tais que eram opostas ao que aquele edifício havia se tornado, um lugar vazio da verdadeira religião. Contemplando esta pequena distopia, os discípulos dirigem-se ao Senhor e formulam uma dupla questão: (1) quando estas coisas preditas ocorrerão; e (2) como tal coisa chegará a ocorrer. Ao mesmo tempo, eles classificam o objeto de suas indagações como: a sua vinda e o fim do mundo. Atentemos que há um sentido em que esta sobreposição – a vinda de Cristo e o fim do mundo – é verdadeira; a concepção dos discípulos, naquele momento, ainda é imatura e ingênua, mas a sua apreensão daquilo que já estava sendo descrito por Cristo há algum tempo, ou seja, o fim da velha ordem e o estabelecimento da Nova Aliança, é o que sustenta esta múltipla pergunta. Relembremos o que foi descrito nas últimas edições:

1) Na escatologia veterotestamentária a distinção entre “a era porvir ou o mundo vindouro” e o advento do Messias é muito tênue. Portanto, a extensão temporal da introdução da era messiânica sobre a presente era se dissolvia na perspectiva profética; o que leva os discípulos (em menor escala) e os judeus a espera de uma introdução cataclísmica da era porvir com o advento do Messias e a suposição de que a era porvir não seria mais do que um mundo presente superabundante e dominado pelo Estado Teocrático de Israel.

2) O termo “fim do mundo” no Evangelho de São Mateus, Capítulo 24, versículo 3, pode ser mais precisamente traduzido como “fim da era” ou “fim dos tempos”, do grego aion, o que não se refere ao fim do mundo físico, da Criação, mas de um determinado estágio da administração de Deus sobre a História; em 70 d.C., quando a destruição do Templo ocorreu, a era judaica, o tempo da nação de Israel, ou seja, a administração da História na qual os oráculos de Deus foram entregues e guardados por um povo em especial, chegou ao fim. O termo “fim da era” refere-se, portanto, à aurora da “era messiânica”, ou seja, da revelação da Igreja neotestamentária e da introdução, pouco a pouco, da redenção da Criação pela qual Cristo deu Seu Sangue precioso na Cruz – Ele morreu pelos nossos pecados, para que aqueles que foram Eleitos na Eternidade passada sejam Salvos e, no futuro sem fim, vivam com o Senhor na Jerusalém Celestial [Filipenses 3:20,21]. O “fim da era”, conforme descreve o Apóstolo Paulo, chegou sobre a geração de Cristãos do século I [cf. 1 Coríntios 10:11], assim como chegou sobre eles (e sobre nós já é), o “mundo vindouro”, no qual já estamos inseridos pela nossa união com Cristo [cf. Efésios 1:3,20;2:6;10:3; Apocalipse 5; Gálatas 2:20; Colossenses 1:13; Hebreus 12:18-24; Romanos 8:9-11]. Já é chegado o Reino de Deus: pois Cristo, na plenitude, no cumprimento, ou seja, no fim dos tempos, fez o último e perfeito sacrifício pelos pecados [cf. Hebreus 9:26]!

Portanto, a resposta distribuída, recapitulada e explanada cuidadosamente na extensão dos Capítulos 24 e 25 do Evangelho de São Mateus (e nos textos sinópticos), assim como em pequenos trechos até culminar no fechamento, profético e escatológico do Capítulo 28, visa explicitar o caráter espiritual do Reino de Cristo, tanto em sua expansão e vitória futuras, quanto em relação às batalhas e dificuldades constantes em todo o tempo desta expansão e vitória, até o dia final, quando em Glória voltar o Senhor para encerrar a História.

É com este entendimento a respeito do contexto histórico e teológico em que os discípulos discutiam e entendiam - e posteriormente explicaram - a Escatologia Bíblica, que continuaremos, na próxima edição, o estudo do Discurso Profético de nosso Senhor no Monte das Oliveiras.

Milagres! - Parte 2

O Problema do Naturalismo

Vimos na última Edição que o espírito moderno crê em algo chamado Naturalismo. Vimos que esta idéia afeta todas os pensamentos subseqüentes do homem que foi capturado por este espírito, pois leva esta homem a articular toda sua compreensão do Universo baseado na ausência total ou prática do Deus Soberano. Finalmente, mostramos que o conflito que o descrente trava com as Doutrinas que a Escritura ensina repousa neste nicho, pois a acusação subentendida em todas as críticas do descrente é contra a Soberania de Deus e não contra a lógica ou o conteúdo do ensino Cristão isolado. Por isso, quando o espírito moderno diz que não acredita na Escritura porque é impossível, pelas Leis da Natureza, que o Mar Vermelho se abra, na verdade o que ele está dizendo é que não acredita na Escritura porque ele já crê em outros deuses e nenhum deles poderia fazer o Mar Vermelho se abrir, e que ele mesmo, como seu próprio deus, não poderia fazer tal coisa. O que os deuses dos cientistas não podem fazer, eles chamam de impossível. Então, alguém me pergunta: você está me dizendo que, um cientista que duvida da Bíblia, o faz porque crê em deuses pagãos e porque crê que ele mesmo é um deus?! Sim. Talvez você nunca tenha percebido isto porque não conhece o suficiente sobre a Filosofia da Ciência, sobre a Filosofia da Bíblia e sobre o paganismo para relacionar estas três coisas. Homens de reconhecida inteligência, Filósofos da Ciência e possuidores de algum conhecimento da Escritura concordariam comigo, embora usassem suas próprias palavras para dizê-lo. Posso citar entre tais homens: Albert Einstein, Thomas Edison, Sir Martin Rees e Karl Popper. Para os tais há um abismo entre a realidade percebida pelo empirista, ou seja, pelo homem que confia somente em seus sentidos para determinar a Verdade, e a realidade última, afinal, o ato de medir perturba o sistema – não que estes homens não acreditassem em uma realidade estável, mas que assumiam, com sabedoria e humildade, que a realidade última é mais estranha e inacessível do que geralmente se pensa. Acrescento que não defendo com isto o "deus das lacunas", ou seja, que a validade ontológica do argumento sobre a existência de Deus que se baseia na ignorância humana; antes chamo a atenção para uma compreensão menos determinista das chamadas Leis Físcas (e mais "cega", por si só fenomenologicamente caótica na interação dos meios, ainda que metafisicamente ordeira quanto ao fim) - assim, não é uma questão de desconhecermos o Universo, mas de conhecermos que as tais Leis têm, na Realidade, remendos e saídas de emergência que nos permitem vislumbrar a harmônica e lógica ligação entre o comum e o raro, onde uma regular imprevisibilidade dá o tom à sinfonia dos sistemas. Voltando ao tópico anterior, note que estes são apenas uns poucos de uma lista de centenas de Filósofos cientistas, que compreendem e anunciam sem temor o fato de que a ciência, conforme tudo que foi brevemente exposto acima, é, especialmente dada a natureza da Realidade e a limitação do método empírico, pura especulação, desprovida, então, de qualquer relação firme entre as suas teorias e a “real realidade”. Exatamente como os deuses pagãos, a ciência é apenas uma elaborada Mitologia. Afinal, o que eram estes deuses pagãos mitológicos? Eram forças, ditas incompreensíveis, autogovernadas, personificadas e usualmente representadas através de contos e narrativas. Para muitos dos Filósofos pagãos, no entanto, as personificações eram apenas ilustrativas, enquanto as forças representadas nestas personificações eram reais. Assim, um Filósofo poderia usar o nome Zeus ou Brahma (nomes de deuses pagãos) para representar a idéia de um evento cósmico que deu início ao processo natural e daí especular sobre a origem da natureza, ou o nome Gênio para especular sobre os diferentes sistemas do organismo humano e a complexa cadeia de sua interdependência. Quando um cientista inventa uma entidade cósmica como a Gravidade, ele está fazendo exatamente isto – supondo a idéia de um ser que poderia preencher a lacuna daquilo que o cientista não pôde explicar a respeito da Criação. Agora alguém me pergunta: Você está me dizendo que a Gravidade é como um deus mitológico? Sim, estou. Não que os efeitos associados ao nome Gravidade sejam mitológicos – se eu arremessar uma pedra para cima, ela cairá na minha cabeça. Mitológica é a idéia de que existe uma força onipresente e irresistível (porém invisível) responsável por fazer as coisas caírem – isto é apenas um conceito concebido artificialmente para preencher os requerimentos necessários a certo número de cálculos e teorias em um sistema específico. A observação dos efeitos e a medição dos efeitos são coadunadas no conceito Gravidade – a Gravidade em si, como objeto ou ente, não existe no mundo real, mas é uma simplificação mitológica da realidade, elaborada com um fim específico. Quando novos dados surgem, a ciência abole este mito e o substitui por outro – basta comparar a física de Newton e a física Quântica para ver esta mudança de paradigma. Não há, no entanto, nenhuma garantia de que a mudança de mitos seja uma aproximação maior da realidade. Muitas vezes a ciência gira ao redor do mesmo assunto, sem concluir nada durante séculos. Famoso é o caso da quintessência ou éter luminoso que por um pouco é aceito como científica, logo é descartado e novamente retomado, então com um novo nome. Para trazer um exemplo mais próximo ao homem comum, pensemos um pouco sobre o Átomo. Quando você estuda sobre Átomos na escola, você aprende que eles são feitos de Prótons, Elétrons e Nêutrons. Este Átomo que você estudou na escola é Mitológico. Ele não existe de verdade – foi criado por algum cientista para responder a certas perguntas sobre a natureza e elaborar algumas teorias. Outros cientistas elaboraram outros modelos de Átomos antes disso, modelos que não possuíam estas subdivisões e, após isto, outros têm elaborado modelos que possuem várias outras partículas além de Prótons, Elétrons e Nêutrons. Imagine que a Bíblia possuísse algum versículo sobre Elétrons – uma passagem que mostrasse um objeto de metal desferindo um choque de grande voltagem em alguém. Os cientistas da época em que não se conhecia Elétrons diriam: isto é impossível; um objeto não tem eletricidade em si mesmo para ser capaz de fazer tal coisa, não acreditaremos neste milagre, ele é contrário às Leis da Natureza, não pudemos sequer reproduzir tal coisa em laboratório, mesmo com toda nossa tecnologia. O que, segundo vimos acima, significa: nenhum dos deuses da ciência tem este poder; então, não aceitaremos que o seu Deus o tenha. Já os cientistas da época em que os Elétrons foram descobertos diriam: isto não é um Milagre, são apenas Elétrons sendo descarregados pelo objeto. E esta última frase mostra o quanto o Naturalismo é inútil – se algo não couber nas Leis da Natureza conhecidas daquela época (ou seja, nos poderes dos deuses inventados pelos cientistas), então é impossível que tal milagre aconteça. Se couber nas Leis da Natureza conhecidas naquela época (ou seja, nos poderes dos deuses dos cientistas), então não é um milagre, é apenas uma coisa natural. Você percebe a incoerência? O espírito moderno pressupõe que a natureza funciona por si só, e é composta de diversos pequenos poderes que se limitam uns aos outros e sequer avalia que esta é uma proposição que exige uma fé cega, e que, portanto, é incapaz de interagir com a descrição do Universo proposto pela Bíblia. Não estou dizendo que seria esperado do ímpio cientista em questão um respeito pela Escritura, mas que o sistema lógico do Naturalismo é incapaz de escapar de si mesmo! Se confrontado com algo que as Leis da Natureza inventadas ou interpretadas pelos cientistas não explicam, então é impossível; se for algo que elas explicam, então, não é um Milagre. Ou seja, o homem que se acha tão racional e científico está impedido de pensar neste assunto porque, antes mesmo da discussão, já foi capturado pela armadilha naturalista e simplesmente não sabe mais pensar fora deste script. Lembremos, para ilustrar nosso exemplo, do que a Sagrada Escritura nos diz sobre Eva: ela foi criada a partir da costela de Adão. Quando a ciência desconhecia a clonagem, dizia-se que era impossível uma pessoa ser criada a partir da costela de outra. Hoje os cientistas têm de silenciar a esse respeito. Como foi exposto com detalhes nas edições 10 até 14 do Jardim Clonal, a Escritura não pode ser avaliada à luz da ciência, simplesmente porque a Ciência é constituída de tal modo que a Verdade é o fim do caminho que ela ainda está trilhando e, que, portanto, por definição, a Verdade está fora da Ciência para que ela seja considerada verdadeiramente Ciência. A Escritura, no entanto, pensa a realidade no sentido inverso, pois conta a história dos caminhos já trilhados pela Verdade desde o início dos tempos – a Escritura pressupõe a Verdade que ela contém para ser verdadeiramente Divina. Enquanto a Ciência busca a Verdade por experimentação, a Escritura já possui a Verdade e simplesmente a declara. Por isso a aproximação da Escritura com a Ciência não pode ser feita como se uma validasse ou negasse a outra.

Para finalizar este capítulo, e evitar que alguém compreenda mal a questão da Ciência como Mito, esclareço que o Mito não é ruim em si mesmo, desde que seja compreendido como Mito e não como Verdade. Mas como um Mito pode ser útil? Porque toda Mitologia é uma sombra da Verdade Divina, embora distorcida pelo pecado inerente ao coração humano – e é possível, com muito discernimento, selecionar e aproveitar esta porção de Verdade e descartar aquilo que se mostrar pecaminoso.

A Cosmovisão Bíblica

Se a Escritura Sagrada opõe-se a visão de que a natureza é composta por diversos pequenos poderes que competem entre si (e que, por sua vez, estão aprisionados dentro da própria natureza) - o que, então, a Escritura ensina? A Escritura ensina que Deus não é ex machina, ou seja, que o Criador não está ausente do Universo. O Deus da Escritura comanda a Criação em todos os seus detalhados aspectos: nós acordamos e respiramos porque o SENHOR nos sustenta [Salmo 3:5; Salmo 54:4; Atos 17:28]; Ele dá à terra as chuvas e as colheitas [Salmo 65:9; Salmo 67:6; Jó 5:10; Jó 37:6]; Ele faz os terremotos e as fomes [Salmo 104:32; Salmo 105:16; Salmo 107:43,35]; nenhum bem ou mal sucede fora de Seu controle [Amós 3:6; Tiago 1:17; Isaías 45:7]. Todos os eventos (históricos ou orgânicos, climáticos ou cósmicos) obedecem ao comando estrito do Deus que rege o Universo pela Sua Palavra. Portanto não existe, na Escritura, diferença entre o natural e o sobrenatural, sequer existe esta divisão – todas as coisas estão sob o direto comando de Deus, cada átomo e cada molécula, cada aeon da existência. Por isso, a Criação se comporta de maneira ordeira, previsível; porque o Deus que a dirige é Deus de ordem e não de confusão [1 Coríntios 14:33]. Segundo a Escritura Sagrada, esta é a origem das aparentes Leis Naturais – a ordem e imutabilidade do Deus que tudo comanda. A Criação que a Escritura nos mostra, é infinitamente superior ao estranho relógio que os naturalistas (e “semi-naturalistas”) pensam existir: ela é infinitamente superior a uma máquina que funciona sozinha. O Universo descrito pela Escritura é a máquina perfeita – uma máquina tão sensível à vontade de seu Criador e Operador que O obedece, todo o tempo em tudo o que Ele ordena - diferentemente da máquina mecânica do Naturalismo. A máquina perfeita, que jamais faz algo que o seu Criador não ordena ou deseja, é obviamente melhor do que uma máquina programada que executa roboticamente seu programa, e aprisiona o seu operador nos limites deste mesmo programa. Deus é o Soberano Criador e Operador da máquina perfeita, portanto, Ele participa dela na mesma medida em que é distinto dela. Ele habita na Eternidade e na Santidade, mas fala no Tempo com os homens corrompidos; Ele existe além dos céus na luz inacessível, mas ocupa toda a Terra e até o mais profundo do Abismo. Ele é o Deus Altíssimo e Temível e nada pode escapar do Seu conhecimento e de Seu poder.

Tendo compreendido melhor os assuntos que permeiam a Teologia dos Milagres, voltaremos, na próxima edição, ao tema do início desta série de artigos: o ensino Bíblico a respeito da Soberania de Deus, o qual está diretamente ligado ao ensino Bíblico sobre os Milagres. Notemos, a este respeito, que é o fato de toda a Criação ser controlada diretamente por Deus (e, assim, não estar aprisionada pelas próprias leis nem pelos poderes nela manifestos), que permite a existência daquilo que chamamos Milagre.

Esperança em Tempos de Apostasia - Parte 8

Já há algumas edições o Jardim Clonal tem tratado da Esperança; a Escritura nos diz que a Esperança é um dos pilares da Verdade em Cristo, como aspecto da Fé – confiança nas promessas do Senhor e certeza do porvir, baseadas ambas na fidelidade dAquele em quem a Eterna Aliança da Graça está firmada [1 Coríntios 13:13; Romanos 4:18; Efésios 1:18; Colossenses 1:27; Hebreus 10:23]. O ímpio, portanto, não possui verdadeira esperança; antes, com entenebrecido temor ou ilusória calma, aguarda apenas o fim de sua inútil existência, sem aperceber-se realmente a cerca do terrível sofrimento que sobrevirá à sua alma após a morte – o ímpio mente para seu próprio coração e obscurece sua própria mente, negando até a revelação contida na lei natural que testemunha da Ira de Deus sobre toda impiedade. O Cristão, porém, tem um duplo dever: não só deve ter e viver a Esperança, mas deve conhecê-la, viver segundo ela e ser capaz de transmití-la a outros conforme a promessa da Palavra [1 Pedro 1:3; Hebreus 10:36; Tito 2:11-14] para firmar-se no “novo céu e nova terra”, o qual recebemos, pela Graça, como herança em Cristo Jesus. Mas, há realmente um firme fundamento para a Esperança da Glória? Sim, temos razão em nutrí-la, pois há algo que já foi feito, algo irreversível, irrevogável, que afetou céus e terra, renovou-os e alterou o Universo para sempre: Cristo Jesus veio ao mundo e inaugurou a obra de redenção da Criação. A certeza de que tal obra foi iniciada e tem providencialmente progredido é edificada sobre os eventos bíblicos do século I – eventos estes que começaremos a observar nesta edição, a partir de textos paralelos dos Evangelhos, especialmente do Discurso Escatológico de Cristo.

Mais reflexões sobre Escatologia

A estrutura escatológica da Escritura nos fala de duas eras ou mundos: “este mundo ou a presente era” e o “mundo vindouro ou era porvir”. Temos visto que há uma direta relação entre o que a Escritura chama “últimos dias” e “fim desta era ou deste mundo” e o que a Escritura chama “mundo vindouro ou era porvir” - ambos relacionam-se à “era messiânica”, ou seja, ao período a partir do advento de Jesus, o Messias anunciado pelos profetas do Velho Testamento e aguardado pelos Israelitas. Porém, ao contrário daquilo que os Judeus pensavam e expressavam em sua escatologia, a “era porvir” não foi imediatamente ou instantaneamente realizada pelo advento do Messias: a revelação do Novo Testamento nos trouxe a clareza de que o reino messiânico de Jesus é pouco a pouco revelado nesta realidade, como um fermento que leveda a massa ou um pequeno arvoredo que alcançará ainda muitos metros de altura (apesar de a cada ano cresce somente alguns centímetros). Portanto, há uma necessária tensão entre a porção já realizada do Reino de Cristo e a porção ainda virtual do mesmo (a qual reside nas promessas de Deus e no mundo espiritual). E exatamente nesta tensão que o Cristão encontra forças e a firme base para sua Esperança, como nos ensina o Santo Apóstolo Paulo, em sua Epístola a Tito:“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória de nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” [Tito 2:11-14]. Notemos que nesta passagem, o fato de o Cristão ainda viver no presente século ou na presente era é contrastado com o que nos aguarda quando plenamente chegar a chamada era porvir. Assim, a era messiânica que os Judeus aguardavam é justaposta a este mundo conduzindo os eleitos de Deus, pela Graça, em peregrinação do Império de Satanás (manifesto no presente século mau) para o Reino Eterno de Cristo (que é o bendito mundo porvir), peregrinação esta realizada através de uma especial estrada sob a jurisdição e poder do Eterno Rei Jesus. Frustrando as expectativas judaicas de um reino terreal e de libertação política, o primeiro advento de Cristo Jesus, e, portanto, a aurora da verdadeira era messiânica, revelou ante toda a humanidade a Graça de Deus (que outrora estava oculta nas sombras da igreja judaica), e o fez, não na figura de um libertador regendo suas milícias e coortes, mas na pessoa do servo sofredor que foi moído pelas nossas iniqüidades para nos libertar do domínio do pecado e sobre quem o castigo que nos traz a paz foi lançado. Esta revelação é a base da nossa Fé e, portanto, a matéria com a qual o Espírito opera nosso novo nascimento, o que nos conduz, pela Graça, segundo a Palavra do Evangelho e a obra do Espírito, às boas obras de gratidão ao nosso amado Salvador, as quais são uma prévia e uma comprovação de nossa sublime chamada e viagem rumo ao mundo porvir. Mundo que se revelará plenamente quando nosso Senhor vier em seu segundo advento, aperfeiçoando a ainda imperfeita visão daquilo que, no entanto, já perfeitamente possuímos, um mundo no qual já fomos plenamente inseridos, e no qual já habitamos em glória, a direita de Deus, em Cristo [Colossenses 2:19; 3:1-4]. Em Seu estado de humilhação, no primeiro advento, Cristo veio trazendo o anúncio da salvação aos pecadores; em Seu estado de glória, no segundo advento, Cristo virá completando a salvação dos eleitos e a redenção da Criação, ressuscitando os mortos e transformando-nos segundo a glória de Seu ser. No primeiro advento, a fundação da Igreja Neotestamentária foi lançada tendo Cristo como a pedra basilar; no segundo advento, o edifício da Igreja de todos os séculos se completará e Cristo, a pedra angular, será posto sobre ele por coroa e sustentáculo [Atos 4:11]. Nesta tensão – repito – o Cristão encontra firme base para sua Esperança, fazendo a progressiva passagem da certeza da obra realizada por Cristo para a certeza e apropriação da promessa e herança eterna, aguardada – de tal modo que o conflito com o pecado e a corrupção atual presta solene testemunho da nossa maior ambição e desejo, a saber, a perfeição da glória prometida. Se nos falta o anseio desta glória, nos falta o alvo da caminhada; igualmente assim vagaremos perdidos e desorganizados, como indivíduos comprometidos somente com suas próprias experiências; se nos falta o anseio desta glória, nos falta o sentido de Igreja, de corpo unido e predestinado ao mesmo fim. Se, por outro lado, nos falta a certa compreensão do primeiro advento, comprometemos a apreensão da segurança de nossa salvação e poder que, pelo Espírito, provém daí para entregar-se por Cristo e cumprir a Vontade dAquele que nos envia como mensageiros de Seu Reino ao presente e condenado mundo. Tanto o premilenismo (em toda as suas vertentes, mas especialmente na vertente dispensacionalista), quanto as escatologias modernistas, liberais ou excessivamente alegóricas, roubam do Cristão o equilíbrio que a Fé Histórica e Bíblica nos dá, equilíbrio que permite contemplar tanto a presente vitória de Cristo, quanto o crescimento do Reino de Deus, de glória em glória, até a plenitude da glória no segundo advento. Esta Esperança e compreensão impulsionou os grandes missionários da História a sacrificarem tudo o que possuíam por amor e intenso desejo de que logo a vitória de Cristo fosse manifesta ao mundo e que Ele retornasse para estabelecer com Sua Igreja o Seu Reino eterno e fazer visível toda a maravilhosa graça que habita os novos céus e nova terra (os quais Cristo fez nascer na consumação da Sua humilhação). Relembrando a preciosa herança dos puritanos escoceses (a qual também nos foi legada por Robert Kalley), ouçamos a um de seus gigantes, Samuel Rutherford, o qual expressa com grande iluminação do Espírito o anseio pela glória que a sã escatologia bíblica faz brotar na alma do crente:

“Ó, quando iremos nos encontrar? Quão longe está ainda a aurora do dia de nosso casamento? Ó doce Jesus, dê passos largos! Meu Senhor, venha sobre as montanhas com um amplo caminhar! Ó, meu Bem-Aventurado, fuja como um gamo ou um jovem cervo sobre os montes da separação. Ó, se Ele desejasse dobrar os céus conjuntamente como uma velha capa, e tirar com uma pá o tempo e os dias removendo-os do caminho, e fazer disposta a se apressar a esposa do Cordeiro para seu marido! Céus, mais rápido! Tempo, corra, corra e traga logo o dia do casamento; pois o amor se atormenta com as esperas! Veja o leste: o céu da manhã está surgindo. Não pense que Cristo perdeu a hora, ou se arrasta inadequadamente. A noiva do Senhor estará de pé ou deitada, sobre as águas, a nadar ou mesmo sob as águas, afundando, até que seu soberano e poderoso Redentor e Marido faça-se ver através dos céus, e venha com sua límpida coorte para desembaraçar todos estes argumentos, e dar a eles a longamente aguardada herança.”

Note que o amado puritano Samuel Rutherford, poeticamente, expressa a mesma doutrina que temos aqui exposto, o que se pode notar por:

1) Há uma considerável distância entre o agora e o segundo advento, a qual podemos perceber pela maneira como ele roga para que Cristo se apresse e transponha grandes distâncias e remova dias e tempos de seu caminho, bem como pela maneira como afirma que não devemos pensar que Cristo demora, mas devemos compreender Sua longanimidade;

2) Há um dever implícito, toda vez que se fala da volta de Cristo, e este dever é que a noiva, (ou seja a Igreja de Cristo), se apresse e diligentemente se ponha a serviço de Seu mestre;

3) A Igreja passará por muitos percalços, em algumas épocas em grande e visível vitória e outras em dificuldades; porém, quando Cristo vier, a História será encerrada, a epopéia da Igreja chegará ao fim e os crentes receberão, de imediato, sua incorruptível herança.

Destarte, tendo conosco John Owen, João Calvino, Jonathan Edwards e Samuel Rutherford, dentre alguns dos Santos que Deus proveu como professores para a Igreja - sem contar com todos aqueles que elaboraram conjuntamente as Confissões de Westminster e Savoy - reafirmamos o que a Escritura diz: a volta de Cristo é impendente, porém não imediata; ela não foi esperada pelos Apóstolos para o primeiro século (exceto, talvez, antes da descida do Espírito Santo, quando seus olhos ainda permaneciam semicerrados para muitas das Verdades do Novo Testamento) e constantemente, ainda que com mais clareza no Novo Testamento, foi anunciada como sendo precedida por certos eventos, o que poderemos observar ainda nos vários textos da Escritura que examinaremos nesta e nas futuras edições do Jardim Clonal, com a Graça de Deus.

A Escatologia no Discurso de Cristo Jesus no Monte das Oliveiras

Quando nos voltamos ao estudo desta porção das Escrituras, se mantivermos em mente aquelas regras da correta interpretação da Bíblia que foram honradas por muitos séculos na antiga Escola Teológica de Antioquia (localizada na Síria e fundada no início do século IV), revividas na Reforma Protestante e exaltadas pelos Puritanos (regras estas conforme delineamos nas edições passadas do Jardim Clonal), então nos ateremos ao sentido histórico e gramatical do texto e respeitaremos o que a própria Escritura nos indica sobre o significado do mesmo. Seguindo esta piedosa regra de interpretação evitamos o erro que recaiu sobre a escatologia rabínica dos Judeus da época de Cristo - o erro de achatar a perspectiva profética da Escritura e imaginar uma total separação entre a presente era e a era porvir, como se o advento do Messias levasse imediatamente ao estabelecimento de um glorioso reino o qual, para os Judeus, era uma sublimação da presente era. A Escritura, no entanto, apresenta-nos uma era porvir e um reino messiânico que se desdobram em uma corrente perspectiva profética desde o Éden, em sucessivas e maiores revelações de Deus em Cristo, assim como uma sucessiva e crescente maturidade da Igreja. Na Escritura, o esquema escatológico que relaciona a presente era e a era porvir não é um esquema de extremos opostos ou de um cataclísmico fim do mundo; na Escritura, a economia de Deus se desdobra sobre si mesma como um telescópio que se abre, conjunto de lentes por conjunto de lentes, até que a visão através dele seja nítida o suficiente para permitir a chegada ao desejado porto seguro. Aqueles de nossos dias que se apresentam sob o nome de Igreja, não atentam para a promessa da glória em Cristo, para a constante edificação que Ele tem feito de Sua Igreja verdadeira desde a fundação do mundo. Isto tudo poderemos observar no texto paralelo do Discurso Escatológico em Mateus 24, Lucas 21 e Marcos 13.

Introdução ao Discurso do Monte das Oliveiras

Um dos principais eixos que dá sentido e faz a ligação entre o Discurso do Monte das Oliveira nos Evangelhos é o versículo que diz a respeito do suntuoso Templo: “Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada” [Marcos 13:2; Mateus 24:2; Lucas 21:6]. A importância desta passagem no contexto deste Discurso de nosso Senhor é a de que aqui está o primeiro indício da temporalidade do que se seguirá, indício tão importante que, como um indicador da doutrina a ser tratada é lançado logo na introdução de seu sermão. Ora, sabemos da história que esta é uma clara referência ao ano de 70 d.C., quando os Romanos, com seus exércitos idólatras e cruéis, marcharam sobre Jerusalém e destruíram a cidade e o Templo com tanta violência que os homens daqueles dias afirmaram que era como se jamais tivesse existido uma civilização ali. Veja, prezado leitor, que isto é algo notável – quantas grandes obras, muito menores, entretanto, que aquele Templo, ainda hoje permanecem de pé ou, ao menos, permanecem como ruínas? O Parthenon, as Pirâmides do Egito e os Templos Maias viram tantas mais guerras que o Templo de Jerusalém e em nada se comparam à sua poderosa estrutura, entretanto estes permanecem de pé enquanto nem o alicerce pode ser encontrado. O Templo de Jerusalém foi construído no ápice da riqueza e influência de Herodes, como prova do poder e prosperidade romanos, e fora construído de tal forma que era, ao mesmo tempo, em conjunto com os seus arredores, uma verdadeira cidadela e fortaleza e uma obra de beleza arquitetônica ímpar – fora edificado com grandes pedras do melhor mármore verde e branco (diz-se que algumas pedras tinham até 20 metros de comprimento), trazido da capital do Império especialmente para sua construção, tendo muros esculpidos como imitações das ondas do mar – uma visão impressionante [Marcos 13:1; Lucas 21:5]. Ademais, a forma de construção do Templo, se relaciona com a forma do Tabernáculo mosaico e, intenta reproduzir em si, por seus múltiplos compartimentos e diversas estruturas, enfeites e utensílios, representando em si a Criação, como se o Templo mesmo fosse um sinal e uma miniatura do Universo – uma parte denotando os mares, a qual representa também os prosélitos e servos gentios; outra, mais interna, representando a terra, e nisto a Aliança de Deus com os israelitas; e outra, ainda mais interna (chamada Santo dos Santos), na qual o Sumo-Sacerdote penetrava uma vez por ano para fazer expiação por todo o povo, representando a habitação de Deus em Glória nos céus. Não é, portanto, sem motivo que os discípulos incitaram Cristo Jesus a falar sobre a “glória” do Templo, conforme costumeiramente os Rabis faziam nos sermões nos quais discursavam sobre a certeza da presença de Deus com o povo judeu fazendo longas analogias sobre a organização, os serviços e a construção do Templo – para os Judeus o Templo era o sustentáculo da Criação e o centro do Universo. Entretanto, ouviram do Senhor que o Templo seria totalmente devastado e destruído – um anúncio de tão grande Ira Divina que se assemelha aos julgamentos lançados sobre as nações pagãs do Velho Testamento. Logo, a partir desta introdução o Senhor mesmo dá Seu sermão e já podemos vislumbrar que o assunto do mesmo é a quebra dos ramos infrutíferos daquela oliveira da qual o Senhor, por séculos, estava cuidando [Romanos 11:19; Mateus 3:10] – era o julgamento de Deus sobre a apóstata nação judaica do primeiro século [Lucas 21:20].

Na próxima edição prosseguiremos a exposição do Sermão Profético de Cristo, mostrando a equilibrada compreensão destas profecias, que tem poder de expurgar de nossas mentes os erros do dispensacionalismo e futurismo e nos reestabelecer naquela boa compreensão da Escritura que nos foi legada por aqueles santos homens do passado que permanecem em nossa constante lembrança e reconhecimento, como os já tão citados Jonathan Edwards, John Owen e João Calvino.

Esperança em Tempos de Apostasia – Parte 7

Na última edição vimos que São Pedro nos ensina que nos últimos dias, ou seja, no tempo de estabelecimento do Reino de Cristo, os céus e a terra antigos seriam substituídos por novos céus e nova terra e os rudimentos do mundo seriam derretidos – o que significava dizer que a ordem religiosa e política Judaica seria substituída pelo vero Reino de Deus e que o tempo da Velha Aliança havia chegado ao fim. A base desta afirmativa do Apóstolo está no Livro do Profeta Isaías, Capítulo 65, o qual também é citado em outras partes do Novo Testamento com igual objetivo e contexto. Interessantemente, podemos notar que assim como ocorreu com o Capítulo 28 do Livro de Isaías, a profecia dos Capítulos 65 e 66 também possui uma série de tipos e sombras em seu cumprimento: tanto ela corretamente predisse o retorno de Isreael a sua própria terra após seu cativeiro (o que é um tipo do Evangelho), quanto ela prediz especificamente as bênçãos da Igreja do Novo Testamento desde sua fundação até o dia do Juízo Final. Os céus e a terra se foram, mas o Evangelho de Cristo jamais desvanecerá, nEle as velhas coisas passaram e tudo se fez novo [2 Coríntios 5:17], novos céus e nova terra onde habita a justiça. Em Cristo Deus recriou os céus reconciliando consigo homens que haviam sido destruidos pela rebelião do pecado, por estes homens Deus reconcilia consigo a terra e diz: o mundo, a morte, a vida, as coisas presentes e as futuras, tudo é vosso e vós, de Cristo – eis que faço novas todas as coisas [1 Coríntios 3:22,23; Apocalipse 21:5]. Em Cristo, na nova Criação, o lobo e o cordeiro se alimentam juntos [Isaías 65:25], enquanto os inimigos de Israel somente podiam ser detidos pela força, os ímpios e mesmo os inimigos da Igreja convivem com os Santos fazendo-lhes oposição mas sem lhes desejar a destruição – qual é aquele que vos fará mal, se fordes zelosos do bem? [1 Pedro 3:13]; e os Santos de Deus não precisam destruí-los, antes zelam pelo bem deles - se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça [Romanos 12:20]. Na nova Criação, o leão comerá palha como boi, o homem mal será regenerado e sua natureza modificada de tal forma que é como se um leão deixasse sua natureza de predador para se tornar um animal do campo, e até mesmo o mais terrível leão, Satanás [1 Pedro 5:8], foi acorrentado, limitado em sua antiga ferocidade [Apocalipse 12:9,20:1-3; Mateus 12:29; João 12:32; Colossenses 2:15]; e entregue a sua antiga condenação – pó será a comida da serpente. Esta é a presente realidade da Igreja de Cristo, este é o novo céu e a nova terra na qual nós habitamos.

Agora, afaste-se um pouco da cena que enfocamos, ajuste a visão e contemple a poderosa mão de Deus que rege não só a História Universal, como a particular história de cada um de nós: fomos escolhidos desde a Eternidade no Pacto do Supremo Conselho do Deus Triúno; fomos justificados no tempo quando o Espírito cravou em nosso coração o amor de Cristo pelo que Ele fez por nós; somos santificados conforme o Espírito Santo opera em nós a Palavra de Cristo pelos meios que Ele escolheu para distribuir Sua Graça; e, finalmente, seremos glorificados quando nEle formos ressurretos no dia final - nosso amado Senhor Cristo Jesus é o poder e a causa desta maravilhosa Salvação que recebemos pela Graça de Deus. Ele a opera eficazmente em nós conforme Seu plano perfeito; nEle a Criação decaída em Adão é restaurada, nEle as profecias messiânicas se cumprem majestosamente. Contemplá-lO verdadeiramente somente pode redundar em adorá-lO verdadeiramente, compreender Seu poder só pode nos fazer curvarmo-nos com reverência e bendizê-lO! Glorificado seja o Misericordioso e Justo Deus que nos amou quando ainda éramos pecadores, que amou o cosmos e deu Seu único filho para redimí-lo, que contempla Seu Povo na pureza do imaculado Cordeiro! E como se admira o Santo Apóstolo Pedro ao vislumbrar a glória de Cristo em nós, o futuro da Igreja após a destruição de Jerusalém, como se admira da incomparável obra de Cristo! São Pedro então exclama: que tipo de pessoas, quão santos e piedosos, nós seremos quando todas estas coisas ocorrerem? [2 Pedro 3:11]. Que tipo de pessoas, quão santa e piedosa a Igreja de Cristo, será em sua maturidade! Após lançado o firme fundamento dos Apóstolos e Profetas, sobre a preciosa pedra de esquina que é nosso Senhor e Salvador. Oh, quando isto ocorrer, quão grandiosa e quão perfeita será a Igreja de Cristo! Contemplar esta glória futura faz São Pedro repetir no versículo 12 a profecia do Juízo de Deus para, então no versículo 13, demonstrar quão glorioso é o futuro da Igreja – ela é os novos céus e nova terra onde habita a justiça.

Ora, amados irmãos, percebamos que Jerusalém já caiu há quase dois milênios. O vislumbre que São Pedro teve dos novos céus e nova terra é, para nós, presente. Nós somos novo céu e nova terra reitero, as coisas velhas passaram [2 Coríntios 5:17; Hebreus 12:26:28]. Temos sido coerentes com isto? Podemos nós afirmar que habita a justiça em nosso meio? Somos tais que nossa piedade e santidade são coerentes com a Jerusalém Celestial, nossa vera pátria, e não somente um pouco melhor do que o mundo ao nosso redor? Ah, irmãos, oremos ao nosso Senhor para que Ele nos faça ver a manifestação desta santidade e piedade para as quais a Igreja foi comprada por Cristo, e nas quais devemos nos empenhar para sermos achados nelas [2 Pedro 3:14]. Não há descanso para cada um de nós, não há descanso para a Igreja até que sejamos achados por Cristo sem mácula e irrepreensíveis [2 Pedro 3:14].


Não sobrou nada para o futuro?

Se nós somos o novo céu e a nova terra, o que restou para o futuro? A resposta, de certa forma, já foi dada: resta a glorificação, resta a total Redenção que ainda não se operou. Nós somos os primeiros frutos do novo céu e da nova terra, portanto, já não somos deste mundo, mas sim do vindouro. O Profeta Isaías, no capíulo 66, nos versículos finais, mostra o crescimento da amplitude dos novos céus e nova terra até a eternidade. No penúltimo versículo deste Capítulo, toda a Criação aparece Redimida e no último versículo os ímpios estão eternamente condenados ao Inferno. Da mesma forma, na Segunda Epístola de São Pedro e no Capítulo 28 de Isaías, o uso de termos que poderiam significar um julgamento de maiores proporções prefigura o que ocorrerá no fim dos tempos. Assim, é lícito compreender que, da mesma forma como, com a proximidade do Juízo sobre Jerusalém, os Cristãos foram exortados a apressarem a vinda do Juízo (ao se santificarem e trabalharem para que aqueles que ainda haviam de se arrepender chegassem verdadeiramente à Fé), com a proximidade do Juízo Final, os Cristãos estão exortados a apressarem a volta de Cristo (santificando-se e trabalhando para que aqueles que ainda hão de se arrepender cheguem a verdadeira Fé). No Capítulo 66 do Livro do profeta Isaías, assim como na Segunda Epístola de São Pedro, isto é representado pela longanimidade de Deus, pela transtemporalidade de Deus e pelo desejo que Ele expressa de que todos os eleitos sejam Salvos. Em Isaías vemos todas as nações dos gentios vindo ao Senhor e vemos os gentios se empenhando em levar o Evangelho aos outros povos [Isaías 66:19] e também aos Judeus [Isaías 66:20], para que em todas as nações e línguas haja uma Igreja Santa e Pura, dando testemunho da Glória do nosso Senhor. Este caráter parcial da Redenção, que primeiro se manifesta na conversão dos homens e depois nos atos destes e, conseqüentemente, na Igreja que eles edificam, explica o porquê das profecias do Velho Testamento misturarem a promessa de bençãos terreais com a promessa de bençãos eternas – a Igreja não está fisicamente fora do mundo, mas espiritualmente está. Fisicamente sofremos as aflições da terra decaída, mas espiritualmente já nos assentamos com Cristo em lugares Celestiais. Esta realidade espiritual, como comentamos na última edição, invade o tempo pouco a pouco, conforme cada novo Juízo de Deus destrói as manifestações corruptas do mundo e faz a Glória de Cristo ser vista mais claramente. Pouco a pouco, Deus opera grandes Providências para Seu povo; pouco a pouco, o cetro com que Cristo rege todas as nações se torna mais visível; pouco a pouco, toda a Terra é modificada pelo Evangelho e a batalha final se aproxima. Enquanto todas as nações não se renderem ao Evangelho, há firme razão para esperança de que o cetro de Cristo despedaçará os atuais apóstatas revelerando Sua glória com mais poder ao mundo e conquistando mais e mais povos para serví-lO. Tanto mais se aproxima este Dia, maior é o dever da Igreja Fiel em ser achada em paz e sem contaminações. Como nosso Senhor prescreveu o dever e, na boca dos Profetas, disse que isto assim se sucederia, podemos considerar que tanto mais se aproxima este Dia, mais a Igreja Fiel será, pela Graça de nosso Senhor e pela ação do Seu Espírito na habitação da Palavra, achada pura e obediente em todas as coisas. Ah, quão grande a esperança que temos então, na Glória futura da Igreja, no progresso futuro do Evangelho e quão grande emergência e anseio temos em nos empenharmos nesta tarefa de reformarmos a Igreja e direcionarmos nossa alma para toda sorte de deveres piedosos e santos que sejam conforme a Vontade de nosso Senhor para o Seu povo e o poder dAquele que opera em nós.

Para finalizar esta edição, evoco três testemunhos da História da Igreja. Vejamos o que o grande reformador João Calvino afirmou sobre a presente realidade e crescimento do reino previsto pelo profeta Isaías:

“ A Jerusalém que é de cima é livre e é a mãe de todos nós. Nas graças e confortos os quais os crentes tem em e de Cristo, nós devemos esperar estes novo céu e nova terra. É no Evangelho que as coisas velhas passaram e tudo se fez novo .. as novas coisas as quais Deus cria em e por Seu Evangelho são e serão matéria da alegria perene de todos os crentes. A igreja será a matéria de sua alegria, tão prazeirosa, tão [espiritualmente] próspera será sua condição ... Deus não só se alegrará no bem-estar da igreja, mas irá ele mesmo se alegrar em fazer-lhe o bem e em descansar no amor que tem por ela [Zacarias 3:17] ... Todos os inimigos da igreja de Deus, que são sutis e venenosos como serpentes, serão conquistados e subjugados, e lhes será feito lamber ao pó, Cristo reinará como Rei na Sua Sião, que é a Sua Igreja, até que todos os inimigos de seu reino sejam postos por escabelo de seus pés, e também uns dos outros.”

Um dos maiores teólogos de todos os tempos, o Puritano Jonathan Edwards, em perfeita sintonia com Calvino, disse:

“Os céus e a terra começaram a tremer, caminhando para sua dissolução [na Igreja Neotestamentária], de acordo com a profecia de Ageu, pouco antes de Cristo vir ao mundo, de tal modo que somente aquelas coisas que não podem ser abaladas permaneçam, ou seja, que aquelas coisas que tem fim cheguem ao fim, e que apenas permaneçam aquelas coisas que durarão toda a eternidade. Então, em primeiro lugar, as ordenanças carnais da adoração Judaica chegaram a um fim, para brir caminho para o estabelecimento da adoração espiritual,a adoração de coração, a qual perdurará toda a eternidade. Este é um exemplo do mundo temporal chegando ao fim e do início do mundo eterno. Então, depois disto, o templo externo e a cidade externa de Jerusalém, chegaram ao fim, para dar lugar para o templo espiritual e a cidade espiritual, que durarão pela eternidade”

Por fim, o Puritano John Owen, um dos maiores exegetas da Igreja, traz sua voz na Declaração de Savoy (que é a principal Confissão de Fé Congregacional):


“Como o Senhor, em Seu cuidado e amor em relação a Sua Igreja, tem, em Sua infinitamente sábia Providência, exercido este amor e cuidado de diferentes maneiras em todos os séculos, para o bem daqueles que O amam, e para Sua própria glória; enão, de acordo com Sua promessa, esperamos que nos últimos dias, a medida que for se realizando a derrota do AntiCristo, a conversão dos eleitos dentre os Judeus, e a quebra dos adversários do reino de Seu amado Filho; com as igrejas fiéis a Cristo ampliando seu alcance, e sendo edificadas através de uma livre e abundante comunicação da Luz e da Graça, então, as igrejas gozarão neste mundo de uma condição mais quieta, pacífica e gloriosa do que dantes experimentaram”

Seja, portanto, exaltado e louvado nosso Senhor, que tem em Sua Igreja o Seu Santo Monte, onde habita em Glória inefável, Sua nova Criação a qual permanece geração após geração e jamais será abalada [Isaías 65:25]. Temamos o Nome do Grande e Santo Deus que tem chamado, por Sua Graça sobrexcelente, a Igreja Kalleyana para ser depositária da Fé Cristã Histórica de homens como Calvino e os Puritanos.Temamos e lutemos pela Reforma em nosso meio, para que vivamos conforme a Escritura em todas as coisas, sendo agradáveis a Deus em Cristo – tenhamos firme propósito e abençoada esperança de que o futuro da Igreja, conforme a promessa e a eficácia de nosso Senhor, é a Sua Glória; não precisamos fugir do confronto com o mundo e nos refugiarmos na estranha expectativa da saída de emergência chamada Arrebatamento, antes podemos confiar que a batalha não é nossa, mas de Deus mesmo, e que em lugar de retirar o Seu povo da terra para que ele não sucumba, nosso Senhor nos guiará até o Dia Final em inabalável certeza de Fé para cumprir em nós seus desígnios de que haja uma igreja santa e uma para pregar o Evangelho em todo o mundo e fazer discípulos em todas as nações, antes que Ele volte para julgar os vivos e os mortos e encerrar a História da Redenção.